Developer: Koei Tecmo Games
Plataformas: PlayStation 4, PlayStation 5, Nintendo Switch, PC, Xbox Series X|S, Xbox One
Data de Lançamento: 28 de Outubro de 2021

A primeira memória de Project Zero que tenho é de ter apanhado um enorme susto e ter passado o comando para as mãos do meu irmão mais velho. Tinha uns 11 ou 12 anos, mas quando nas imagens escuras da TV surgiu um braço a cair do nada, arrepiei-me e acabei por soltar um valente grito. O meu irmão riu-se, mas isso já era normal. Achei o jogo tão assustador que tinha dúvidas se algum dia iria pegar novamente em algum da franquia. Quis o destino que passados quase 20 anos eu enfrentasse de novo os meus medos de garoto e fosse tirar retratos aos fantasmas nas poses mais estranhas e bizarras deste Project Zero: Maiden Of Black Water. Curiosamente já não me meteu medo, mas volta e meia ainda causou alguns arrepios.

Esta é a celebração da  Koei Tecmo para esta franquia que faz 20 anos de existência, e por isso decidiu trazer um dos títulos da Wii U para as consolas atuais, incluindo as de nova geração. Project Zero: Maiden Of Black Water  foi , na altura, um sucesso,  muito pelo seu estilo de navegação com os comandos da consola que permitiam bastante movimento. Esta é obviamente uma versão remasterizada com melhorias gráficas significativas e que mantém o jogo divertido, mas que, devido a limitações geracionais, houve algumas arestas por limar.

Olhemos para o enredo, neste mundo do terror em que tudo parece mirabolante e às vezes até rebuscado, Project Zero: Maiden Of Black Water conta-nos a história de três personagens que se acabam por interligar ao longo da narrativa. Yuri Kozukata, Miu Hinasaki e Ren Hojo investigam o que se passa numa floresta, onde há um conjunto de mortes e sucessivos suicídios, de forma a perceber o que realmente se passa no Monte Hikami

O nosso objetivo é investigar a zona com a nossa Camera Obscura, uma máquina fotográfica que nos vai permitir ver coisas que a olho nu são impossíveis de perceber. Este é o objeto precioso em Project Zero. Tirar retratos a tudo o que achamos suspeito pode valer pontos que depois se traduz numa nota final quando terminamos cada nível. Através da lente da Camera vamos poder perceber onde estão escondidas chaves de portas que estão trancadas, realçar documentos que não estão totalmente visíveis e o melhor de tudo, derrotar fantasmas que vão tentar matar-nos de modo a impedir que a verdade se descubra para aqueles lados.

Essas lutas são a parte mais desafiante e divertida do jogo. Há vários tipos de fotografia, como por exemplo a simples e a sequencial que aprendemos nos primeiros níveis, mas podemos focar mais uma ou outra coisa, rodar a lente, o enquadramento e por aí fora. Quando estamos a lutar contra um fantasma temos de o fotografar o maior número de vezes possível. Só assim eles vão soltando algo estranho que nos dá a possibilidade de enquadrar mais elementos na mesma foto e com isso derrotá-los. Sabemos quando podemos atingi-los com um Fatal Frame quando um alerta vermelho surge no ecrã. É aí que temos de conseguir tirar a melhor fotografia para os derrotar.

Se pensam que isto é só carregar no botão e tirar a foto,enganam-se. É preciso esperar que recarregue após tirar cada foto, o que por vezes nos pode levar ao desespero porque até conseguimos ter enquadramento para um golpe final e quando ela fica carregada lá se vai essa hipótese. Digo desespero no bom sentido, porque esta é a parte que mais me divertiu no jogo. 

Há alguns encontros mais simples que outros. Por vezes, basta umas quantas fotografias para seguir em frente, mas depois há outras situações em que vamos encontrar pela floresta fora vários fantasmas ao mesmo tempo. Há ainda aqueles mais resistentes, que se pode chamar de bosses de cada nível. Para nos protegermos quando eles se aproximam temos apenas um botão para nos esquivar e ainda os antídotos que vamos apanhando pelo caminho. 

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Os cenários são basicamente do género, da casa para a floresta, e é por lá que se vai passar a maior parte do tempo enquanto se explora casas abandonadas e armazéns que bem precisavam de uma reconstrução. À vez, com cada personagem acabamos por ir lá parar, por uma razão ou por outra. A premissa é sempre seguir o rasto de um vulto para ir percebendo o que aconteceu com essa pessoa e daí tirar algumas conclusões. Vamos encontrar documentos reveladores e perturbantes, portas por abrir, um cemitério de bonecas, do qual também teremos de enfrentar fantasmas saídos daí e muitas outras coisas.

Os caminhos escuros ajudam ao ambiente hostil, mas não são bons para a nossa percepção imediata das coisas. Há movimentos, por vezes, limitados, mas também é um pouco essa a beleza destes jogos de terror antigos em que por vezes ali estamos nós à procura do caminho certo sem saber por onde ir. Quem nunca se perdeu num jogo destes que atire a primeira pedra. Felizmente há um mapa que pode ajudar a orientar-nos, mas não é a solução para todos os nossos males. 

Apesar de uma evolução na resolução do jogo, é um facto que não é deste campeonato de jogos mais recentes. Tem ainda muitas quebras de ritmo, seja em passagem de cutscenes ou até na jogabilidade que, às vezes, se torna esquisita. É limitado e junta-se aos sons de menu irritantes que nos fazem tirar o som da TV por uns instantes. Até pode se considerar old school, mas não são nada apelativos. A arte que marca a franquia Project Zero mantém-se intacta nas cutscenes que até são bastante estranhas na sua grande maioria e até na forma como nos é enquadrada a história, muitas vezes só através de texto.

Quanto ao conteúdo podem esperar o básico destes jogos além da história. Uma data de elementos para pesquisar, colecionar e ainda, depois de terminar o jogo, uma missão secreta com Ayane, do Ninja Gaiden, na qual não usamos a Camera Obscura, mas sim uma abordagem mais furtiva. Ainda hei de ver elementos Musou em Project Zero, ou não fosse a Koei Tecmo perita nisso. O que acham?

Project Zero: Maiden Of Black Water é um jogo que vai agradar aos fãs da franquia, mantendo todos os elementos que tornam o jogo divertido, mas que não deixa de meter algum respeito em certas ocasiões. Se eram novos quando jogaram o primeiro jogo da série, digo-vos que devem voltar a fazê-lo para verem agora este universo com outros olhos, nem que seja através da Camera Obscura, o nosso bem precioso ao longo de todo o jogo. Longe da perfeição, tem um efeito nostálgico em jogadores mais velhos e sendo uma celebração de 20 anos, talvez não fosse má ideia em fazer um jogo novo de raiz para os que agora se juntam e conhecem a história deste Project Zero. Aguardemos.