Developer: RaceWard Studio
Plataforma: PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch, Xbox One, PC
Data de Lançamento: 19 de agosto de 2021

Com o nosso motard, Pedro Moreira Dias, a aventurar-se pelo Japão Feudal e por Nostria, coube-me a responsabilidade de meter o capacete, acelerar neste simulador de motociclismo, e até aprender sobre mecânica de motas. Devo confessar que fiquei a saber de coisas que nem imaginava que existissem, ou mesmo para que serviam.

Para quem não é propriamente um amante de motas, e muito menos de simuladores – como é o meu caso – devo confessar que RiMS Racing é um daqueles jogos que no início estranha-se, mas com o passar do tempo entranha-se. Começamos por colocar a dificuldade de simulação no nível mais baixo possível, para nos irmos habituando à movimentação da mota, nomeadamente o tempo de curvar, o tempo de travagem e de desaceleração, para depois á começarmos a desligar as ajudas e aumentar a dificuldade.

Acredito que os “batidos” neste tipo de jogos não precisam de todo este processo de adaptação, quanto aos outros, é quase como uma doutrina, já que é o processo natural de quem passado vários meses volta a pegar num jogo de simulação, seja ele de carros ou mesmo de motas ou aviões. Voltar a criar o hábito de deixar de ser “o maluco das curvas” e passar a ser ponderado na hora de travar, de ultrapassar, e até mesmo de deixar de bater nos outros para “ajudar nas curvas”, é um processo que demora um pouco, mas depois é bastante recompensante.

RiMS Racing não se trata só de um simulador de condução, é também um simulador de motociclismo (provavelmente estão a pensar que pirei de vez), o que quero dizer com isso é que além de simular toda a condução de uma mota, irá igualmente simular o desgaste das peças e o tipo de peças que vocês têm instalados. Não estou a falar só dos pneus ou do visual da mota, estou a falar de por exemplo desgaste da embraiagem, desgaste dos discos, desgaste das pastilhas, entre muitas outras coisas.

Se pensarmos bem, isto sim, é um verdadeiro simulador. Oferece-nos não só a possibilidade de simular a condução de uma mota (e essa condução varia conforme as motas que escolherem), mas também conforme o desgaste das peças que estiverem equipadas, até alterando a condução conforme as novas peças que podemos meter, dando melhor performance à mota. Na verdade, embora os trailers que foram lançados já mostrassem que existia essa possibilidade, nunca pensei que a variedade fosse tão grande. Acreditem que dá para mudar tudo e mais alguma coisa, para não falar na afinação da mota que também pode ser toda alterada para obtermos um melhor desempenho conforme a pista e as suas condições climatéricas.

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Já que falei das motas, confesso que ao iniciar o jogo fiquei um pouco desiludido, sendo que apenas temos 8 motas para escolher (Aprilia RSV4 1100 Factory 2020; BMW M 1000 RR 2021; Ducati Panigale V4 R 2020; Honda CBR1000RR ABS 2019; Kawasaki Ninja ZX-10RR 2019; MV Agusta F4 RC 2019; Suzuki GSX R1000R 2019; e Yamaha YZF-R1 2020). E digo que no início fiquei desiludido porque com o desenrolar do jogo e com a experimentação das várias motas percebi que o foco estava em oferecer uma simulação quase perfeita de cada uma dessas motas, e cada uma com os seus defeitos e com as suas virtudes passadas para dentro de um jogo. E por a representação ser tão fiel, a desilusão passa rapidamente por admiração ao trabalho da RaceWard Studio.

O jogo apresenta diversos modos, alguns em single player, e outros para o modo multiplayer. Começando pelo single player temos então o modo carreira que nos coloca a gerir uma equipa, e além da condução, temos também de tratar da parte de engenharia, das finanças, da pesquisa e até do estudo da moto, entre outras coisinhas. Até aqui tudo muito interessante, não fosse o maldito e horrível tutorial do jogo. Desculpem a expressão, mas não há outra forma de dizer, primeiro faz diversas perguntas, onde a nossa única opção é carregar no “OK”, depois, muitas vezes, leva-nos a diversos locais, sem nos explicar onde está a opção para encontrar aquele local, e por fim, o que estraga mesmo tudo, é estarmos a meio de uma corrida e o maldito tutorial aparecer; estamos a correr a 260 km/h, num jogo de simulação e aparece um tutorial que para a corrida e explica-nos como ver as peças desgastadas (a sério?!? no meio de uma corrida?!?), mas onde é que isto faz sentido? Obviamente que quando o tutorial acabou eu espetei-me à grande…

Como acontece há diversos anos, desde 2001 com jogo Super Bikes (que infelizmente deixou de ser lançado, ou melhor, continua, mas apenas para dispositivos móveis) que as minhas motos de eleição são as Ducatis, e mais uma vez foi a que escolhi para começar o modo carreira, uma moto que considero bastante equilibrada, seja na sua aceleração e velocidade, assim como na sua condução; a travagem não é assim tão boa, mas é algo que com a afinação quase sempre se consegue ultrapassar. Foi aqui que passei grande parte do tempo, seja nas provas, algumas que apenas vamos testar a pista, outras que vamos correr contra outros pilotos; mas muito tempo também na parte de gestão da equipa, para perceber como funcionava toda a parte de pesquisa, afinar a moto e no modo de alteração de peças.

No que se refere às peças para a nossa mota, diria que é algo tão abrangente que até parece um jogo de gestão. Para terem noção, podem adquirir cerca de 46 peças, como a suspensão, retrovisor, pneus, ECU, amortecedores, discos, aquecedores de pneus, faróis, pára-brisas, entre tantas outras coisas. Além disso, dentro dessas opções temos diversas marcas para escolhermos, o que aumenta o leque de opções. Para adquirir essas peças vão precisar de dinheiro, que vão ganhar ao participar dos eventos do modo campanha. Dinheiro esse que servirá um pouco para tudo, desde as peças, como para contratar engenheiros para a pesquisa e melhoramento da mota.

Algo que não posso referir que desgostei, mas percebo que seja um diferenciador em relação aos outros jogos, é termos de ser nós a equipar as peças, e quando digo isso, não é carregar no botão e esta é alterada, vão ter de participar em minijogos como rodar o analógico para desaparafusar um parafuso, depois andar com o analógico para a esquerda e carregar num botão para encaixar a peça, depois voltar a aparafusar o parafuso ao rodar o analógico. Devo confessar que foi algo que não me agradou muito – mas que até entendo dentro da garagem ,– o que não me agradou foi ter de fazer isso nas boxes e mudar os pneus da mota, por exemplo. São aquelas coisas que não interessam no meio de uma corrida, e que estragam bastante o andamento da mesma.

A personalização não se fica só pela mota, já que também podem gastar o vosso dinheiro na roupa do piloto, seja casacos, calças,  botas, luvas, capacetes, ou até um macacão completo em vez de calças e casaco, para quem preferir. Como é possível ver, o jogo oferece uma componente de gestão da equipa e de personalização enorme.

Outra das componentes muito boas é a afinação da mota, e esta faz-se realmente sentir na condução. Para os peritos neste campo, será bastante fácil encontrar a afinação que querem para a mota consoante a pista que estão a correr. Já os jogadores mais casuais terão um problema bastante grande, porque embora do lado direito apareça uma pequena explicação para que cada coisa serve, a verdade é que não chega, e neste campo não existe um único tutorial. É caso para dizer que nuns casos existe tutorial em excesso e muitas vezes sem muita lógica, e nesta componente que é essencial para ter sucesso, nada é dito ou feito.

Já as corridas, só no modo carreira são cerca de 70 eventos. Não sendo obrigatório fazer todos, já que podem saltar alguns deles, nos eventos de corrida basicamente o objectivo é chegar no melhor lugar possível da classificação; já outros apresentam alguns objectivos para serem concluídos com sucesso, como por exemplo não sair da pista, chegar pelo menos à terceira posição, chegar num determinado tempo, entre outros. Para não falar dos eventos em que somos desafiados por outros pilotos, e temos de correr num 1 vs 1.

Ainda dentro da componente single player, temos a possibilidade de fazer uma corrida rápida, escolhendo o circuito e as condições climatéricas. Temos ainda a opção de fazer Testes de corridas, onde podemos melhorar os nossos tempos, e até ir à tabela de ranking de melhores tempos online e descarregar o ghost desse jogador, e fazermos uma corrida contra esse tempo – sendo uma óptima maneira de melhorarmos a nossa condução em determinadas pistas. Por fim, a academia, que permite fazermos novamente alguns eventos que desbloqueamos no modo carreira.

Já a componente multiplayer permite fazermos uma corrida local contra outro jogador, ficando o ecrã dividido. Na parte online, podemos fazer uma corrida personalizada, ou uma taça, e aqui escolhemos as regras, o número de pilotos, entre outras coisas. Depois provavelmente o local onde os jogadores vão passar muito tempo, é nos desafios online, e aqui, todas as semanas, vai aparecer um determinado número de desafios onde os jogadores podem ganhar recompensas, seja depois de terminarem o desafio, quer posteriormente no final do mês, caso estejam bem classificados no ranking mensal.

Quanto a circuitos fechados, temos 9, alguns bem conhecidos como Suzuka no Japão, Silverstone em Inglaterra, Nürburgring na Alemanha, Tire Motorsport Park no Canadá e até Portugal está representado com o circuito de Monsanto. Depois temos ainda 5 corridas que não são fechados, isto é, vão do ponta A ao ponto B, com a representação de Espanha com o Carretera de Sa Calobra; Million Dollar Highway nos Estados Unidos; e até Passo San Marco em Itália. Estas 5 corridas são transformadas em 10, já que se pode fazer o percurso tanto do ponta A ao ponto B, como do ponto B ao ponto A.

A jogabilidade é provavelmente do melhor que vão encontrar num simulador de motas, podem demorar a habituar-se (principalmente os que não estão adaptados a este tipo de jogos), mas depois acreditem que vale a pena. A diferença entre as motas, a própria pista e as diferenças climatéricas, tudo isso está incrível, oferecendo ao jogador um autentico simulador, na verdadeira ascensão da palavra.

Graficamente existe muito pouco a dizer. As motas são réplicas perfeitas, com um grafismo e um detalhe impressionante. As pistas também estão brilhantes, cheias de detalhes e com uma qualidade gráfica notável, e podemos ver no asfalto as marcas dos pneus, as pinturas desgastadas das linhas das pistas, ou mesmo o balançar das árvores, assim como a chuva a cair. Tudo isso está detalhado, e por exemplo ao alterarmos a câmara da mota para ficarmos a conduzir no guiador, e ver as diferenças entre as motos também está particularmente incrível. Mas não é só no grafismo que o jogo impressiona, já que a componente sonora também está espectacular, sendo que todas as motas fazem diferentes sons de motor, quer a acelerar, a travar com o motor, tudo isso está perfeitamente incorporado no jogo.

Como é fácil perceber, a RaceWard Studio foi bastante audaz com o lançamento de RiMS Racing, já que veio intrometer-se numa “corrida” com “pilotos” de peso, como é o caso de Ride 4, TT Isle of Man Ride 2, e claro, da franquia de Moto GP. Como se diz na minha terra, quem não arrisca, não petisca, e podemos dizer que RiMS Racing chegou com a mota bem afinada, com peças que oferecem uma performance muito boa, e por isso vai lutar sem sombra de dúvidas pela frente da corrida. Concluindo: RiMS Racing é um simulador capaz, cheio de detalhes interessantes e que irá agradar, certamente, aos fãs deste tipo de jogos.