Developer: Nintendo
Plataforma: Nintendo Switch
Data de Lançamento: 17 de Julho de 2020

Paper Mario deu-se a conhecer há 20 anos atrás no Japão, com a chegada do primeiro jogo da franquia à Nintendo 64. O jogo foi muito bem recebido pelos jogadores e em 2004 era a vez de Paper Mario: The Thousand-Year Door chegar à Nintendo Game Cube. Ao longo destes últimos 20 anos foram sendo lançados diversos jogos da franquia para quase todas as consolas da Nintendo, e até alguns Crossovers.

Faltava a Nintendo Switch também receber um jogo da franquia, e esse jogo chega já dia 17 de Julho com Paper Mario: The Origami King. Ao contrário da franquia de Super Mario que todos conhecemos tão bem, Paper Mario leva o nosso canalizador para um estilo mais RPG, onde terá de procurar objectos, falar com personagens, concluir missões para avançar na história e até usar objectos nos combates.

Em Paper Mario: The Origami King, Mario e Luigi receberam um convite para o Festival Origami, que se realizava na Toad Town ao lado do Castelo da Princesa Peach. Então dirigem-se para lá no carro de Luigi, porém, ao chegarem à cidade, verificam que está completamente vazia, isto é, o festival estava todo montado, mas sem nenhum habitante (neste caso sem nenhum Toad). É devido a essa ausência de habitantes que decidem dirigir-se para o castelo da princesa Peach e tentar perceber o que se passava.

Ao chegarem ao castelo deparam-se também com uma ausência de habitantes, e Luigi, sempre muito apressado, desaparece da vista de Mario. Mario, bastante mais calmo, continua o seu caminho, até que chega à sala central do castelo e é recebido pela Princesa Peach, transformada em origami; é nessa altura que ela lhe começa a fazer perguntas bastante estranhas, e seja qual forem as vossas respostas, serão mandados para o calabouço do castelo.

É no calabouço que Mario encontra outros prisioneiros que lhe contam o que se está a passar; basicamente todos os seres feitos de papel estão a ser presos e a ser transformados em origamis. Como é fácil imaginar, vamos tentar fugir do calabouço, sendo que é nessa altura que nos deparamos com uma nova personagem, Olivia, uma pequena figura voadora que é um origami, e uma das personagens que nos acompanhará e ajudará durante a nossa aventura. Depois de conseguir sair do calabouço vamos procurar Luigi, e teremos alguns encontros engraçados pelo percurso – como por exemplo o encontro com Bowser –, mas é nessa procura pelo irmão, que Mario dá de cara com o grande vilão desta aventura, o King Olly, o irmão de Olivia.

E será aqui que a aventura começa verdadeiramente, já que King Olly (também ele um origami) é um feiticeiro, e faz o castelo da Princesa Peach levitar até uma montanha longínqua enquanto o amarra com 5 serpentinas gigantes: uma azul, uma roxa, uma amarela, uma verde e uma vermelha.

A nossa missão será soltar o castelo das 5 serpentinas e acabar com este reinado de terror do King Olly. Para isso, teremos de percorrer 5 territórios totalmente diferentes, cheios de vida e de cor, onde cada uma das serpentinas estará presa. A ideia está bastante original, basta imaginar e tentar visualizar toda a situação. E a verdade é que enquanto percorremos todos os locais do jogo, percebemos o terror causado pelos origamis, já que todos os personagens correm desalmadamente sempre que os salvamos.

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Todos os jogos desta franquia sempre tiveram histórias bastante originais e diferentes, como acontece com Paper Mario: The Origami King, no entanto, algo que sempre marcou esta franquia foram os combates, que quase sempre são diferentes de jogo para jogo. Ora, este não é diferente, e existem vários tipos de combate, e em quase todos eles temos o martelo que Mario usa (bem característico dos jogos de Paper Mario), mas também os saltos por cima dos personagens (e para isso são importantes as botas que usamos).

Os combates têm várias vertentes, e os diversos locais do mapa vão oferecendo alguns combates especiais que trazem sempre uma pitada de surpresa para os jogadores; mas depois existem três tipos de combates mais comuns:

Nuns combates defrontamos personagens no cenário onde estamos, como é o caso, por exemplo, dos goombas gigantes que vamos encontrando, ou outros personagens bastante fracos, e que basta uma martelada e vão desta para melhor.

Depois, temos os combates que se passam em arenas redondas, onde Mario estará no meio da arena e os seus inimigos espalhados à sua volta. E estes combates estão divididos em três fases:

Uma em que temos de resolver um pequeno quebra-cabeças, posicionando os nossos inimigos no melhor lugar possível para posteriormente atacá-los, e podem movê-los em linha ou em círculos (como podem ver no vídeo abaixo).

Na segunda fase é quando os atacamos, e aqui podemos usar o martelo, ou os nossos saltos; existem diversos martelos e botas que podem adquirir, mas a sua utilização gasta-se – por isso cuidado. No caso do martelo, servirá para atacar inimigos agrupados à nossa frente, já as botas servem para quando temos um grande número de inimigos em linha. Podem também ver o vídeo em baixo para terem um exemplo disso:

A terceira fazer será quando os inimigos nos vão atacar, e neste caso apenas temos de carregar no botão A do nosso comando para tentar defender os ataques.

Por fim, aquilo que é mais interessante: os combates contra Bosses, e que nos obrigam a perceber as suas fraquezas e tentar chegar a esses locais para atacá-los. Para isso, teremos de ir rodando o cenário de maneira a que as setas que estão no chão da arena nos façam chegar ao local de atacar o Boss. Nem sempre é fácil, mas felizmente vão ter algumas ajudas, como arcas de tesouro e corações para recuperar energia. O vídeo abaixo ajudará a perceberem como isso se passa:

Os inimigos são variados e vão aumentando com a avançar do jogo. A maioria deles são origamis com aspecto de Goomba, Spiny, Galoomba, Shy Guy, entre muitos outros que conhecemos do universo de Mario. Nem todos são origamis, um exemplo é o caso dos Goombas gigantes que referi acima, sendo que neste caso são bocados de papel todos colados; mas também temos os Bosses que são dos mais variados tipos, desde alguns de papel, outros de madeira, entre outras figuras que nos surpreendem bastante.

Deixando os combates e os inimigos de lado, podemos passar para a jogabilidade, esta é bastante simples como se deseja neste tipo de jogo. Mario passa o tempo a correr, a saltar e também a dar com o martelo em tudo e mais alguma coisa. Todas essas habilidades são extremamente simples e compreensíveis para o jogador. Caso se encontrem perdidos e sem perceber o que fazer basta falarem com a Olivia (com o botão Y), e ela dará sempre uma pequena ajuda, que facilmente vos fará avançar no jogo.

Algo que delícia qualquer jogador são os cenários, e neste caso, embora não queira estragar surpresas, não posso deixar de revelar os detalhes que a equipa de desenvolvimento colocou no jogo. Todos os cenários feitos de papel e são de sonho, sejam as árvores, as montanhas, as grutas, até as casas e os seus diversos interiores são incríveis. É difícil não nos apaixonarmos pelo jogo, e querer explorar cada bocadinho de cenário. E mais uma vez, é aqui que as equipas de desenvolvimento da Nintendo mostram como uma boa ideia, bem implementada, e com imaginação, ultrapassam muitas vezes jogos com grafismos ultra-realistas, pois Paper Mario: The Origami King, não sendo nada disso, é tão inspirador e bonito que nos sentimos na obrigação de vasculhar os cenários todos.

Ao jogar lembrei-me imensas vezes das maquetes que têm sempre a capacidade de encantar as crianças. Eu era dessas crianças, e era capaz de ficar imenso tempo a apreciá-las, e sempre com uma enorme vontade de mexer nas pequenas peças que tentavam ilustrar o mundo real apenas com papel. E saber que um jogo consegue dar-nos essa sensação é já de si incrível. Como se isso não bastasse, foram ainda adicionados coleccionáveis escondidos e Toads espalhados por todo o lado, para os podemos salvar.

Agora que falamos dos cenários, não posso deixar de falar numa nova introdução no jogo: as pequenas tiras de papel que Mario terá de transportar para ir tapando buracos. E a expressão deve ser mesmo essa, já que todos os cenários por onde passamos vão tendo bocados de papel rasgados, e que fazem buracos no cenário. Será Mario, que com as tiras de papel, fechará esses buracos e voltará a colocar o cenário como sempre foi.

Mas as novidades não se ficam por aqui, já que foram introduzidos uns círculos mágicos em alguns locais do jogo. Esses círculos permitem-nos muitas vezes interagir com o cenário, seja na possibilidade de puxar um bocado dele (abrindo uma passagem), ou apanhar um objecto, ou mesmo para lutar contra um boss. Existem diversos tipos de círculos que variam consoante a sua cor, e terão de aprender como usá-los completando determinadas tarefas.

Durante a caminhada de Mario, além das armas que podem adquirir, como novos martelos e botas, existem também acessórios que vos vão facilitar a vida; esses acessórios adquirem-se quase sempre comprando em algumas lojas que vão aparecendo pelo caminho (salvo uma ou outra excepção); daí as moedas serem importantes. Depois existem também os itens bem conhecidos de outros Paper Mario, como os cogumelos que nos dão vida, a flor de fogo que serve, para em batalha, atacarem os inimigos. Na verdade, ao longo do jogo vamos encontrando sempre conteúdo novo e útil para irmos progredindo.

Algo que também não quero deixar passar é a camaradagem que vamos tendo ao longo do jogo, Mario e Olivia vão encontrando alguns personagens muitas vezes invulgares que os vão ajudando e que por vezes são de extrema importância no jogo, quando isso acontece até nos combates vamos tendo a ajuda deles, o que também é óptimo.

Infelizmente, e mais uma vez terei de tocar no ponto da sua globalização, pois mais uma vez a Nintendo deixou a língua portuguesa de fora, existindo apenas as opções de Alemão, Inglês, Espanhol, Francês, Italiano, Japonês, Coreano, Neerlandês e Chinês. Um jogo que serviria para crianças a partir dos 6 anos (cá em Portugal ou noutros países onde a língua portuguesa é a primária), passa a servir apenas para crianças a partir dos 11 ou 12 anos, a não ser que os pais passem a vida a traduzir o jogo.

Paper Mario: The Origami King é sem dúvida um daqueles jogos que seguram o jogador à Nintendo Switch durante horas e horas a fio. Tem muito conteúdo, e consegue divertir-nos de uma maneira única. Quem gosta de exploração, pequenos quebra-cabeças e uma história divertida, então tem aqui um excelente jogo.