Developer: Capcom
Plataforma: PlayStation 4, Xbox One, PC
Data de Lançamento: 3 de Abril de 2020

Foi há cerca de um ano e dois meses que a Capcom conseguiu voltar a oferecer aos jogadores um Resident Evil digno de todos os fãs da franquia. Falo obviamente do remake de Resident Evil 2, um jogo que teve um enorme sucesso e mostrou como é possível pegar em jogos antigos (1998) e tiveram enorme sucesso e refazê-los com as tecnologias actuais, de maneira a tornarem-se jogos completamente novos.

Depois dessa fórmula de sucesso, era previsível que a Capcom não deixasse a ideia morrer por aí, trazendo aos jogadores um novo remake, agora de Resident Evil 3, onde Jill Valentine é a protagonista, juntamente com Carlos Oliveira que também tem um papel de extrema importância. Resident Evil 3 passa-se apenas um dia antes de Resident Evil 2, Jill é uma oficial da S.T.A.R.S. depois de ter sido treinada na Força Delta do exército Americano, e é perita em abertura de fechaduras assim como em desactivação de bombas. Além disso, por ter pertencido ao exército, também é uma excelente atiradora.

Não é por acaso que comecei por destacar a história de Jill, assim como as suas especializações, já que seria impossível alguém sem um bom treino conseguir sobreviver aos primeiros minutos de jogo. Quem jogou o jogo original provavelmente percebe o que quero dizer, mas depois de jogarem este remake, vão perceber ainda melhor.

Não vou revelar grandes cenas do jogo, até porque estragaria as surpresas que vão encontrar – e acreditem que são muitas e boas. O começo será logo diferente do jogo original, e para bem melhor, uma vez que nos oferece logo muita adrenalina e consegue dar-nos um pequeno cheirinho do que o jogo nos irá oferecer dali para a frente. Algo que quem jogou a versão de demonstração disponibilizada pela Capcom deverá ter percebido logo, embora tenha sido só um pequeno cheirinho, porque o enredo do jogo devido às alterações, adição de cutscenes, assim como da alteração de cenários e jogabilidade tornou-se algo incrível.

Seja como for, não quero que pensem que toda a história foi alterada, longe disso, os pilares do jogo original estão lá, com um melhor enredo, mas por vezes com uma ordem um pouco diferente, devido à adição de objectivos que temos de concretizar. No entanto, tudo está criado de maneira a que a história esteja mais forte e com mais lógica; diria até que se tiverem o cuidado de tentar encontrar todas as cartas, fotos e itens que estão no jogo, consegue-se perceber melhor algumas lacunas que a história original tinha.

Para mim, antes do lançamento destes dois remakes, Resident Evil 2 e 3 eram os melhores jogos da franquia, tanto pela história, como por tudo o que se passava na cidade de Raccoon City, mas neste momento, sem dúvida que estes dois remakes estão no topo, e Resident Evil 3 consegue mesmo subir ao patamar do primeiro lugar. TOP mesmo!

É fácil perceber que fiquei rendido ao jogo, porque além de me trazer alguma sensação nostálgica, consegue ao mesmo tempo impressionar devido às novidades que apresenta. Quanto a Raccoon City, há que dizer que a cidade está soberba, desde a estação de metro, a podermos entrar em alguns bares, armazéns, supermercados, entre outras coisas. As ruas são muito maiores em largura, com muitos mais zombies para nos infernizar, e cheias de outras surpresas. Pode dizer-se que a Capcom conseguiu demonstrar exemplarmente como Raccoon City era uma grande metrópole.

As texturas estão incríveis, com detalhes maravilhosos. O jogo está bastante mais escuro que o original, sendo que em grande parte do jogo teremos de usar a lanterna, dada a escuridão dos locais. Isto torna o jogo ainda mais assustador e imprevisível, e embora possa parecer um jogo de terror, é ainda mais um jogo de suspense, cuja incerteza relativamente ao que está na próxima porta, no próximo recanto, ou na próxima janela. Dá para apanharmos alguns sustos, principalmente se jogarem durante a noite, no escuro, e com uns belos auscultadores na cabeça.

Saltando para os inimigos, em grande parte temos zombies que precisam de alguns bons tiros para caírem. Além de serem bastante impiedosos, uma pequena falha e teremos uma mordida no nosso pescoço, ou então, caso estes estejam no chão, a nossa perna será uma boa refeição para eles. Mas isto é apenas ao início, porque com o avançar do jogo, novos inimigos vão aparecendo e ainda mais ameaçadores. E sim, os famosos cães-zombie também aparecem, não fossem eles uma referência de Resident Evil.

E se falamos de inimigos, não podemos deixar de lado Nemesis. No jogo original são várias as vezes que ele aparece para nos tentar fazer a “folha”, pois bem, neste remake, isso não é diferente. Nemesis está incrível, um super soldado enorme e completamente impiedoso. Volta a aparecer naqueles momentos em que não estamos à espera, e quando quer, consegue ter uma velocidade acima da média, para não falar dos seus socos e daquela espécie de “corda viva” que sai da sua mão, mas consegue puxar-nos para ele. Tem ainda outras surpresas, mas essas vou deixar que vocês descubram.

A jogabilidade está excelente, apesar de os personagens continuarem a não poder saltar, a não ser em algum local onde o jogo permita que o nosso personagem interaja com algum objecto. É possível correr, andar, disparar usando a mira que nos aparece no ecrã, e claro, ter diversas armas que vamos recolhendo ao longo do jogo. As poucas plantas, a pólvora e as balas em pouca quantidade continuam a ser um clássico de Resident Evil, obrigando-nos a ter imenso cuidado, e a usá-las apenas em caso de vida ou de morte; oferecendo-nos aquela sensação de que teremos de fazer tudo para sobreviver, colocando-nos ainda perante alguns dilemas, em que a sobrevivência humana terá de ficar acima dos nossos ideais.

Algo que não podia deixar de falar são os puzzles que sempre fizeram parte dos jogos da franquia, e em Resident Evil 3 isto não é diferente. Temos de desvendar segredos, procurar códigos para abrir cobres e tentar perceber algumas dicas nas entrelinhas de escritos que encontramos. Também continuamos a ter aqueles puzzles em que temos de encontrar objectos para colocar em determinados locais e ganhar acesso a objectos e itens. Um trabalho incrível.

Graficamente apresenta-se soberbo, e se já a cidade está incrível como tinha referido acima, os zombies, Nemesis, aranhas infectadas, os cães zombies e todos os outros NPC ainda conseguem mostrar-se mais incríveis. Existem detalhes nos personagens que nos deixam mesmo boquiabertos. Um bom exemplo é o de Jill, e basta olharem para os trailers que a Capcom foi lançando ao longo deste tempo de espera, para percebermos como tudo foi levado ao detalhe.

Quanto às músicas, encaixam que nem uma luva em todo o jogo, proporcionando aquelas músicas extremamente ameaçadoras quando aparecem inimigos mais perigosos como Nemesis, contudo, quando isso não acontece, a música nunca é de calma, é sempre de suspense e expectativa, sendo a  excepção apenas nas zonas onde podemos salvar o jogo. As vozes dos personagens também estão muito boas, e nota-se que existiu um trabalho incrível por parte dos actores que deram voz aos personagens, pois até os NPC’s mais simples que aparecem apenas uma ou duas vezes, têm uma boa interpretação.

Resident Evil 3 Remake é sem dúvida um dos jogos do ano. Supera o remake de Resident Evil 2 que já estava incrível, e oferece aos jogadores tudo aquilo que os fãs de Resident Evil sempre desejaram. Eu que nem sou grande amante de remakes, fico ansioso que a Capcom nos volta a trazer um novo Remake, e até daria a dica para Resident Evil e Resident Evil Zero, fechando assim o ciclo dos jogos passados na zona de Raccoon City.

Para finalizar, deixo apenas alguns adjectivos que simbolizam o que podem esperar do jogo, como soberbo, magnífico, incrível e esplêndido.