Developer: Slightly Mad Studios / Codemasters
Plataforma:
Xbox One, PlayStation 4, PC
Data de Lançamento:
25 de agosto de 2020

Project CARS 3 da Slightly Mad Studios lança-se aos jogadores mais causuais, largando um pouco daquilo que foi a sua proposta inicial, um jogo de simulação automóvel, terá conseguido, ou acabou por desagradar aos dois mundos?!

Project CARS chegou numa altura em que ombreava com Assetto Corsa Competizione, num ambiente de conceção third party, e tentando levar a simulação automóvel a todos os jogadores e não apenas àqueles que tinham uma PlayStation e o Gran Turismo, ou àqueles que tinham um Xbox e o Forza Motorsport. Se por um lado Assetto Corsa andava apenas pelas mãos dos PC Gamers, Project CARS queria chegar a todo o lado e dar às consolas um jogo de simulação competente e que pudesse chegar ao grande público. No entanto aquilo que foi acontecendo a Project CARS, até com o seu segundo jogo, foi estar virado para um nicho de mercado, aquele que investia, especialmente nas consolas, num bom volante para conseguir usufruir do jogo na sua plenitude. Talvez por isso, e pelas condicionantes do mercado, este Project CARS 3 é muito mais Arcade, deixando de lado vários aspetos da simulação tornado-o muito mais acessível, e especialmente muito mais rápido de pegar e jogar as várias competições que oferece.

Antes de irmos à sua jogabilidade, olhemos primeiro para o Modo Carreira e como este se distribui, o modo é simplesmente massivo e fez me lembrar os primeiros Gran Turismo. Aqui temos várias categorias começando pelos E até aos A, Protótipos, quatro categorias de GT, uma opção de Invitanionals e outra de Desafios. Cada categoria conta com quatro campeonatos internos onde cada um tem quatro corridas. Ou seja, cada categoria conta com 24 pistas e o modo campanha conta com mais de 120 corridas para serem feitas. Diferentemente daquilo que são os outros jogos, nem sempre é preciso ganhar, fora os campeonatos onde temos duas ou mais corridas para ficar com o maior número de pontos do que os nossos adversários, os outros modos podem passar, por concretizar um número de objetivos, geralmente 3, que passam por fazermos as curvas perfeitas, um número de ultrapassagens “clean”, a volta mais rápida, ou atingir um valor na destruição de placares, entre outros. Tudo isto dá XP, que vai aumentando o nosso nível como piloto, desbloqueando outras corridas e campeonatos, dinheiro para utilizarmos na compra de novos bólides ou upgrades para os nossos, ou mesmo para comprar o desbloqueamento de determinados eventos. O jogo conta com o maior roster desde o primeiro jogo, estamos a falar de 200 carros, 12 novas localizações, incluindo locais como a pista de Interlagos, as estradas das Toscânia ou de Shnahai.

Esta é uma grande mudança na saga de Project CARS, o facto de termos créditos para comprar carros e upgrades, altera em grande parte a forma de ver este jogo, Isso e o facto de já não termos o desgaste dos pneus e ter atenção à gasolina que gastamos, a oficina agora serve para fazermos upgrades aos carros, que podemos ajustar em vários níveis, e podendo os passar assim de uma classe para outras superiores, sendo que aqui, fiquei sempre com a sensação que quando o fazia ele nunca ficava melhor do que um carro originalmente de uma classe superior.

Podemos ainda customizar o nosso carro em termos de pinturas com um leque muito extenso de pinturas, de jantas e pneus, de elementos decorativos e outros afins. Também o nosso pil0to pode ser escolhido logo no início de carreira, com um leque interessante de vestimentas e de capacetes que podemos escolher.

Eu honestamente, e aqui, mais do que tudo, é uma opinião minha, gostei muito do Modo Carreira, sem ser demasiado aborrecido, oferecendo variedade e dificuldade q.b., fazendo com que eu facilmente ligasse a minha Xbox One X para jogar mais um campeonato, que me divertisse e me desafiava a ser melhor e dominar melhor o meu carro, e desligava uma hora depois, para lá voltar umas horas depois. O que eu quero dizer com isto é que não exige uma determinação feroz para pegar no jogo e dedicar-me a ele full time para conseguir sacar alguma satisfação, é simples, eficaz e mete-te o volante nas mãos.

Passemos então a essa jogailidade, se já disse que Project CARS 3 afastou-se de ser um simulador no seu core, podíamos pensar que teria passado definitivamente para o modo Arcade, e isso não acontece, e muito por culpa do grau de dificuldade que podemos escolher. Sim, há de facto um modo mais Arcade, mas o modo Experiente em que joguei maioritariamente, deu-me a dose certa de simulação, com uma condução com muitos poucos Assists, mas com o domínio do volante mais Arcade, que me deu um enorme gosto e vontade de continuar a jogar e a jogar e a jogar. E não é propriamente uma jogabilidade Arcade em que todos os carros fazem o mesmo, nada disso, aí a simulação não saiu do corpo do jogo, conduzir logo no início um Mitsubishi Lancer e um Ford Mustang não é de todo a mesma coisa, muito menos, quando começamos a pegar em Ferraris ou Mercedes AMG’s, sentimos sempre que há uma curva de aprendizagem não na jogabilidade em si, mas na adptação e capacidade do nosso bólide, o que me deixou sempre muito satisfeito.

Em termos das pistas para além da variedade de locais e da sua fiel representação, temos indicadores diferentes do habitual, e devo dizer que para mim foi uma autêntica lufada de ar fresco. Devo confessar que me chateia a cena das linhas e das cores que me fazem parecer um robô a seguir uma linha, portanto aqui temos apenas 3 indicadores, o local onde deveríamos travar, o local onde o nosso carro devia atacar a curva e o ponto de recuperação da curva, e devo dizer que para mim é perfeito. O que acontece é que eu vejo o local de travagem e decido se vou mesmo travar ali ou se o meu carro aguenta a fazer com mais ou menos força um pouco mais à frente para ganhar ali aquele segundinho no ataque à posição seguinte, para além disso diz me que o ponto óptimo de ataque à curva é aquele, mas que posso me adaptar a ele com mais velocidade ou menos, com mais drift ou menos, isto é, dá-me a sensação de liberdade de abordagem às curvas, à minha noção do bólide e por isso a um contentamento muito maior porque sinto que sou eu que domino a pista e o carro, e não o computador que me diz o que tenho que fazer.

Project CARS 3 talvez seja o jogo da franquia que mais está adaptado para jogar num comando, nunca senti que precisava de um volante, e senti sim que foi um salto gigante dos anteriores e para mim para muito melhor mesmo. A nível de camaras, porque também define a jogabilidade neste caso, eu sou um fã da visão de capô e de interior do carro, e fiquei contentinho da vida de ter uma visão de capacete, uma visão onde a nossa cabeça vira efetivamente com a força da curva e os solavancos do carro, dando uma sensação de velocidade, força e realidade que ainda não tinha experienciado, especialmente sem qualquer artificio de VR. O que poderá não agradar a toda a gente é o facto das penalizações de cortarmos as curvas agora serem através de uma paragem forçada na Acão com o nosso carro a ficar me modo fantasma enquanto o computador obriga-nos a esse abrandamento. Não é nada real, é um facto, mas devo dizer que eu até prefiro, porque não me faz perder o momentum do jogo.

Eu diria que onde a Slightly Mad Studios meteu literalmente a pata na poça, foi mesmo nos gráficos, o que é de espantar tendo em conta o que já nos ofereceu, neste e noutros jogos, mas até à data de edição desta análise, haviam vários bugs, desde as legendas ficarem coladas no ecrã, passando por uma variação de frame rates assustadora, e com alguns detalhes estranhamente a não se coadunarem com o resto. O caso mais chato é mesmo com a chuva onde o reflexo das poças parecia um borrão, ou com o reflexo dos objetos no capô muitas vezes pixelizado, isso aliado ao facto de muitas vezes o nosso carro não ter o mesmo detalhe, especialmente nas várias iluminações do jogo, ou mesmo na iluminação dinâmica, com as pinturas a não se diferenciarem e parecerem estanques. Esperemos que seja assunto para um patch futuro, porque mancha a experiência do jogo. É uma pena e pela informação que obtemos sairá um patch num futuro muito próximo para corrigir vários destes problemas, mas a verdade é que eles ainda lá estão, e é uma pena, porque graficamente o jogo está muito interessante e apelativo, subindo a fasquia do seu antecessor.

Em termos de modos de jogos, já aqui falámos do Modo Carreira, dizer ainda que temos a possiblidade de fazermos Eventos Customizáveis, pegar num carro, escolher o tipo de prova e uma pista e simplesmente conduzir, depois os modos Online, onde existe uma espécie de matchmaking com regras iguais para todos, há ainda eventos que vão sendo calendariezados e nos temos que inscrever para participar, isto para além das sessões que podemos criar para jogar com os amigos ou advesários de todo o mundo.

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Há ainda um multiplayer assíncrono, isto é, o modo Rivals, onde competimos com malta de todo o mundo mas em fomato Leaderboards, no fundo a concorrer para fazermos o melhor tempo nos desafios diários, semanais ou mensais. E por fim também desta forma temos ainda o Breakout onde temos que mandar abaixo o maior número de placares numa pista, também para ver quem faz uma maior pontuação. Neste capítulo assíncrono vamos ter divisões para escalar de forma a que o matchmaking corresponda também ao nosso nível.

Project CARS 3, fica assim no pódio, para uns, como eu ficará, na primeira posição, porque finalmente tenho um jogo Arcade sem perder a componente de simulação e acessível, rápido de meter as mãos no volante e ter o prazer de guiar e de jogar. Para outros, terá perdido o lado mais crú e duro da simulação e em alguns pontos o contacto com a realidade, mas a verdade é que não deixa de ser um grande jogo. Eu diria que neste momento, e até porque o GT Sport e Forza Motorport 7 já têm uns aninhos, Assetto Corsa Competizione será o jogo ideal para quem gosta de simulação e o Project CARS 3, o ideal para quem gosta de uma experiência mais Arcade.