Developer: Atlus
Plataforma: Playstation 4
Data de Lançamento: 31 de Março 2020

Persona 5 chegou à Europa em 2017. Foi chegar, ver e vencer. Fez muita gente comprar consolas para experimentar um daqueles que ficará marcado como um dos melhores jogos da nossa geração. Foi aí a minha primeira experiência com Persona, um erro, mas mais vale tarde que nunca. Nesse ano foi, claro, nomeado para tudo quanto foi prémios, mas a Atlus não se deixou dormir à sombra da bananeira e continuou a encher Persona 5 de tudo quanto é bom. A derradeira experiência chega agora, três anos depois, em Persona 5 Royal e não pensem que é apenas uma atualização. É muito mais do que isso.

Para os novos jogadores não vale a pena focar nas diferenças entre um e outro, apenas devo dizer que Persona 5 Royal é o melhor JRPG desta geração. A experiência para quem joga Persona é a mesma de estar dentro de um anime, em que perante certas circunstâncias temos a liberdade possível para passar o tempo da maneira que bem entendermos entre o mundo real e o mundo cognitivo. É um luxo poder ser uma personagem que vai moldando a história, mas vamos ao início da aventura sem estragar nada das surpresas que ela nos oferece.

 

O nosso personagem é um estudante que parece ter sido acusado injustamente por ter cometido algum tipo de erro no passado e por causa disso foi transferido para uma nova escola, num novo local sob custódia de um Sr. conhecido dos seus pais que é dono de um café chamado Leblanc e que tem um sótão que será a nossa casa quando chegamos a Yongen-Jaya. A partir daí a aventura prossegue diariamente e é dividida entre a vida real e um universo paralelo onde os nossos inimigos estão instalados. Esse outro mundo é designado como Metaverse e é nele que podemos observar as personagens do mundo real a terem os seus desejos mais imorais, num mundo cognitivo. Sejam eles de abuso de poder, bullying, assédio sexual, entre outros.  

É para esse mundo que somos catapultados através de uma app que não conseguimos apagar do nosso telemóvel. É aí que vamos poder fazer justiça pela sociedade com os poderes que ganhamos nesse mundo. Ele divide-se em Palaces e Mementos. O primeiro dá-nos uma visão individual de alguém que concentra em si a crença de ser um rei de alguma coisa e o segundo é um local onde toda a sociedade com os seus desejos “maus” está inserida. Aos poucos vamos construindo uma rede de amigos e alguns deles juntam-se a nós nos Phantom Thieves onde cada um tem um nome de código, o nosso é Joker. Eles são vistos como salvadores da pátria e protetores dos mais fracos. Mas essa é a nossa outra vida que não deixa de estar ligada com a vida real onde os dias são divididos em blocos. São eles: manhã cedo, manhã, tarde, depois da escola e noite. Nestes períodos e sendo nós estudantes, a maior parte do tempo é passado na escola, a responder a algumas questões durante as aulas, a ler na biblioteca, no ginásio e claro, mais importante, com os nossos amigos que são os nossos Confidants. Os Confidants são todas as personagens mais íntimas com quem podemos criar elos e aumentar o poder das Personas. Cada um tem um signo diferente até podemos levar Personas desse mesmo signo para cada encontro o que vai aumentar os pontos de experiência. Esta relação com os Confidants é fulcral, porque o que se passa na vida real, ajuda-nos a evoluir no outro mundo paralelo. Nesta vida real é ainda importante ganhar características que nos permitam ser mais inteligentes e audazes em certas situações. É bom termos um trabalho em part-time, praticar desporto, estudar, ver filmes, ler livros, ir ao cinema, jogar na lotaria, enfim, há todo um manancial de coisas para fazer e de lugares para visitar que é complicado até ter de escolher só um às vezes. São estas as bases de Persona 5. 

 

A partir daí o nosso objetivo vai ser definir inimigos, alguns impostos pelo enredo e outros secundários que vamos descobrindo para depois infiltrar-nos nesses Palaces para os derrotar. É aí que entram as Personas, monstros que refletem as nossas emoções na hora de lutar contra os guardas que também soltam as suas próprias Personas para protegerem o seu “Rei”. O combate por turnos pode parecer ultrapassado, mas Persona 5 usa-o de um modo sofisticado com uma data de combinações no próprio combate. Adoro atacar as fraquezas do adversário e usar uma das mecânicas possíveis, o Baton Pass para passar a vez a um elemento da minha equipa que ganha poder extra para atacar o adversário e se o conseguir fazer passar por todos somos quase imbatíveis. Também temos o poder de negociar após alguns ataques e se o nosso inimigo estiver mais vulnerável. Podemos pedir-lhe um item, dinheiro ou o próprio poder em troca da sua vida. Mas isto, os jogadores de Persona 5 já sabiam. 

Afinal o que há de novo em Persona 5 Royal? Tanta coisa meus amigos. Começamos logo por reparar num grafismo mais aprimorado em relação à primeira versão, depois, na apresentação que faz uma espécie de teaser, notamos que há uma nova personagem, uma miúda de cabelo ruivo chamada Kasumi, que vai ser importante para história que tem mais um semestre jogável o que nos leva a cerca de 130 horas para completar Persona 5 Royal. Esta será, claro, mais uma das nossas aliadas e Confidants com quem temos de passar o tempo, mas há ainda outra personagem que será importante para compreender outros lados da história. Falo do psicólogo Takuto Maruki que nos vai fazer ir aos seu consultório muitas vezes em troca de snacks. A narrativa continua fantástica e cómica. As escolhas que vamos ter de fazer são capazes de alterar estados de espírito das personagens em conversas simples. O gancho que Joker encontra logo nas primeiras horas de jogo permite-nos ter acesso a locais inéditos que se revelam importantes para apanharmos as “Will Seeds” que estão escondidas nos Palaces por exemplo e que são mais uma novidade desta versão Royal. No quotidiano há novas paragens para descobrir, incluíndo uma nova cidade e até um aquário. 

No combate dinâmico de Persona 5 Royal, há novas Personas, novos ataques e novos truques. O sistema Baton Pass que já havia continua elegante, mas terá de ser agora mais tático e calculoso perante alguns combatentes mais fortes. As armas que cada um usa também são agora mais vezes recarregáveis do que no anterior. A velocidade do combate, as combinações e as Cutscenes que aparecem fazem deste velho estilo combate por turnos algo inovador, fascinante e viciante com o ritmo necessário para não se tornar secante. Não nos podemos esquecer também de Igor, o narigudo que está na Velvet Room, uma sala bem conhecida de todos os jogadores de Persona que dá para fazer a fusão de Personas e que nesta edição foi ainda mais aprimorada para fundir Personas mais fortes e até ter as Challenge Battles, desafios de combate por pontos que vai aumentando a dificuldade à medida que subimos o nosso nível. Também falta de falar de Jose, uma personagem enigmática que aparece nos Mementos e que nos dá itens em troca de flores que apanhamos cada vez que fazemos uma visita a estes lugares. Entre todas as personagens não posso deixar de falar de Morgana, o adorável gato que encontramos no primeiro Palace e que se recusa a ser chamado de gato. Ele é um dos nossos aliados e até vem viver connosco para o Sótão do Café Leblanc. É útil nas informações que nos vai dando sobre o jogo, é quase um guia, nos Mementos transforma-se em carrinha para nos podermos deslocar e é também um chato na hora de nos mandar dormir, ainda que seja menos vezes do que em Persona 5. Isto porque agora é possível ir à rua à noite para fazer atividades. Ir à sauna, lavar os fatos, praticar basebol ou simplesmente trabalhar ou ir comer a um restaurante.

Outra área nova deste Persona 5 Royal é a Thieves Den, que desbloqueamos pouco depois de derrotar o primeiro Palace e é como se fosse um museu que nos permite decorar à nossa maneira, ver as cutscenes, os prémios que ganhámos e até nos permite jogar dardos e jogos de cartas. É na verdade o nosso espaço que vai ficar diferente naturalmente de jogador para jogador. É também possível ainda ouvir música com direito a faixas exclusivas feitas para esta versão da aventura que já tinha uma excelente banda sonora que que só peca por repetitiva em alguns momentos, mas é boa e por isso não me queixo.  

Chegamos àquele momento em que podemos sempre colocar na balança os prós e os contras de um jogo que já jogamos custar o mesmo, mas asseguro-vos que vão poder ter uma nova experiência de jogo com excelentes conteúdos novos. Persona 5 Royal faz lembrar aquele aluno que já é o melhor da turma e ainda saca de uma cartada e tira uma melhor nota. Leva-nos a perceber que há alguém que tem de zelar pelos valores de uma sociedade que não permite descuidos imbecís das consideradas boas práticas sociais. Faz nos acreditar que é nas relações pessoais que evoluímos como seres humanos capazes de livrar mundo de bastantes males.  

Persona 5 Royal é um dos melhores jogos de sempre. Ideal para esta fase em que meio mundo está de quarentena ou para aqueles dias de chuva em que não apetece desligar a PlayStation. Junta o melhor de dois mundos com um excelente equilíbrio entre uma jornada desafiante com batalhas fantásticas nos novos Palaces e Mementos e entre as novas atividades para passarmos o tempo com os nossos amigos e fazer deles os nossos melhores aliados na esperança de ter uma sociedade justa.