Developer: P-Studio
Plataforma: Xbox Series X|S, Xbox One, Nintendo Switch, PC
Data de Lançamento: 21 de Outubro de 2022

Quando a Atlus em 2017 lançou Persona 5, o sucesso foi imediato. Em 2020 chegou Persona 5 Royal, conseguindo melhorar e aprimorar o que já era incrível, tornando este um dos melhores JRPG de sempre. Foi aclamado pelos jogadores e pela crítica, tornando-se um jogo de culto e indispensável para qualquer fã do género.

Este, como bem se lembram, era um exclusivo PlayStation 4, e por esse motivo, muitos jogadores não tiveram a oportunidade de o jogar, mas tudo irá mudar, já que o jogo agora fica disponível para todas as plataformas, tornando-se um multiplataforma, e continuando a mostrar como um JRPG deve ser. É caso para dizer, Persona 5 Royal continua a ser um marco nos videojogos.

O nosso Élio já tinha analisado o jogo quando saiu em 2020 para a PlayStation 4, e na altura ficou completamente rendido, já que considerou: “Persona 5 Royal é um dos melhores jogos de sempre“. Dito isto, as expectativas de ver o jogo na Xbox Series X (onde foi analisado) era bastante grande, até porque agora teríamos todas as melhorias que a nova geração nos trouxe, principalmente nos tempos de loading muito mais reduzidos.

Persona é um jogo diferente da maioria dos JRPG, e muito se deve à maneira como este funciona, já que existem duas espécies de histórias entrelaçadas nas personagens principais. O protagonista é Ren Amamiya (mas o jogo permite vocês escolherem o nome que quiserem), um estudante que tem duas vidas distintas, uma passada no mundo real, onde é um jovem que anda na escola, conhece pessoas, gosta de conhecer novos locais, aprender novas coisas como a maioria dos jovens e até ter boas notas na escola. Mas depois, existe a sua vida secundária, como vigilante, que é passado num mundo paralelo, o Metaverse, onde é conhecido como Joker, e pertence a um grupo de vigilantes chamados Phantom Thieves of Hearts, mas conhecidos pela maioria dos fãs apenas por Phantom Thieves.

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Intrigados? É mesmo para estar, até porque o início do jogo chama logo a atenção, com Joker a ser perseguido por um grupo de soldados e a não conseguir escapar-lhes. É apanhado, leva uma boa tareia e ainda é obrigado a assinar um documento onde o obriga a assumir uma série de delitos. É durante esta persuasão que aparece uma investigadora, Sae Niijima, que pára com aquela persuasão e decide interrogar-nos.

É a partir desse momento que o jogo começa propriamente, já que seremos nós a relatar-lhe os acontecimentos que nos levaram a chegar ali. Ao início conseguimos perceber que o protagonista foi alvo de uma acusação injusta, e devido a isso, é transferido para uma nova escola, uma nova residência na zona de Yongen-Jaya, Tokyo. Será nesse novo local que teremos a nossa vida de estudante como referi acima, mas também será o local onde a partir de uma App que aparece no nosso telemóvel teremos acesso a um mundo paralelo, onde seremos uma espécie de vigilante, o Metaverse.

O Metaverse, é uma espécie de local onde é possível ter conhecimento dos piores desejos dos seres humanos, sejam eles por que razão forem. O jogo chama-lhe de pessoas com corações corrompidos, e isso vai desde as ideias mais imorais e repugnantes, aos pequenos abusos de poder, que infelizmente existem. Reparem que o jogo toca em muitos podres da sociedade actual, conseguindo fazer uma crítica da mesma, de uma maneira muito própria.

Falando em Phantom Thieves, eles são personagens muito particulares, todos eles bastante diferentes, cada um com os seus problemas, uns mais rebeldes, outros mais introvertidos, outros até problemáticos, mas a verdade é que vão sendo introduzidos aos poucos durante o jogo. Além de Joker, o protagonista, vamos ter também: Ryuji Sakamoto (Skull), um colega de turma de Joker, considerado por muitos uma criança problemática; Morgana (Mona), uma gata que Joker vai encontrar durante a aventura; Ann Takamaki (Panther), também ela colega de Joker que por ter outra nacionalidade tem diversos problemas a enquadrar-se na escola, embora chame a atenção de todos devido à sua beleza; Yusuke Kitagawa (Fox) é um aluno de outra escola e também pintor que também se juntará ao grupo; Makoto Niijima (Queen) é uma aluna do último ano da escola de Joker, considerada uma mente brilhante por todos.

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As últimas três personagens do grupo são: Futaba Sakura (Oracle), uma prodígio no que toca à matemática e aos computadores, e é quem faz toda a comunicação remota com o grupo; Haru Okumura (Noir) outra aluna da escola de Joker, que embora seja bastante sofisticada e gentil, tem um comportamento bastante introvertido; Kasumi Yoshizawa é uma personagem que apenas entrou em Persona 5 Royal, e tal como Joker, foi transferida para a Shujin Academy. É uma jovem bastante intrigante, e que dá um toque especial à história do jogo.

Persona 5 Royal é realmente um jogo incrível, cheio de pormenores deliciosos, e todos eles fazem diferença no gameplay e na sua história. É um jogo para jogar com calma, já que a progressão é lenta, mas isto não significa que o jogo fique aborrecido em algum momento, longe disso, é um jogo onde o jogador deve usufruir de cada momento. E se pensam que esses momentos serão quase sempre passados no Metaverse, estão enganados, o jogo passa-se dia a dia, onde o dia é dividido, isto é, teremos: madrugada, manhã, tarde, final do tarde e noite. Além de passarmos vários momentos na escola, durante esses períodos, também existe o lazer, onde podemos fazer grande parte das coisas que os jovens fazem, tal como praticar desporto, ir ao cinema, ler, ver um filme, jogar um videojogo, estudar, trabalhar, entre muitas outras coisas, além disso, é fundamental para uma boa progressão do jogo conhecer novos amigos e aprofundar as suas relações.

A estas relações e amigos o jogo chama de confidentes (Confidants), e têm uma relação directa com a nossa evolução no Metaverse, logo, como podem imaginar, embora todo o combate e acção aconteça nesse mundo, é fundamental passarmos algum tempo no mundo real, para Joker ter uma evolução decente. Todas estas actividades que vos falei, servem para fortalecer os cinco atributos principais do nosso protagonista: charm, guts, kindness, knowledge e proficiency.

O Metaverse funciona de maneira muito interessante, já que cada inimigo, ou melhor, cada personagem com uma mente mais perversa ou demoníaca terá a sua própria persona neste mundo, sendo protegido num palácio ou palace se preferirem. Para chegarmos a ele, teremos então de ir derrotando os seus guardas (também eles com personas) ao longo do palácio até chegarmos ao inimigo principal.

Derrotar um inimigo no Metaverse não significa matá-lo ou derrotá-lo na realidade, muito pelo contrário, derrotá-lo no Metaverse significa apenas alterar esse seu desejo maléfico, fazendo com que esses seres, passem a ter um comportamento digno e normal. Provavelmente, alguns de vocês estão a perguntar-se o que são afinal personas. Bem, as personas são as representações dos desejos das pessoas, por esse motivo, e como todos somos diferentes, existem diversas personas diferentes, quer nos inimigos, como nos heróis do jogo.

O próprio Joker, que é o líder dos Phantom Thieves, e os outros membros também eles têm a sua própria persona, ou seja, todos têm uma, e apenas Joker consegue ter mais do que uma. E se falamos de inimigos, temos igualmente de falar de combates. Estes são por turnos, e embora eu não seja o maior fã de combates por turnos, a verdade é que os de Persona 5 Royal são extremamente bem feitos, oferecendo mecânicas que nunca tornam o combate aborrecido. É possível fazer combinações com os elementos que nos acompanham, abdicar do turno de um personagem para outro ficar com um ataque mais forte, atacar fraquezas dos adversários, entre outras coisas.

Falei dos palácios, mas não posso deixar de falar dos Mementos, que são uma espécie de missões secundárias do jogo. Embora não tenham o impacto de um palácio, a verdade é que ajudam bastante na evolução, e até desbloqueiam nova áreas. A maneira mais fácil de falar delas é definindo-as como uma dungeon, onde teremos itens para apanhar, inimigos para derrotar, e muito para explorar. Com os itens que lá apanhamos, como as cartas, os selos, entre outras coisas, podemos adquirir dinheiro, experiência e novos itens com habilidades especiais.

Falar também do Thieves Den, que é uma espécie de esconderijo do nosso grupo, é um local que os jogadores podem decorar à sua maneira. Os itens para decorar o local são feitos a partir de umas moedas especiais que se ganha em batalhas, ou mesmo no dia a dia do nosso personagem. Confesso que não é um local que tenha perdido muito tempo, mas aqueles que gostam de fazer personalizações de várias coisas, certamente vão gostar de passar lá algum tempo.

No aspecto gráfico continua fantástico, e na Xbox Series X, onde o jogámos, devo dizer que jogado a 4K60fps torna a experiência ainda mais gratificante. Na PlayStation 4 o jogo já era brilhante nas cutscenes, no gameplay e em tudo o que o engloba, mas jogado numa maior resolução e com esta taxa de frame rate torna tudo ainda mais brilhante. A mescla de cutscenes que mais parecem um anime de qualidade superior, e de gameplay com um visual bastante futurista na sua apresentação, tornam este jogo único, e que continua sem envelhecer, por muitos anos que passem por ele.

No aspecto sonoro o jogo é sublime, quer pela excelente banda sonora que apresenta, como no próprio voice acting, que também é muito bom, e isso aplica-se tanto na versão original japonesa, como na dobragem em inglês.

Deixar também uma palavra aos loadings, que na Xbox Series X acontecem em pouquíssimos segundos, e assim fazendo o jogador estar sempre “ligado” à experiência, sem paragens.

Persona 5 Royal tem muito mais para ser falado, mas a verdade é que em termos de conteúdo seria uma repetição da nossa análise anterior, pelo menos no aspecto do seu conteúdo. É um jogo que ultrapassa as 120 horas de jogo, e se quiserem mesmo completá-lo a 100%, provavelmente chegam às 150 horas. É um daqueles jogos que qualquer fã de JRPG não pode perder, e ainda hoje consegue estar no TOP 3 dos melhores JRPG de sempre. Se nunca o jogaram, estão à espera de quê?