Developer: KOEI TECMO
Plataforma: PS4, PS5, Xbox One, Xbox Series X|S, Nintendo Switch e PC
Data de Lançamento: 10 de junho de 2021

Bem esta Master Collection do Ninja Gaiden foi uma surpresa para todos, especialmente porque o anúncio aconteceu num showcase da Nintendo em primeiro lugar, e depois confirmado que sairia também para a PS4 e PS5 através da retrocompatibilidade, assim como para Xbox One e Xbox Series S|X da mesma forma e ainda para o PC. Diria que é mesmo o fechar o círculo por parte de toda a saga do Ninja Gaiden, que começou a dar os primeiros passos na NES, depois para a Xbox 360, depois PlayStation 3, chegando ainda à PS Vita e finalmente sai esta trilogia para todos os sistemas.

Comecemos por Ninja Gaiden Sigma, o primeiro jogo desta trilogia. Aqui acompanhamos Ryu Hayabusa ainda nos seus jovens anos como ninja, treinando numa missão com o seu tio Murai, um mestre de outro clã. Enquanto conversa com Murai, Ryu descobre que sua vila está sob ataque e retorna apenas para descobrir uma entidade conhecida como Doku roubando a Lâmina do Dragão Negro, uma poderosa arma protegida pela clã Hayabusa. É com esta versão Sigma, que denomina uma versão já trabalhada por cima de um original, com elementos novos, que temos a possibilidade de controlar Rachel, uma caçadora de demónios que vai ajudar Ryu na sua cruzada, ao mesmo tempo que derrotar a sua própria irmã Alma naquelas que são as terras do fictício Reino de Vigoor, um local onde uma misteriosa figura orquestra todos os envolvidos nos eventos ligados à Lâmina do Dragão Negro e o futuro do jovem Ryu. Rachel tem 3 capítulos próprios no jogo, onde acabamos por ter uma jogabilidade diferente, apesar de só podermos usar uma arma e uma magia.

Ninja Gaiden Sigma é a segunda versão do original, depois de Black, onde vamos encontrar algumas diferenças, entre as quais a dificuldade, diria que os Sigma são sempre mais acessíveis e menos punitivos que os originais. Para além disso, abre mão de muitos elementos, com a retirada de roupas alternativas, os jogos de SNES disponíveis, traz cenas adicionais e novas áreas de combate, novas cenas que contextualizam melhor Doku, o antagonista do jogo, dando a oportunidade para os fãs ficarem mais satisfeitos, mas também dão uma maior base aqueles que chegam agora ao jogo para o compreenderem totalmente.

Os níveis em si são praticamente os mesmos, as batalhas continuam a seguir o mesmo estilo, onde cada inimigo que vamos encontrar tem a sua artimanha para o derrotarmos, mas depois de a percebermos , tudo fica mais simples. Há inimigos novos, como os peixe fantasma, ou gatos humanóides etc, mas diria que a parte mais simples são os Bosses. Porque neste caso o que temos que apreender é repetição dos seus movimentos e como atacar perante esse padrão.

Se Ninja Gaiden Sigma é visto pela generalidade como um jogo de culto praticamente imaculado e puro, é partir de Ninja Gaiden Sigma 2 que as opiniões começam a divergir, mas já lá vamos.

Ryu Hayabusa vai lutar contra uma ameaça ainda maior desta vez. O clã ninja das Aranhas Negras atacou a vila Hayabusa enquanto Ryu resgatava uma jovem agente da CIA em Tokyo. Ao chegar na vila, Ryu depara-se com o seu próprio pai a lutar contra o líder do clã rival, Genshin, que se aliou à Rainha do Sangue Carmesim e ao demónio Elizébet.

Durante o ataque, ambos conseguem por as mãos no artefacto conhecido como Estátua Demoníaca, que abre os portões entre o mundo humano e o dos demónios. Agora Ryu deve partir em busca de impedir uma invasão em grande escala de inúmeros seres demoníacos na terra, lutando contra inimigos novos, antigos e até mesmo a própria Estátua da Liberdade. Uma verdadeira amálgama de ideias.

Por vezes sentimos que Ninja Gaiden Sigma 2 vai para além do desejável, há fatores que são efetivamente interessantes, com Ryu Hayabusa a não ser o único protagonista do jogo, agora com mais 3 personagens e duas das quais que nunca tinham aparecido na franquia, estamos a falar de Ayane, uma velha conhecida dos jogadores de Dead or Alive (título que, “por acaso”, foi desenvolvido também pelo lendário Tomonobu Itagaki, que criou Ninja Gaiden; Momiji, que fez sua estré«eia em Ninja Gaiden Dragon Sword, da Nintendo DS; e, por fim, a voluptuosa Rachel, que já tinha feito a sua estreia no primeiro Sigma.

Ayane é rápida e ágil, varrendo inimigos com as suas lâminas duplas, Momiji, com sua portentosa Naginata, embora não seja tão rápida, traz um bom ponto de equilíbrio entre velocidade e poder de ataque. Já Rachel, a voluptuosa caçadora de demónios, é a personagem mais lenta do jogo, talvez pelas enormes armas que carrega.

Este Sigma 2 acaba por ser a tal versão “vanilla”, é o jogo menos sangrento dos 3, uma alteração visual, que não agradou aos fãs na altura e não vai agradar agora. A ideia muito Kill Bill fazia parte da estética, e o jogo perde com isso o feedback visual de que o dano causado era legítimo e que estávamos a chegar a algum lugar (mesmo que fosse o Inferno), assim como os membros decepados e o sangue esguichando deixaram de aparecer em Sigma com os membros decepados a desaparecem, e no lugar do sangue a esguichar, temos uma fumaça roxa.

Ninja Gaiden Sigma 2 tem seu número de combates realmente diminuído, tanto em número como em dificuldade. Áreas que antes eram desafiadoras com vários inimigos tornaram-se vazias, e o jogo é quase um “walk in the park“. Claro que os inimigos ainda nos podem matar, e vão, mas só se dermos essa oportunidade e tivermos a almoçar ao mesmo tempo.

Alguns bosses regressam nesta versão Sigma, num verdadeiro golpe de mestre, com  Marbus e o Dragão Negro que acompanha Quetzalcoatl. Mas, por outro lado retiraram os Ninjas Aranhas Demoníacos como inimigos comuns após a primeira luta de boss. o que acaba por ferir bastante a diversidade nos combates. Diversidade essa que mais uma vez não tira vantagem das ferramentas proporcionadas pelo jogo, visto que é impossível desbloquear as skills até ao máximo, visto que estão bloqueadas até chegarmos ao fim do jogo.

Uma coisa que foi deixada de lado, e que acho que é uma grande falha, é a questão do multiplayer do jogo ter sido “esquecida”. O jogo tinha um cooperativo até muito interessante, em dois jogadores enfrentavam uma série de missões juntos. Muito difíceis, mas eram muito divertidas. O terceiro também tinha um modo competitivo interessante. Mas, infelizmente, Ninja Gaiden: Master Collection traz apenas a porção singleplayer dessas experiências.

Já falaremos da jogabilidade em si e da questão gráfica, mas falta-nos falar da cereja que caiu do topo do bolo. É isso mesmo, Ninja Gaiden 3 Razors’s Edge. Se Sigma 2 fazia algumas opiniões divergir, neste estão todas para o mesmo lado, só que não é o bom…

É difícil arranjar forma de defender este jogo na sua essência, o jogo foca-se mais na narrativa, que é fraquinha, deixando a jogabilidade de lado. Aqui Ryu é procurado pelo governo japonês e quando é encontrado, acaba por ser a agir contra uma organização chamada LOA, ou League of Alchemists, isto porque esta mesma organização exige a sua presença em troca do Primeiro Ministro Britânico. Ryu lá aceita e ruma a Londres onde o jogo se desenrola numa primeira fase.

Enquanto luta com o líder deles, o mesmo amaldiçoa Ryu com uma magia chamada Aperto da Morte, fazendo com que a Lâmina do Dragão se funda com o braço de Ryu. A maldição fará com que o corpo de Ryu seja corrompido pela fúria e rancor daqueles que foram mortos pela lâmina da espada, implementando um novo sistema de fases no jogo, no qual Ryu entra num universo dentro da maldição e precisa matar novamente aqueles que já havia matado no passado e presente. Sim, é um bocado esticar a corda para aumentar a vida do jogo, e devo dizer que não é memorável. Vai-nos remontar sempre a um Devil May Cry em muitos dos seus momentos, ainda mais pela excitação do jogo com os combos e até com algumas mecânicas.

Como já tinha o foco do jogo é na história, mas também no uso de quick time events. A história tenta fazer com que o jogador tenha essa introspeção de que Ryu é uma máquina assassina, que já ceifou inúmeras vidas, sejam elas humanas ou demoníacas. A ideia da introspeção até não é má, mas a resolução é, isto é, ceifar mais gente e demónios mesmo que seja dentro da sua cabeça não me parece que vá resolver essa questão. Facilmente me vem à memória a história de Battousai, o Esquartejador, que vira a lâmina da sua espada para não voltar a ceifar mais pessoas e viver com a sua culpa, e isso é uma ideia bem melhor. O conflito com a visão dos jogos anteriores perante esta ideia também não ajuda e acaba por demonstrar que foi uma má ideia.

Paga-nos o café hoje!

Com esta ideia dos QTE e de se tornar num “button smasher” mais do que um jogo de perícia e punitivo, Razor’s Edge acaba facilmente por parecer repetitivo. Tem algumas ideias interessantes, mudando de visão várias vezes, dando um sentimento mais cinematográfico ao jogo, de uma experiência viva, com desafios diferentes, mas que encalha nas mecânicas repetitivas até nos Bosses.

Olhando para os dois Sigma, a jogabilidade é rápida e deve agradar aos veteranos, mas apresenta comandos fáceis e intuitivos o suficiente para os novatos. À medida que o jogador avança no jogo, os nossos atributos são melhorados — novos golpes e Ninpos podem ser aprendidos e novas armas, encontradas —, enquanto o desafio aumenta progressivamente. É desafiante e punitivo, mais nas suas versões originais, é verdade.

Porém temos que separar a jogabilidade de Razor’s Edge dos restantes, aqui temos uma decpcionante limitação de movimentos do nosso personagem. E por mais que o sistema de evolução desbloqueie novas habilidades, elas não trazem tantas novidades assim, e basta uma simples sequência de golpes médios e fortes para que Ryu derrote os seus inimigos.

Outras das limitações também são denotadas na variedade de armas e nos outros movimentos do nosso personagem, como escalar uma parede ou utilizar um salto mais acrobático. O jogo obriga-nos a andar por um percurso linear e varrer dúzias de inimigos que surgem a todo momento, sem abrir espaço para improvisos e estratégias mais criativas. Em 85% do jogo vamos andar com Ryu, os outros 15% com Ayane, mas a variedade nem assim é muito maior por causa disso.

A nível gráfico, os jogos levaram uma melhoria brutal, olhando para remastered’s completamente falhados nessa componente, como o de Onimusha, aqui Ninja Gaiden Master Collection demonstra que por mais antiguinho que o jogo possa ser, há sempre margem de manobra para ficar melhor, se esse for o desejo do estúdio. Desde texturas mais suaves, mais trabalhadas, efeitos de iluminação retrabalhados, animações, elementos dos cenários que ganharam uma nova vida, tudo mais “liso”, mais “arredondado” mais perfeitinho. É claro que se nota mais em Sigma 2, por exemplo, lembro-me que logo ao início reparei numa queda de água que estava incrível, ao ponto que poderia ser de um jogo criado hoje. Razor’s Edge também denota esse trabalho gráfico, com Londres e a sua chuva constante, onde notamos no chão a queda das pingas de água e os reflexos no alcatrão.

Para além disso, a resolução que pode ir até aos 4K melhora o aspeto de tudo na verdade, mas não foi feito apenas um upscalling manhosos como já vimos acontecer (porquê Onimusha?! porquê?!). O jogo roda a 60FPS estáveis, com uma oscilação aqui e ali, mas que é fundamental para acção desenfreada dos jogos, e onde aí até é Razor’s Edge que beneficia mais com esta questão gráfica. Com isto, e porque Ninja Gaiden ficará sempre na história dos videojogos, ainda hoje esta Master Collection vai conseguir surpreender os que chegam agora à série, tendo dificuldades em perceber que este jogos já têm, pelo menos uma década nas pernas.

Ninja Gaiden: Master Collection, é uma excelente entrada da série nos tempos atuais, e compreendo que o Hero Mode esteja incorporado nos 3 jogos, um modo que permite que Ryu se desvie e se defenda sozinho de projéteis e com ninpos infinitos quando tem pouca vida, afinal de contas, nem toda a gente tem pachorra para jogar jogos difíceis e com o facto de não serem atuais isso poderia desviar alguns jogadores de o experimentarem. É uma coleção obrigatória para qualquer jogador, porque influenciou o género de Hack N’ Slash em muitos níveis e em muitos outros jogos, e acaba por ser uma oferta porreira para ter na nossa prateleira.

REVIEW GERAL
Geral
Artigo anteriorO novo trailer de Alex Kidd in Miracle World DX
Próximo artigoAnálise: Game Builder Garage
Fundador do Site - Salão de Jogos, o Commodore Amiga 500 foi o seu melhor amigo durante décadas e ainda hoje sabe de cor a equipa principal do Benfica do Sensible Soccer 94/95. Nos tempos vagos ainda edita as botas dos jogadores do FIFA e do PES.

Deixa um comentário