Developer: Illfonic
Plataforma: PlayStation 4 e PC
Data de Lançamento: 24 de abril 2020

Ainda eu não era nascido quando o filme do “Predador” foi lançado em 1987, mas devia ter uns 6 ou 7 anos quando o vi pela primeira vez. Foi um dos primeiros filmes estrangeiros que me lembro de ver, mal conseguia ler as legendas, mas também pouco interessava. O meu fascínio era com a figura do Predador, o mau da fita, mas que era invisível, movia-se entre árvores sem ninguém o ver e via os soldados às cores. Hoje sei que isso era um medidor de temperatura e que detectava os movimentos dos tropas que tinham sidos enviados para uma missão que não era bem aquela que estavam à espera. Predator: Hunting Grounds é uma adaptação para videojogo por parte da Illfonic, 23 anos depois do filme que tinha Arnold Schwarzenegger como ator principal e que celebrizou a frases como “Get To The Choppa”. Confesso que estava curioso.

Predator: Hunting Grounds só pode ser jogado online, onde de um lado está o Predador e do outro estão quatro soldados que vão cumprir várias missões diferentes para as quais foram enviados. Os jogos são de 15 minutos, onde o Predador tem de evitar que os soldados façam as missões e do lado oposto, os tropas vão ter de cumprir as instruções que lhes são dadas até poderem escapar de helicóptero. Caso consigam, vencem o jogo, caso contrário é o Predador que vence. É claro que há outras maneiras de ganhar as partidas. No caso dos soldados, se conseguirem matar o Predador acabam por sair também vencedores, podem é não concluir a missão e com isso não ganhar tantos pontos de experiência, mas acreditem que o facto de tirar a vida à figura máxima do jogo dá muitos pontos. 

Nos modos de jogo podemos juntar os amigos e fazer uma lan privada ou optar por uma partida rápida onde escolhemos um dos lados para jogar. É melhor terem amigos para jogar, caso contrário preparem-se para uma longa espera, principalmente se quiserem ser o Predador. Isto porque para cada confronto são necessários 5 jogadores e se estiverem sozinhos a jogar, a única forma que o têm para fazer é começar uma Partida Rápida e escolher ser Soldado (no jogo chamam-lhe esquadra) ou Predador. Sendo a figura máxima do jogo, como é apenas um de cada vez, os tempos de espera são grandes na maior parte das vezes. Chega a ser desesperante quando temos de esperar, com sorte uns 4 minutos antes de entrar em ação, mas houve casos em que esperei uns bons 10 minutos e até mesmo com a possibilidade de crossplay entre PC e PlayStation 4 chega a ser ridículo. Caso optemos por escolher o lado dos soldados, tudo é mais rápido e nunca tive grandes esperas para começar um encontro. Se for na vossa lan, também não há problema porque se forem menos do que 5 jogadores, o jogo permite que um seja o Predador e os restantes sejam os soldados, fica é mais difícil concluir as missões. Também podem ser dois ou três, formar um grupo e esperar que outros dois jogadores entrem automaticamente na vossa sessão. Se assim for, não têm grandes problemas. Acredito que com o tempo e com mais jogadores, os tempos de espera possam melhorar, mas é preciso mesmo rever esta parte, até porque a solução poderia passar pelo uso de CPU para diminuir tal espera ou até criar salas de jogo para não ser tão aleatório a ida para uma missão. Vamos então para o terreno, primeiro no papel de Predador.

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Todos os poderes que vi nos filmes são possíveis fazer com o Predador em Predator: Hunting Grounds. Além da figura estar perfeitamente bem recriada, podemos ficar invisíveis, por um certo período de tempo, disparar com aquela espécie de laser que ele tem ao ombro e ficar com a visão de movimentos, aquela que detecta através da temperatura os movimentos e os sons para sabermos onde andam os soldados. A câmera em third person facilita a nossa viagem entre os ramos de árvores e os nossos super saltos para passar, por exemplo, uma cascata ou um penhasco maior que a conta. Temos ainda o poder de caçar e bater com as nossas garras em combate corpo a corpo e até fazer os sons emblemáticos que nos habituamos a ouvir deste “monstro”. Em termos de figura recriada nada a dizer de mal, até mesmo quando é atingida e perde a máscara que tem, a cara é exatamente igual à que vimos no filme, o pior mesmo é a sua praticabilidade. Em apenas 15 minutos de jogo, vamos supor que a missão consegue ser feita em 7 ou 8 minutos, ou até em menos, por parte dos soldados. Ora isto não dá tempo, muitas vezes de saber onde estão os soldados. Não que os mapas sejam muito grandes, mas nas primeiras vezes não sabemos muito bem onde os encontrar ou nem mesmo distingui-los dos NPC’s que andam pelo cenário a dificultar a vida aos soldados. É desesperante estar uns 7 minutos à espera para jogar com o Predador quando depois no campo em menos de 7 minutos acaba a partida sem sequer podermos ter a diversão de explorar a figura do Predador. Por isso insisto, joguem com amigos, ou o jogo será uma frustração para grande parte de vós. Antes de sair de cena com o Predador outra das coisas que está bem feita é a explosão que ele provoca quando é “morto”. Se em vez de caçar ele tiver sido caçado e derrotado e ficar sem energia, a célebre explosão vai acontecer, por via disso ou por via da nossa autodestruição com um excelente efeito visual nos ecrãs.

Do lado dos soldados, a história é outra. Como são 4, os tempos de espera são menores e os objetivos são diferentes de mapa para mapa e mesmo dentro de cada um existem vários diferentes, onde podemos até tentar fazer alguns extra numa só partida de 15 minutos. Não raras vezes concluí a missão e antes de ir para o helicóptero ainda há tempo para ganhar pontos extra noutras missões secundárias. A forma como jogamos é em first person ao contrário de quando jogamos com o Predador. As missões variam pouco, mas podem ser desde, desbloquear computadores, destruir droga ou desmantelar negócios. Colocar bombas em camiões e infiltrar-nos em campos que estão cheios com NPC’s que temos de eliminar para conseguir levar avante a missão que nos é consignada são apenas alguns exemplos.

No progresso de jogo, cada partida dá-nos pontos para poder levar para a batalha outras armas diferentes das iniciais. Permite ainda customizar de todas as maneiras e feitios os nossos soldados ou até mesmo o Predador. Conforme vamos evoluindo, vamos desbloqueando diferentes classes para os dois lados que vão diferenciar um pouco a forma como jogamos e verdade seja dita, haja alguma coisa que nos faça querer evoluir porque sem isso os jogos seriam sempre iguais desde o primeiro encontro. Do lado “Predator” podemos ser Caçador, Batedor, Berseker ou ainda Caçador da Selva, conforme o nosso nível de experiência vai aumentando. Do lado das tropas podemos ser da classe Assalto, Reconhecimento, Batedor e Suporte, cada uma com as suas características capazes de mudar um pouco a maneira de jogar. As formas de personalização nunca mais acabam, desde a aparência, a nossa roupa, as pinturas faciais e até mesmo as armas que levamos para o terreno. Há um bom leque de opções para que todos sejamos diferentes em combate.

Nos gráficos, Predator: Hunting Grounds é daqueles jogos que não parece mau nem parece bom. Ao perto as texturas das ervas e das árvores estão muito bem conseguidas, mas quando olhamos de longe não parecem grande coisa. O lag e o framerate que há entre o crossplay também muitas vezes não ajuda a uma experiência que se esperava bem melhor. O som lembra alguns momentos do filme e é de destacar a localização do jogo para português, algo que vai sendo normal na Sony, mas que não posso deixar de elogiar o esforço.

E basicamente é isto que Predator: Hunting Grounds oferece. Não posso deixar de ficar desiludido quando o jogo não tem um modo história, para sabermos mais sobre aquele bicho icónico que é o Predador, nem grandes ligações aos soldados que interpretam o primeiro velho filme de 1987. Seria um bom add-on para um jogo que apenas permite jogar online.

Predator: Hunting Grounds é divertido uma ou outra vez ocasionalmente e jogado com amigos. As partidas rápidas online de 15 minutos são um bom incentivo para jogarmos dos dois lados da barricada. No entanto os tempos de espera causam algum desespero, bem como a falta de outros modos de jogo como por exemplo um modo história. Talvez ainda venha a ser considerado.