Developer: Monkey Moon / Black Muffin
Plataforma: Xbox One, Xbox Series S|X, PS4, PS5, PC, Nintendo Switch
Data de Lançamento: 17 de julho de 2019

Night Call, é um jogo que me despertou interesse quando chegou ao Game Pass e finalmente tive a oportunidade de o jogar de fio a pavio, e apesar de já ter sido lançado há algum tempo, achei que merecia destaque. O jogo foi desenvolvido pela Monkey Moon e Black Muffin e distribuído pela Raw Fury, é uma espécie de policial com uma premissa muito peculiar, onde não somos detetives, somos um taxista em Paris que se vê obrigado a descobrir um mistério policial em que se viu envolvido, tudo isto com um estilo noir e com uma narrativa bem forte.

Vamos então ser um taxista em Paris que faz turnos de noite, e numa dessas noites, um Serial Killer apelidado de “O Juíz” apanha o nosso táxi, e no fundo apanha-nos também. Sem sabermos bem como acordamos numa cama de hospital, nas Urgências, e sem memória alguma do que se passou. No entanto tornamo-nos um alvo de toda a maneira e feitio, seja porque sobrevivemos e portanto o Serial Killer poderá andar atrás de nós para acabar o que começou, tanto pela Polícia que nos quer usar como isco ou como fonte de informação sobre o assassino.

Duas semanas depois de recuperarmos deste incidente voltamos ao nosso táxi para tentar ganhar uns cobres para sobreviver, sempre com o medo à espreita, mas também como uma necessidade enorme de perceber o que aconteceu e quem é o tal “O Juíz”. O jogo fundamenta-se nesta base e explora as nossas capacidades de detetive, mas ao contrário do normal, a acão passa-se toda dentro de um táxi. Basicamente vamos apanhar alguns clientes, que escolhemos através de um mapa que nos é fornecido com pontos de referência. Alguns são nossos velhos amigos, outros clientes completamente random e outros, suspeitos da investigação policial que está a decorrer. Na verdade, vamos ser abordados pela Polícia para desvendar este mistério e se não o fizermos em tempo útil, no espaço de uma semana, somos nós presos. E sim o jogo acaba mesmo e vão ter que começar do zero outra vez se isso acontecer. Aliás eu diria que vai acontecer mais do que uma vez, visto que o jogo baseia-se no método do Paper’s Please, com vários finais e várias maneiras de alcançar objetivos e muitas mais formas de nunca os alcançarmos.

Sendo assim e em coordenação com a Polícia, a lutar pela nossa própria sobrevivência, montamos em casa uma operação, com um quadro com os principais suspeitos e todas as pistas que derivam deles. Conforme vamos recolhendo informação nas nossas “corridas”, vamos adicionando elementos que nos possam levar a ter uma base fidedigna de provas para acusar alguém. Para além das conversas com os clientes também vamos recebendo informação da Polícia e vamos subornar outras pessoas que supostamente têm “informação privilegiada” sobre o assunto. Para isso precisamos de dinheiro, e para o ter vamos ter que apanhar mais clientes e ouvi-los, ao ponto de os ajudarmos, muitas vezes, e de recebermos uma choruda gorjeta.

Os diálogos são super densos e interessantes, tendo nós sempre várias hipóteses de resposta e portanto várias direções de narrativa que facilmente nos podem levar à tão famigerada gorjeta, como a informações decisivas sobre o nosso caso. Ao mesmo tempo também podemos embarcar em conversas que não levam a lado nenhum e só perdemos tempo, gasolina e muitas vezes dinheiro. Isto porque o jogo tem tempos definidos, isto é, temos o turno da noite para fazer as “corridas” a apanhar clientes, o trajeto que vamos fazer com eles vai definir o tempo que vamos gastar a executar o trabalho, e portanto temos que escolher bem os clientes para conseguirmos fazer o maior número de “corridas” para amealhar o maior número de informações possíveis por dia. Para além disso quando vamos para casa dormir e olhamos para o quadro dos suspeitos também vamos ter um tempo delineado para analisar as novas provas e por vezes não chega para ver tudo e embarcamos em mais uma noite, e menos um dia para investigar.

É, de facto, uma corrida contra o tempo, facilmente se vão perder nas horas de jogo devido ao quão bem está feita a narrativa do jogo, o interesse que as personagens nos vão criando, e ainda mais o mistério desse ataque do Serial Killer. A única coisa que pode causar algum tédio é mesmo a questão dos diálogos sem apenas visuais, de texto, e não auditivos, sem as personagens terem uma voz, o que eu acho que daria uma dimensão ainda mais rica ao jogo. Percebo que o custo de o fazer pudesse ser bastante elevado, mas diria que era mesmo fundamental para o sucesso do jogo.

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A nível gráfico não sendo um portento, é um jogo cheio de classe. O estilo noir assenta que nem uma luva nesta trama, e muitas vezes sentimos que estamos numa espécie de banda desenhada em movimento, aliás foi isso mesmo que me cativou para ir ver o que era o jogo e para o experimentar.

Nigh Call é um ótimo jogo para uma noite sozinho em casa, a relaxar e a ser absorvido nesta trama enquanto imaginamos as ruas de Paris e quem é “O Juíz”. A premissa é muito boa e bem diferente dos jogos que estamos acostumados a jogar, com um grau elevado de desafio, o que por vezes pode se tornar entediante se tiverem que repetir várias vezes até chegar ao Serial Killer.

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