Developer: Game Freak
Plataforma: Nintendo Switch, Nintendo Switch 2
Data de Lançamento: 10 de dezembro de 2025

Ainda antes de Pokémon Legends: Z-A chegar ao mercado, já a expansão Mega Dimension tinha sido anunciada como um DLC pago, com lançamento previsto para cerca de dois meses após a chegada do jogo original. À data, esta decisão levantou algumas sobrancelhas, mas hoje torna-se bastante evidente o motivo. Após a conclusão da campanha principal, sentia-se claramente a ausência de conteúdo verdadeiramente robusto, especialmente no que diz respeito ao chamado endgame. Faltava algo que nos fizesse sentir que valia apenas investir tempo no jogo depois dos créditos finais.

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Com esta expansão surge uma nova narrativa e, acima de tudo, uma nova mecânica que aprofunda praticamente todos os sistemas de jogo. Mega Dimension reforça muitas das virtudes de Pokémon Legends: Z-A, expõe algumas das suas fragilidades e deixa bem claro que este DLC foi pensado sobretudo para quem já tinha explorado Lumiose City a fundo e investido dezenas de horas no jogo.

O acesso ao DLC faz-se através de uma missão que surge automaticamente após a sua aquisição. Ao iniciar o jogo, somos encaminhados para o terraço do Hotel Z, local onde conhecemos uma das novas personagens introduzidas nesta expansão: Ansha, uma jovem acompanhada por Hoopa, um Pokémon mítico com a capacidade de manipular portais dimensionais. Esta breve introdução serve de ponto de partida para tudo o que se segue, mas rapidamente percebemos que há muito mais em jogo.

Como seria de esperar, é obrigatório concluir a campanha principal para aceder a Mega Dimension. A Team MZ volta a entrar em ação para investigar as estranhas distorções espaço-temporais que começam a surgir por toda a cidade. Estas anomalias acabam por conduzir a uma dimensão paralela conhecida como Hyperspace Lumiose, uma versão distorcida e instável da própria Lumiose City, onde a energia da Mega Evolução está concentrada a níveis perigosos e onde surgem Pokémon que não são nativos daquela região.

No que diz respeito às personagens, além da já referida Team MZ, Korrina está de volta, assumindo um papel bastante mais ativo nas batalhas de maior risco. Já Ansha revela-se uma peça absolutamente fundamental nesta expansão, não só pela sua ligação a Hoopa, mas também porque é graças a ela que conseguimos explorar Hyperspace Lumiose. A sua motivação está ligada à procura de um Pokémon lendário, o que acaba por servir de fio condutor para a narrativa. Existem ainda outras personagens conhecidas a regressar, mas a maioria acaba por funcionar apenas como enquadramento narrativo ou suporte à progressão da história.

Algo que se torna rapidamente evidente é que não é através da narrativa que Mega Dimension tenta nos convencer. O grande foco está claramente no gameplay, sobretudo na forma como a expansão reformula a progressão e a dificuldade. Pela primeira vez num jogo Pokémon, o limite de nível 100 é ultrapassado. Pokémon selvagens e, principalmente, criaturas em estado de Rogue Mega Evolution podem atingir níveis absurdamente elevados, forçando-nos a repensar estratégias que antes eram praticamente infalíveis. Esta mudança não se limita a inflacionar números, redefine verdadeiramente o equilíbrio do combate, transformando encontros aparentemente banais em desafios exigentes.

O acesso a Hyperspace Lumiose é feito através de um sistema que, no mínimo, pode ser descrito como inesperado, ou seja, donuts preparados por Ansha. Estes itens determinam quanto tempo podemos permanecer na dimensão paralela e quais os bónus aplicados à equipa, incluindo aumentos de estatísticas, níveis temporariamente elevados e modificadores de recompensas. É um sistema onde cada incursão é limitada por tempo e exige decisões rápidas sobre objetivos, rotas e confrontos.

Esta pressão constante transforma completamente a forma como se joga Pokémon. Ataques mais rápidos passam a ser os preferíveis, a mobilidade ganha bastante importância e até a verticalidade do cenário entra em jogo. Confesso que, com Mega Dimension, deixei praticamente de investir em Pokémon de níveis mais baixos e passei a utilizar equipas que sabia serem eficazes, com habilidades rápidas mas igualmente fortes. O objetivo passa claramente por construir equipas verdadeiramente eficientes. Esta abordagem poderá não agradar a todos os fãs de longa data, mas oferece uma perspectiva diferente e interessante sobre o que um jogo Pokémon pode ser.

No entanto, nem tudo funciona na perfeição. Se existe algo que pode ser apontado de forma clara a esta expansão é a repetição. A progressão exige múltiplas incursões a Hyperspace Lumiose para recolher materiais, pontos de investigação e ingredientes mais avançados. O constante vai-e-vem entre a cidade e a dimensão paralela pode tornar-se cansativo, sobretudo quando o relógio se transforma no principal inimigo. Há batalhas, incluindo confrontos contra Rogue Megas, que não se perdem por falta de habilidade, mas simplesmente porque o tempo se esgota antes do combate terminar, o que acaba por ser muito frustrante.

Ainda assim, os confrontos contra Rogue Mega Evolutions continuam a ser um dos pontos altos do jogo e, aqui, ganham ainda mais tensão graças ao limite de tempo e aos níveis elevados. Uma das novidades mais bem-vindas é a possibilidade de repetir estes combates, permitindo testar novas equipas e Mega Evoluções nestes cenários desafiantes, algo que não era possível no jogo original.

Outro aspeto que se torna evidente logo nos primeiros momentos da expansão é a abundância de itens. Apanhar recursos torna-se quase banal, com itens espalhados por todo o lado, eliminando grande parte da sensação de grind associada a jogos anteriores da série. Para quem não conseguiu obter o Shiny Charm, a última grande recompensa das investigações da Mable, Mega Dimension torna esse caminho muito mais acessível. Surgem novas investigações ligadas a Hyperspace Lumiose e aos Pokémon que lá habitam, facilitando bastante a progressão até ao nível 50. Além disso, para os jogadores que gostam de completar a Pokédex, existe agora uma nova Pokédex dedicada à expansão.

Graficamente, e mais concretamente no que diz respeito a Hyperspace Lumiose, este é um dos pontos que mais facilmente poderá dividir opiniões. No meu caso, não foi algo que me tivesse deixado particularmente entusiasmado. Estamos essencialmente a revisitar os mesmos locais de Lumiose City, agora com uma paleta de cores mais pálida e deslavada, numa tentativa de transmitir a sensação de uma dimensão estranha. O problema é que o jogo original já estava limitado a uma única cidade, e esta abordagem acaba por dar a sensação de mais do mesmo. Existem portais de diferentes tamanhos, alguns levando a áreas mais amplas e outros a espaços mais compactos, mas no fundo são locais que já conhecemos. Teria sido muito bem-vinda a introdução de ambientes verdadeiramente novos, nem que fosse para “limpar os olhos”.

Onde o cuidado continua a ser evidente é no design dos Pokémon. As novas transformações, animações e Mega Evoluções demonstram um nível de atenção ao detalhe bastante elevado, à semelhança do que já tinha acontecido no jogo original. Este é, sem dúvida, um aspeto que agradará à grande maioria dos jogadores.

A componente sonora mantém-se competente. A música acompanha bem os diferentes momentos de jogo e os efeitos sonoros continuam a ser um dos pontos fortes da experiência. No entanto, mantêm-se também algumas das críticas já feitas ao jogo original, nomeadamente a ausência de voice acting e a falta de localização para português, tanto nos diálogos como nos menus.

Pokémon Legends: Z-A – Mega Dimension é uma expansão de ideias mistas. Por um lado, traz novo conteúdo e introduz mecânicas interessantes que aprofundam o gameplay, por outro, sente-se que poderia ter existido um maior cuidado em oferecer algo verdadeiramente mais ambicioso, à semelhança do que aconteceu com expansões de jogos Pokémon anteriores, que em alguns casos chegaram a superar o próprio jogo original. Ainda assim, o grande mérito de Mega Dimension está em oferecer um endgame muito mais sólido a Pokémon Legends: Z-A, e isso, por si só, será motivo suficiente para muitos fãs quererem mergulhar nesta expansão.

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Rui Gonçalves
Desde o tempo do seu Spectrum+2 128k que adora informática. Programador de profissão nunca deixou de lado os jogos, louco por RPGs e jogos de futebol. Adora filmes de acção e de ficção científica, mas depois de ver o Matrix nunca mais foi o mesmo.
analise-pokemon-legends-z-a-mega-dimension<h4 style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #339966;">SIM</span></strong></h4> <ul> <li style="text-align: justify;">Endgame mais robusto</li> <li style="text-align: justify;">Combate mais exigente e estratégico</li> <li style="text-align: justify;">Novas Mega Evoluções interessantes</li> </ul> <h4 style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #ff0000;">NÃO</span></strong></h4> <ul> <li style="text-align: justify;">Repetição excessiva</li> <li style="text-align: justify;">Hyperspace visualmente pouco atrativo</li> <li style="text-align: justify;">Narrativa pouco marcante</li> </ul>