Developer: Capcom
Plataforma: Xbox One, Xbox Series, PlayStation 4, PlayStation 5 e PC
Data de Lançamento: 7 de Maio de 2021

O primeiro teaser de Resident Evil Village e o seu respectivo anúncio causaram um impacto imediato, e apenas superado pela apresentação da PlayStation 5, no mesmo evento.

Aliás, quem se lembra do trailer de anúncio, certamente concordará que não podiam ter escolhido uma cena que melhor representasse a essência e a proposta de um jogo que mistura exemplarmente o drama com o suspense e o terror.

No entanto, é incrível como está carregado de momentos como esse, e que ajudam a criar uma tensão que nos amedronta e seduz simultaneamente. Temos receio, mas precisamos saber o que se esconde mais além – quais insectos atraídos por uma luz maldita que inevitavelmente se revelará fatídica.

E em muito contribui a maneira como combina as cutscenes fantásticas com uma jogabilidade na primeira pessoa realmente imersiva. É um survival horror que faz essa gestão delicada de todos estes períodos com mestria, escolhendo as melhores alturas para nos conduzir – quando e para onde quer.

Na verdade, não são raras as vezes em que a ansiedade de nos sentirmos como meros espectadores impotentes se transforma no pânico total. Num momento estamos apreensivos, a assistir; no outro, temos o coração acelerado, enquanto tentamos escapar, pelas nossas vidas.

Resident Evil Village sabe que depende disso, e consegue-o como poucos.

Não é exactamente claro onde se desenrola a história, mas tendo em conta a temática, é fácil concluir que é algures na Roménia – o berço dos vampiros. A atmosfera é magnífica, e o local perfeito para fabricar o suspense e o mistério que serão irresistíveis para quem é apaixonado pelo género e pela franquia.

Ethan Winters regressa de Resident Evil 7, crente de que o pior já tinha passado. Enquanto a sua mulher prepara o jantar, Ethan carrega a sua filha recém-nascida nos braços com toda a serenidade. Está na hora de colocá-la a dormir. Porém, num instante tudo muda, e após um violento ataque conduzido por alguém bem conhecido do jogo anterior, Ethan vê a sua filha raptada.

Em parte, o motor da narrativa é como um deja vu de Resident Evil 7, mas em vez de tentar encontrar a sua mulher, Mia, o protagonista procura agora por Rosemary, a sua filha. Pouco depois, e sem grandes explicações, Ethan, vê-se perdido numa estranha vila, praticamente deserta e arrepiante até aos ossos, que o levará rapidamente a descobrir mais do que aquilo que deseja.

Não irei entrar em muitos pormenores, visto que a história merece mesmo ser experienciada com todas as surpresas que foram reservadas para o jogador. Todavia, posso dizer que é quase como uma celebração de diferentes faces do entretenimento do terror, e muito devido aos diversos vilões que nos aguardam em alturas-chave.

Algumas das cenas que ajudam a construir o suspense estão simplesmente brilhantes. Especialmente porque são imediatamente seguidas de sequências de acção onde somente podemos lutar para sobreviver. Não é segredo que quem gosta de jogos de terror anseia por situações como essas, e há que dizer que Resident Evil Village explora esses momentos exemplarmente.

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 A sua dinâmica varia fundamentalmente entre um ciclo de investigação e outro de progressão. Muito do tempo será passado à procura de objectos que serão essenciais para interagir com outros e podermos avançarmos para as fases seguintes. A busca terá de ser minuciosa e frequentemente teremos de voltar a locais que já visitámos de modo a nos certificarmos de que nada nos escapou.

Requer alguma paciência, particularmente para quem não é apreciador de puzzles, mas é uma característica da franquia e quase obrigatoriamente teria de estar presente. Contudo, não é algo que possamos dizer que é exagerado, já que a resolução dos quebra-cabeças até costuma ser bastante lógica.

E ao contrário do seu antecessor é muito mais focado na acção e no combate. Não tanto como Resident Evil 5, uma vez que sentimos constantemente o despreparo de Ethan, ainda assim, é uma parte importante da jogabilidade e dá-nos alguma capacidade para podermos retaliar. Não é o jogo mais assustador da saga; proporciona alguns sustos, sim, mas é mais inquietante do que aterrorizante.

Dito isto, é fácil adivinhar que será através dos vilões que RE 8 atinge o seu auge. As cenas em que enfrentamos as personagens mais poderosas são simplesmente memoráveis, e cada um forçar-nos-á a uma estratégia diferente. Confrontos como os de Karl Heisenberg, Salvatore Moreau e a incontornável Lady Dimitrescu são verdadeiras injecções de adrenalina e recomenda-se que estejam bem equipados quando acontecerem.

Existem várias armas que iremos obter ao longo do jogo, como o revolver, caçadeira, espingardas, metralhadoras, e até lança-granadas. O arsenal é razoavelmente extenso e oferece um poder de fogo que será útil nas mais diversas circunstâncias.

Temos a possibilidade de criar munições e outros itens cruciais, como o First Aid Med, combinando materiais que vamos encontrando pelo caminho. E ainda há o mercador, The Duke, a quem podemos comprar todos esses suprimentos, mas também fazer upgrades às armas. Não é propriamente barato, portanto, convém vasculharem em todos os locais de maneira a encontrarem alguns objectos de valor que poderão vender posteriormente.

Graficamente é um dos jogos que melhor promoveram, até agora, esta nova geração de consolas. O detalhe das personagens, assim como do ambiente envolvente é verdadeiramente fascinante. No castelo Dimitrescu, então, é onde provavelmente mais impressiona, seja nas fantásticas decorações num lindíssimo estilo gótico, como nos efeitos de luz que tão bem contrastam com o tom mais escuro do seu interior.

O aspecto sonoro – igualmente importante neste tipo de jogos – entrega irrepreensivelmente o que é imposto. A música sinistra que acompanha os momentos de suspense, tal como os sons indistinguíveis à distância encaixam de forma perfeita, e tornam toda a experiência numa deliciosa viagem de terror.

Resident Evil Village é, possivelmente, um dos melhores títulos lançados até agora, neste ano de 2021. E correspondeu de uma maneira extraordinária à enorme expectativa que foi criada. Pertencendo a uma franquia que é uma das pedras preciosas da Capcom, há que reconhecer o mérito por saber reinventar-se a cada novo título, e sem nunca desiludir.

Sem dúvida, um dos melhores survival horror já realizados.