Developer: Capcom
Plataforma: Nintendo Switch 2, PlayStation 5, Xbox Series X|S, PC
Data de Lançamento: 27 de fevereiro de 2026

Um dos jogos mais aguardados do ano é, sem dúvida, Resident Evil Requiem. Para além da série da Capcom já ser praticamente uma franquia de culto, cada novo lançamento desperta sempre grande entusiasmo entre os jogadores. Este sentimento intensificou-se ainda mais com o sucesso dos remakes de Resident Evil 2, Resident Evil 3 e Resident Evil 4, assim como com o relançamento da franquia através de Resident Evil 7 e Resident Evil Village, elevando novamente a série a uma dimensão verdadeiramente impressionante.

Publicidade - Continue a ler a seguir

Com este novo título, surgem desenvolvimentos inéditos na história da franquia, mas também uma surpresa bastante animadora para os jogadores da Nintendo: o jogo chega no dia de lançamento à Nintendo Switch 2, sem a necessidade de recorrer a uma versão em cloud, como aconteceu com Resident Evil 7 e Resident Evil Village na Nintendo Switch original. Para além disso, ambos os títulos anteriores ganharão também uma versão dedicada à nova consola.

Embora vá detalhar mais tarde o desempenho do jogo na Nintendo Switch 2 — uma vez que toda a análise foi realizada nessa consola — confesso que foi uma surpresa incrível ver o jogo a correr de forma tão fluida, tanto em modo dock como em portátil. Para quem ainda tinha dúvidas sobre as potencialidades da nova Switch, a Capcom provou que a consola é capaz de feitos que muitos jogadores provavelmente não esperavam.

A narrativa inicia-se em outubro de 2026, com Grace Ashcroft, analista de inteligência do FBI, chamada ao gabinete do seu supervisor, Nathan Dempsey. Ele pede-lhe para investigar um corpo encontrado num hotel abandonado em Wrenwood, que tem diversas semelhanças com recentes casos recentes que têm acontecido pelos Estados Unidos, todos relacionados com sobreviventes do incidente de Raccoon City.

O que torna este caso particularmente perturbador é o local: o mesmo hotel onde, oito anos antes, a mãe de Grace, Alyssa Ashcroft, foi assassinada. Ao chegar ao local, Grace é recebida por um polícia, que nos conduz até perto da porta das traseiras do hotel, ao entrar percebemos rapidamente que o hotel guarda algo muito mais sinistro do que aparenta. O edifício está em completo abandono, e certos detalhes não fazem sentido para algo que deveria simplesmente estar abandonado. Para tornar tudo ainda mais complicado, a vítima não se encontra no local do crime, e Grace enquanto tenta perceber o que se passa, encontra uma fotografia com uma indicação que deve dirigir-se até um quarto em específico.

É logo ao entrar nesse quarto que a tensão aumenta ainda mais. Grace apercebe-se rapidamente que anda a ser perseguida, já que a cama está coberta com fotografias suas, e o quarto é o mesmo em que Grace, oito anos antes, se encontrava hospedada com a mãe no dia da sua morte. Este momento faz Grace reviver os últimos momentos do fatídico dia e descobrir um segredo guardado pela sua mãe.

Quando tudo já parecia insuportável, o policial que nos recebeu à entrada do hotel, e que deveria estar a guardar o local, surge dentro do edifício, infetado, tentando atacar-nos. Grace na tentativa de se defender e, sem alternativa, acaba por o matar. Na tentativa de fugir desesperadamente daquele local, entra noutro quarto onde encontra Dr. Victor Gideon, um ex-funcionário da Umbrella envolvido na pesquisa do T-Virus, que claramente conhece Alyssa e também sabe muito sobre Grace. Com mais perguntas do que respostas, Grace é sequestrada pelo Dr. Victor.

É nesse momento que entra Leon S. Kennedy, o agente da DSO (Division of Security Operations), informado do desaparecimento do polícia que vigiava o hotel, dirige-se para o local. É enquanto está retido no trânsito de Wrenwood, que se depara com Victor a sequestrar Grace em plena rua. Leon ao ver aquilo, sai do carro e tenta persegui-lo, mas sem sucesso, recebendo pelo auricular a informação de Sherry Birkin de que Victor provavelmente se encontra no Centro de Cuidados Rhodes Hill, uma instituição privada onde ele é diretor.

Leon dirige-se ao local e, como esperado, conseguimos ter logo a percepção de que já estavam à sua espera, dando assim início à verdadeira aventura. Esta é apenas uma pequena amostra da história, que irá envolver vários protagonistas, inúmeros detalhes do funcionamento daquele local, mas também muitas surpresas fora dele. A razão de não revelar mais é simples, não dar qualquer spoiler de uma história que merece ser jogada em primeira mão para se tirar o máximo proveito do jogo.

Durante Resident Evil Requiem vamos alternando entre jogar com Grace e com Leon, à medida que a história avança. A experiência com cada personagem é distinta e cuidadosamente pensada para criar dois estilos de jogabilidade diferentes. Ao longo do jogo, encontramos momentos de tensão intensa, jump scares e até momentos mais emotivos, especialmente graças a Emily, uma criança cega que Grace se apega profundamente. O suspense é também alimentado pela personagem de Grace, já que embora os antagonistas a queiram capturar, não se sabe a razão, parecendo existir um segredo que até ela desconhece, levando-nos a questionar o verdadeiro motivo pelo qual a perseguem. Uma palavra recorrente entre os vilões — Elpis — desperta ainda mais mistério ao longo da narrativa.

Enquanto jogamos com Grace, o ritmo é mais lento e a tensão é constante, bem ao estilo clássico da franquia, fazendo-nos lembrar claramente Resident Evil 2 Remake. Para terem uma ideia, na exploração do Centro de Cuidados Rhodes Hill iremos percorrer locais fechados, desbloqueando portas com chaves ou pulseiras especiais, resolvendo enigmas e descobrindo segredos enquanto tentamos sobreviver com recursos limitados. A abordagem aqui exige planeamento, estratégia e atenção aos detalhes, muito ao estilo survival horror que a Capcom nos habituou.

Com Leon, a experiência muda radicalmente. O seu estilo é mais ativo e orientado para a ação, refletindo a maturidade e experiência do personagem, que já enfrentou inúmeras adversidades na sua carreira. A tensão é menor, e o jogo incentiva-nos a confrontar inimigos de frente. Apesar de ainda termos quebra-cabeças e itens para recolher, de maneira a abrir portas e conseguirmos avançar, Leon dispõe de um arsenal muito mais variado e poderoso: diversas armas, granadas, um machado, e até itens que os inimigos deixam cair como garrafas de gás, lanças, motosserras e outras ferramentas que podem ser usadas de forma criativa, incluindo finalizações diretas em inimigos. É possível até manipular o combate, atirando por exemplo, nos joelhos de um inimigo para executar um ataque corpo a corpo ou mesmo nos defendermos ao realizar parries, tornando a experiência mais dinâmica e audaz.

Por contraste, Grace é mais vulnerável. Os recursos são escassos, obrigando-nos a ponderar cada bala ou a optar por estratégias de stealth e desvio. A criação de itens assume aqui um papel central, já que a personagem pode combinar sangue infectado, sucata e injetores para criar desde munições a itens de cura, incluindo ferramentas ofensivas capazes de eliminar inimigos de forma eficiente. Dando um exemplo, a ferramenta que consegue eliminar os inimigos com um único golpe, apenas consegue ser usada por Grace, se esta apanhar um inimigo por trás, ou mesmo se for atacada, e ai temos esse recurso para nos salvar. Já Leon também pode criar itens, mas esses são focados mais no armamento e munições, acompanhados dos habituais itens de recuperação de vida.

Os inimigos, como seria de esperar, são um dos grandes destaques de Resident Evil Requiem. Por um lado, temos os infectados mais básicos, recorrentes na franquia, que por vezes evoluem para formas mais agressivas. Por outro, surgem as aberrações verdadeiramente impressionantes, incluindo bosses e mini-bosses que nos perseguem e muitas vezes não temos armamento para os derrotar, até chegar o habitual momento inevitável em que não temos outra escolha. No campo das surpresas, a Capcom soube oferecer aos fãs da franquia momentos verdadeiramente memoráveis, que confesso me deixaram surpreendido e, ao mesmo tempo, com um enorme sorriso de satisfação no rosto. A verdade é que cada encontro é uma experiência tensa e memorável. Algumas destas criaturas são surpreendentes e revelam-se alguns dos pontos mais altos do jogo.

Outro elemento essencial para a navegação e exploração são os mapas. Como a história se desenrola em múltiplos locais, existem mapas específicos para cada área. Inicialmente, ao chegarmos a um local, o mapa não está disponível, ele vai sendo construído à medida que exploramos, ou desbloqueado quando encontramos o mapa daquele local. Isto permite perceber onde já estivemos, e quais as áreas que ainda faltam explorar. Algo que também ajuda muito no mapa, é ficar marcado onde podemos recolher itens que possam ter sido esquecidos por nós, quer por não ter espaço para os levar ou mesmo por não os termos visto. Mesmo em locais com vários andares, a navegação é clara e intuitiva, tornando a exploração simples e sem nos sentirmos perdidos. Aproveito também para esclarecer que o jogo não se limita a Wrenwood ou ao Centro de Cuidados Rhodes Hill. Os fãs da franquia certamente ficarão agradados ao saber que vão ter uma boa dose de nostalgia com o regresso a Raccoon City.

Algo que achei interessante e rapidamente percebi que fazia todo o sentido é a recomendação da Capcom em jogar com perspectivas diferentes em cada um dos protagonistas. É algo que é totalmente opcional e ajustável a qualquer momento nas opções do jogo. No caso de Grace é sugerido jogar em primeira pessoa, aumentando a intensidade dos jump scares e a sensação de suspense, enquanto Leon é melhor aproveitado em terceira pessoa, proporcionando uma visão mais ampla do ambiente e facilitando o combate corpo a corpo e o uso de armas. No entanto, podem alternar livremente entre essas perspectivas, adaptando a experiência ao vosso gosto. No meu caso, joguei a maior parte do tempo como é recomendado, mas houve momentos em que passei para terceira pessoa, simplesmente para perceber bem a diferença e até porque é a forma que mais gosto de explorar os jogos.

Na parte gráfica, volto a frisar que a versão que joguei foi a da Nintendo Switch 2, e o jogo corre de forma absolutamente fantástica, sem qualquer quebra de fluidez, oferecendo visuais impressionantes. Nos ambientes, especialmente em zonas mais fechadas, as texturas e o nível de detalhe são excecionais, a ponto de não nos fazer sentir necessidade de jogar numa plataforma mais potente para obter gráficos superiores. Em momentos em que o ambiente é maior e várias ações acontecem simultaneamente, a Capcom recorreu a um truque inteligente: mantém a excelente qualidade do que está próximo do personagem, e dos elementos que nos chamam mais a atenção, enquanto elementos mais distantes ou menos importantes naquele momento recebem uma ligeira perda de qualidade, mantendo o suspense sem nunca comprometer a jogabilidade. Vale também a pena referir que o jogo corre a 60 fps em modo dock, garantindo uma fluidez impressionante.

O RE Engine volta a demonstrar toda a sua capacidade, criando atmosferas detalhadas e diversas. A iluminação dinâmica e os efeitos de sombra respondem realisticamente ao ambiente, desde lanternas, holofotes a até janelas, intensificando o suspense. Os detalhes de certas superfícies como vidros e superfícies metálicas estão realísticos, bem como o desgaste do ambiente que se pode verificar nas paredes sujas, ferrugem, pó e sinais de abandono, tudo isso ajuda a oferecer uma sensação de perigo constante e criando uma imersão única.

Os personagens continuam impecáveis, com movimentos naturais, expressões faciais detalhadas, cabelos realistas e animações subtis que respondem ao ambiente ou a impactos. As finalizações e golpes que Leon faz estão verdadeiramente incríveis, muitas vezes levando-nos a querer eliminar os inimigos dessa maneira, para ver o que pode surtir dali. As aberrações e bosses estão magníficas, com designs que impressionam, tornando cada encontro memorável. As cutscenes estão verdadeiramente incríveis, transmitindo a história com uma qualidade cinematográfica e detalhes visuais excepcionais.

A parte sonora é igualmente sublime e foi cuidadosamente trabalhada para criar tensão constante. O som espacial permite perceber de que direção os inimigos se aproximam, enquanto ruídos ambientais, portas a ranger, passos ecoando, gotículas de água a cair, intensificam a atmosfera. Pequenos detalhes auditivos, como a respiração de Grace em situações críticas, aumentam a imersão, e cada inimigo possui sons únicos que nos alertam para o perigo. A música também acompanha de forma brilhante cada momento do jogo, alterando-se gradualmente consoante a tensão, passando de passagens mais calmas para situações de bastante tensão. Quanto ao voice acting é de elevada qualidade, com uma excelente interpretação das personagens e dos momentos que estes estão a vivenciar.

Algo que também não queria deixar de referir é a vasta gama de opções de áudio e legendas, garantindo acessibilidade a grande parte dos jogadores. O áudio está disponível em japonês, inglês, francês, italiano, alemão, espanhol (Espanha), espanhol (América Latina), português (Brasil), russo e mandarim. As legendas e textos incluem japonês, inglês, francês, italiano, alemão, espanhol (Espanha), espanhol (América Latina), português (Brasil), polaco, russo, mandarim, coreano e árabe, permitindo que cada jogador desfrute da experiência da forma mais confortável.

Resident Evil Requiem é sem dúvida uma experiência excepcional, que oferece uma história envolvente, repleta de surpresas e suspense, aliada a uma jogabilidade impressionante. É um daqueles jogos que nos agrada tanto que até ficamos com pena de o ter finalizado, por oferecer algo tão gratificante. É um jogo agradar tanto aos fãs de longa data como aos mais recentes, consolidando-se como mais uma obra-prima da Capcom.

REVER GERAL
Geral
Artigo anteriorO jogo de aventura Donutal lança a sua demo na Steam
Próximo artigoA demonstração de The Witch’s Bakery já está disponível
Rui Gonçalves
Desde o tempo do seu Spectrum+2 128k que adora informática. Programador de profissão nunca deixou de lado os jogos, louco por RPGs e jogos de futebol. Adora filmes de acção e de ficção científica, mas depois de ver o Matrix nunca mais foi o mesmo.
analise-resident-evil-requiem<h4 style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #339966;">SIM</span></strong></h4> <ul> <li style="text-align: justify;">História envolvente e cheia de suspense</li> <li style="text-align: justify;">Jogabilidade variada entre protagonistas</li> <li style="text-align: justify;">Cutscenes de enorme qualidade</li> <li style="text-align: justify;">Desempenho muito sólido na Nintendo Switch 2</li> </ul>

Deixa um comentário