Developer: Spike Chunsoft
Plataforma: Nintendo Switch
Data de Lançamento: 6 de Março de 2020

Ainda estavam muitos jogadores a desfrutar de Pokémon Sword e Pokémon Shield quando na Pokémon Direct de 9 de Janeiro foi anunciado o remake do clássico Pokémon Mystery Dungeon, ou seja: Pokémon Mystery Dungeon: Red Rescue Team (lançado para o Game Boy Advance) e Pokémon Mystery Dungeon: Blue Rescue Team (lançado para para a Nintendo DS). Não pensem que são dois jogos diferentes, variam alguns Pokémon, mas a grande diferença foi a plataforma onde foram lançados. Catorze anos depois, a Pokémon Company decidiu trazer para todos os jogadores da Nintendo SwitchPokémon Mystery Dungeon: Rescue Team DX.

Obviamente que Pokémon Sword e Pokémon Shield são jogos totalmente diferentes de Pokémon Mystery Dungeon, mas os jogadores costumam esperar tanto por um novo jogo de Pokémon (seja ele de que tipo for), que ter dois jogos diferentes em menos de 6 meses é algo inédito. Embora conhecesse o primeiro, devo dizer que não foi um jogo que na altura me tivesse chamado a atenção.

Quando comecei a jogar esta versão da Nintendo Switch devo confessar com não foi com aquele entusiasmo que costumamos ter com a chegada de um novo jogo de Pokémon, porém, aos poucos, o próprio jogo foi-me convencendo. Ao ponto de se tornar quase viciante andar a salvar Pokémon em dungeons só para ganhar experiência e melhorar a reputação da minha equipa. Mas vamos então ao jogo:

Neste jogo somos um humano que um dia acorda na pele de um Pokémon, e como é que isso se processa? Bem, a escolha de qual Pokémon vocês serão é feita a partir de diversas perguntas, que depois resultará na selecção do Pokémon que mais se adequa às vossas respostas. Eu cá deixei-me levar e encarnei a pele de Bulbasaur, mas caso não fiquem satisfeitos com o Pokémon que o jogo decidir para vocês, podem alterar, existindo 16 que podem escolher.

Depois de escolhido o vosso Pokémon, acordam na ilha onde toda a aventura decorre sem perceberem o que se passa, e só depois de conversar com outro Pokémon – aquele que será o vosso companheiro nesta aventura – percebem que se transformaram num Pokémon. Sem muito tempo para conversas, aparece uma Butterfree a pedir ajuda, uma vez que o seu filho está em perigo numa caverna. Sem pensar duas vezes, vamos direitos ao local para salvar o pequeno Caterpie, sendo depois deste salvamento que os nossos amigos decidem criar uma equipa de salvamento e começar a ajudar outros Pokémon em apuros.

É logo durante as primeiras missões que nos é apresentada a cidade e os seus locais, e com uma boa explicação: primeiro para saberem os locais onde podem adquirir itens, mas não só, porque além te existir a dinâmica de adquirir e vender itens como referi, sempre que vocês morrem em missão perdem tudo o que levavam convosco; o inventário fica vazio e o dinheiro também se perde. Felizmente, na cidade existe o Felicity Bank, que serve para guardarem o vosso dinheiro, assim como Kangaskhan Storage, onde podem guardar itens. Convém referir que o vosso inventário não é infinito, logo, o Kangaskhan Storage é extremamente útil. Mas existem mais coisas, como o Gulpin Link Shop onde podemos alterar as nossas habilidades, já que como é normal nos jogos Pokémon, só temos quatro dessas habilidades à nossa disposição de cada vez; temos também o Makuhita Dojo, onde com determinados bilhetes (bronze, silver e gold) podemos receber um boost de Xp, isto é, somos colocados numa dungeon durante 55 segundos e temos de derrotar o máximo de pokémons selvagens que encontrarmos. Com isto vamos subindo de nível de maneira mais rápida, embora também durante as nossas missões e ao atacarmos Pokémon selvagens também ganhemos XP.

Existem ainda mais dois edifícios na cidade, e provavelmente dos mais importantes. O primeiro é o Pelipper Post Office, o posto dos correios, e neste local existe um quadro com pedidos de resgate onde vocês podem adquirir missões secundárias para além daquelas que vão receber na caixa de correio da vossa casa. Além disso, o posto do correio é o local onde também podem salvar a vossa equipa ou até outras equipas (até de amigos que tenham o jogo). Passando a explicar: podem pedir ajuda caso morram numa dungeon, e esse pedido pode ser feito aos vossos amigos, via internet, ou para outros Pokémon que vocês tenham, e assim podem criar uma segunda equipa de resgate que serve para salvar a vossa equipa principal.

E já que falamos em equipas de resgate, vamos então ao ultimo edifício que vocês podem interagir na cidade, chama-se Wigglytuff’s Camp Corner, e será aqui que vocês podem comprar campos para coleccionar Pokémon que queiram juntar-se à vossa equipa. Todos os campos têm um custo em dinheiro, por isso vão precisar de arrecadar bastante dinheiro para adquirirem todos os campos.

Já a aquisição de outros Pokémon poderá ser feita através da exploração das dungeons, onde vão batalhar contra diversos Pokémon selvagens. Alguns deles, depois de serem derrotados, pedem para se juntar à vossa equipa, se vocês aceitarem e tiverem campos disponíveis, então ao completarem a vossa missão estes juntar-se-ão à equipa.

Antes de saltar para a jogabilidade, existe algo que deve ser destacado no jogo, e já que, tal como eu, muitos de vocês devem imaginar o quão infantil é a história do jogo, até porque provavelmente muitos pensam que o objectivo é andar apenas a salvar Pokémon, contudo, não é isso que acontece, e Pokémon Mystery Dungeon apresenta-nos uma história muito bem estruturada. Além das missões de resgate de alguns Pokémon (a maioria delas são missões secundárias), a história principal é relacionada com o facto de sermos um humano que se transformou num Pokémon e no desequilibro que isso provocou no mundo, podendo levar à destruição do mesmo.

Para nosso azar, os Pokémon ficam a saber disso mesmo e começam a estabelecer uma relação com a lenda do Ninetales,o que leva a uma caça ao nosso personagem por parte dos outros Pokémon. Não vou entrar em detalhes para não estragar a história, até porque o enredo é bastante engraçado, mas a verdade é que fiquei impressionado com o conteúdo e até com a mensagem moral implícita. Algo que também vos deve alegrar é o que durante a história vamos encontrar e enfrentar Pokémon Lendários.

Deixando para trás a história do jogo, vamos então falar do mapa e das dungeons. É conforme vão progredindo na história que novas dungeons vão aparecendo, já que o mapa do jogo é bastante vasto, com novas dungeons, novas missões secundárias e muito para explorar. Cada dungeon tem certos Pokémon selvagens, nesse sentido, para os jogadores que adoram “apanhá-los todos”, preparem-se para muita exploração e repetição. No entanto, para evitar um pouco essa repetição, nunca vão encontrar uma dungeon igual, já que estas são criadas aleatoriamente. Todas as dungeons têm diversos andares e cada vez que voltamos a um desses andares vemos que estão diferentes. Felizmente, o cenário das dungeons também se altera, já que todas apresentam as mesmas formas geométricas.

Algo que ainda não falámos foi da nossa equipa de resgate. Começando pela reputação, conforme efectuamos missões de resgate vamos ganhando pontos de reputação, que vão por sua vez aumentando a reputação da nossa equipa, desde a mais simples, passando para o raking de normal, bronse, silver e por aí adiante. Sempre que aumentam o ranking da equipa é aumentado também a quantidade de campos para terem Pokémon, assim como o vosso inventário, o número de equipas, entre outras coisas.

Quanto à jogabilidade, é daquelas que se estranha, mas depois entranha. O jogo é por turnos, embora quando estamos a andar isso tente ser disfarçado com uma falsa fluidez, tentando esconder esses turnos. Além da exploração das dungeons, temos o combate, e podem ter um ataque pré-definido bastando carregar no botão A, ou então podem carregar no ZL e escolher que ataque querem que o vosso Pokémon efectue. Já na exploração, existem sempre diversos itens para apanhar, desde moedas a diversas sementes para reviverem ou para se curarem de algum problema; também temos maçãs e outros frutos que servem para dar vida ou matar a fome dos personagens. Os itens são imensos, e servem para diversas coisas.

Pokémon Mystery Dungeon: Rescue Team DX apresenta uma perspectiva isométrica, com cenários todos bastante cartoonescos. As cutscenes (não são muitas) também vão pelo mesmo caminho, com cenários simples mas sempre com alguma cor e de maneira a chamar a atenção do jogador, que embora não sendo elaborados, servem o seu propósito. Quanto aos Pokémon, estão bastante interessantes, e já apresentam detalhes mais trabalhados.

Obviamente que nem tudo é perfeito, e a sensação de repetição é algo que vão notar bastante, já que seja em missões da história, ou em missões secundárias, tudo se passa em dungeons e a fazer sempre o mesmo. Se por um lado se torna viciante por querermos melhorar os Pokémon e o ranking da nossa equipa, por outro é sempre a mesma coisa, sempre o mesmo tipo de dungeons, sempre a mesma maneira de explorar, atacar, etc.

É um jogo que corre sempre fluido, quer em modo dock, ou em modo portátil. Como tem a componente RPG e as dungeons vão ficando cada vez mais difíceis, obriga-vos a terem também de olhar para as missões secundárias. Para aqueles que gostam de coleccionar Pokémon e fazer tudo o que o jogo tem para vos oferecer, então têm jogo para horas e horas a fio.

Algo que também não posso deixar passar ao lado é a falta de localização em Português, continua a ser incrível como a maioria dos jogos, até de estúdios bem pequenos e independentes já trazem os seus jogos com a localização em Português e os jogos da Nintendo continuam a falhar nesse ponto, quando grande parte deles são excepcionais para o publico mais jovem, como acontece com este jogo.

Pokémon Mystery Dungeon: Rescue Team DX conseguiu ser uma boa surpresa. Principalmente porque tinha as expectativas baixas em relação ao jogo. Os fãs de Pokémon vão gostar bastante do jogo, e embora aqui não exista a ideia de treinador, a verdade é que conseguem também melhorar os Pokémon em termos de nível, alteração de habilidades, e até coleccionar os que se encontram no jogo. É caso para dizer: vamos coleccioná-los todos!