Developer: Grasshopper Manufacture
Plataforma: PlayStation 5, PlayStation 4, Xbox Series X|S, Xbox One, PC
Data de Lançamento: 11 de outubro de 2022

Faz praticamente 1 ano e 2 meses que No More Heroes 3 aterrou na Nintendo Switch como um exclusivo temporário. Um jogo muito aguardado pelos jogadores, mas que infelizmente não foi muito aclamado pela crítica em geral. Com este tempo de maturação a Grasshopper Manufacture teve tempo para fazer algumas alterações ao jogo, melhorar a resolução do mesmo e lançá-lo para as restantes plataformas, Xbox, PlayStation e PC.

Os fãs do jogo provavelmente ainda têm em mente Travis Strikes Again: No More Heroes, que na verdade foi uma desilusão quando foi lançado em 2019. Era tudo aquilo que os fãs não desejavam: repetitivo, inimigos praticamente todos iguais, com excepção dos bosses. Salvava-se pela sua história completamente louca, a todas as referências que fazia, quer a filmes, videojogos, entre outras coisas mais geek, e como sempre, pela sua banda sonora.

A pergunta que todos jogadores provavelmente fazem é se No More Heroes 3 está melhor em relação à Nintendo Switch, quer em termos de resolução como de performance. A resposta é um esclarecedor sim! Travis Touchdown continua com a sua irreverência, com a sua postura arrogante, mas ao mesmo tempo com aquele sentido de humor perfeito para o jogo em questão. Diria que não é só Travis que está virado para o humor, e toda a franquia No More Heroes sempre foi conhecida por ser completamente fora da caixa e trazer coisas diferentes, quer no seu gameplay, nas cinemáticas, como nos diálogos existentes.

Para os que apenas estão a iniciar-se na franquia, não existe qualquer problema em iniciarem-se com No More Heroes 3, embora o jogo se passe anos depois dos títulos anteriores, mais precisamente 2 anos depois de Travis Strikes Again: No More Heroes. Não tem grandes referências aos jogos anteriores, além de ter um tutorial logo no início que explica todas as mecânicas, desde: ataques, defesas, esquivar, agarrar, entre outras coisas.

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O jogo começa logo de uma maneira bastante diferente do habitual, com um jogo bem ao estilo retro com o nome de Deathman, onde temos de derrotar o boss final. Depois de isso acontecer, inicia-se a verdadeiramente a história de No More Heroes 3, com uma cinemática bastante competente. Um menino encontra um pequeno alienígena ferido e leva-o para casa; ficam amigos, e FU quando fica curado decide voltar para o seu planeta, prometendo regressar dentro de 20 anos.

É exactamente isso que acontece, FU volta passado todos esses anos, agora com uma figura bem adulta, e muito menos querido e fofinho. Chega com uma ideia bem louca, dominar o planeta a seu pelo prazer, e não vem sozinho, chega com diversos amigos, e claro, achando-se um herói. Começa por destruir uma cidade inteira, e é nessa altura que Travis na sua pequena casa percebe que algo de estranho está a acontecer na sua cidade. É nessa altura que começa a nossa luta, e claro o tutorial que nos ensina tudo o que precisamos.

Após o primeiro tutorial bastante simples, a história desenrola-se mais um pouco, e Travis decide partir para a nave alienígena, de modo a acabar com este grupo de patifes. Chegando à nave, já com o seu aspecto habitual, Travis terá o novo tutorial que nos ensina mais alguns golpes, e sempre acompanhado pelo seu gato falante. A pergunta que certamente está na mente de muitos de vocês é como raio Travis consegue chegar a uma nave alienígena, mas isso é simples, agora Travis tem um fato tipo power ranger, e fica todo potente e habilidoso, ao ponto de conseguir voar.

É ainda na nave, que teremos a batalha contra um dos primeiros bosses, isto é, um dos amigos que FU trouxe com ele, e ao derrotá-lo ficamos a saber o que se está a passar exactamente. FU irá fazer uma competição em que os humanos terão de o derrotar juntamente com os seus amigos, para eles saírem do planeta terra. Caso contrário, ele irá destruir a terra. É nesta altura que Travis fica com a sua tarefa bem definida.

Os 30 minutos iniciais do jogo são extremamente promissores e deixam-nos bastante empolgados com tudo o que está por vir, quer a jogabilidade, a história, as cinemáticas, tudo parece estar como os jogadores sempre desejaram. Além disso, com uma performance excelente e um frame rate alto. O jogo consegue mesmo oferecer ao jogador uma experiência interessante.

Como sabemos, Suda 51 – como é conhecido Goichi Suda, o CEO da Grasshopper Manufacture – sempre teve umas inspirações loucas, e até uma maneira bem interessante de criticar tudo o que está na moda no universo dos videojogos, na TV, filmes e séries. No More Heroes 3 não é diferente, e isso começa logo com a divisão do jogo por capítulos, em que cada um se inicia como se fosse uma série com vários episódios. As próprias personagens são a antítese dos vários super heróis que têm enchido as salas de cinema, e que parece que vieram para ficar, quase como se fossem os vilões dos bons filmes que têm ficado cada vez mais esquecidos, em prol dos heróis de quadradinhos terem saltado para o grande ecrã. Os podcast que têm inundado a nossa sociedade também não foram esquecidos, prova disso é que o início de cada capítulo, depois da cinemática de entrada começa com um posdcast de Travis e Bishop.

No aspecto da jogabilidade, o combate é bastante divertido, e as lutas contra os bosses são surreais, já que muitos deles são diferentes de tudo o que encontramos nos outros jogos. E com uma jogabilidade tão simples, e mecânicas acessíveis, este torna-se mesmo o ponto mais forte do jogo. Para quem não está familiarizado com os outros jogos, Travis tem uma espada laser, género Star Wars, mas esta tem uma bateria, e quando acaba a bateria temos de abanar a espada para esta ir carregado a bateria, como se fosse uma lanterna daquelas que não precisam de pilhas. Além disso, agora temos também a luva Death Mark MK.II, que nos permite alguns especiais, e que tornam o combate ainda mais interessante, já que nos são oferecidos mais 4 golpes especiais.

Falando de aspectos que não gostei assim tanto, foi o mundo aberto que volta a aparecer neste jogo, não que não seja fã de jogos mundo aberto, porque até sou, o problema é o vazio que sentimos a andar pelos locais. Tudo muito vazio, com a sensação que não existiu grande cuidado para melhorar o jogo neste sentido. No caso da Nintendo Switch, que tem menor capacidade que as consolas de nova geração é algo que se entende, agora numa PlayStation 5, Xbox Series X ou PC, é algo que se torna um pouco incompreensível.

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Seja como for, os jogadores podem explorar esses locais, e terão recompensas por isso, quer pelos combates que vão ter, como em missões e diversos itens que vão encontrar. Temos ainda diversos mini-jogos que sempre fizeram parte dos jogos da franquia, e estes aparecem como se fossem trabalhos, todos eles bastante diferentes uns dos outros, mas que servem para avançarmos no jogo, nem que seja para obter dinheiro e com isso conseguirmos ir até ao próximo boss.

Quando há pouco referi, que os primeiros 30 minutos de jogo eram incríveis, não foi em vão, e a verdade é que chegando às 5 horas de jogo deparamo-nos com um problema, ou seja, a falta de inimigos diferentes que nos fazem sentir uma certa repetição nos combates. O que é uma pena, até porque era um título que tinha tudo para ter o sucesso do primeiro jogo da franquia quando foi lançado.

O jogo oferece três níveis de dificuldade, um fácil, que é oferecido e até uma criança de 10 anos a carregar nos botões aleatoriamente conseguia vencer as lutas, um médio, que já consegue oferecer um bom desafio (às vezes até exagerado), e depois um difícil, que por vezes chega a ser insano. Até aqui, tudo sem problemas, até ao jogo avisar que não é possível mudar de dificuldade a meio do jogo, algo que a maioria dos jogos já oferece, e que muitas vezes leva o jogador a conseguir adaptar o jogo á jogabilidade que mais lhe convém.

Graficamente o jogo está aquilo que os fãs da franquia podiam esperar dele, e não existe um padrão com aquilo que podemos encontrar, já que temos desde coisas altamente retro, a grafismos cartoonescos, e uma variedade de géneros que a franquia No More Heroes já nos habituou. A parte sonora do jogo não desilude, já que as músicas, as vozes e os efeitos estão bastante competentes.

Algo muito bem-vindo para aqueles que têm mais dificuldade com o inglês é o jogo ter legendas em português, confesso que não é a melhor legendagem que já vi, até porque existem situações que até erros ortográficos encontramos, mas, certamente levará muitos jogadores a agarrarem o título por oferecer essa facilidade.

No More Heroes 3 é um jogo diferente do que encontramos no mercado. Não consegue alcançar os dois primeiros jogos no que se refere ao espanto e sucesso que trouxe perante os jogadores, no entanto, consegue fugir bastante do que foi Travis Strikes Again: No More Heroes, trazendo agora um jogo que fica mais perto do esperado pelos fãs. E que certamente para quem não conhecia a franquia ficará espantado com a “loucura” que vai encontrar.