Developer: Koei Tecmo
Plataforma: PlayStation 4 e PC
Data de Lançamento: 15 de Janeiro de 2020

Se foi a série Total War que popularizou mais recentemente a história dos Três Reinos, muitos não deverão saber que a inspiração foi extraída de uma saga criada pela Koei Tecmo e que chega agora com o seu décimo quarto título. Também de estratégia, é uma série que se iniciou em 1985, explorando o período da Dinastia Han na China antiga, onde o nosso propósito é precisamente unificar os três reinos.

Romance of The Three Kingdoms XIV é um relato ainda mais preciso e rigoroso da história. Todas as personagens relevantes estarão presentes, como Zhuge Liang e a sua Campanha do Norte e outros episódios tão ou mais importantes, incluindo a guerra que esteve na origem de tudo: A Revolta dos Turbantes Amarelos. Tal como esta histórica batalha, nem tudo será jogável e apenas poderemos assistir a cenas muito bem detalhadas dos eventos que foram mais determinantes e decisivos. No entanto, como será fácil de calcular, serão as nossas acções e decisões que estarão na base do desenvolvimento do jogo e da sua história.

Olhando para os vários jogos da franquia, podemos dizer que o estilo tem variado ocasionalmente, onde uns se focaram mais nos elementos RPG do que outros, todavia, o tipo de estratégia detalhista é transversal a todos. Em The Romance of the Three Kingdoms XIV vemos um regresso ao estilo mais clássico, com algumas novas ideias da Koei Tecmo.

À primeira vista, a grande novidade está na forma como os territórios se ligam, através de hexágonos, rompendo com as estradas da versão anterior. O que traz uma diferença importante, porque agora, as regiões terão de ser conquistadas aos poucos e na extensão desses mesmos hexágonos, oferecendo um maior realismo ao tabuleiro de guerra. E para que as nossas forças militares possam ficar disponíveis para invadir outras regiões, temos agora estruturas que podemos construir para servirem de defesa ao território que vai sendo anexado, embora com algumas limitações relativamente ao terreno em questão.

Mas também será possível enviar oficiais para gerir as regiões recém-conquistadas, porque a dado momento, com um território tão vasto, começam a ser demasiadas coisas para controlar. São, portanto, uma preciosa ajuda, embora as suas capacidades de gestão, por vezes, fiquem algo a desejar e nos obriguem a uma constante supervisão. Porque se pensarmos que o mapa tem 46 cidades e 340 regiões, acreditem, toda a ajuda é pouca, e é fundamental aumentar o nosso território de maneira a que o nosso exército vá igualmente crescendo. E só para terem uma ideia da dimensão do jogo, existem mais de 1000 oficiais diferentes, sendo que cada um tem o seu próprio nome, perfil e características únicas.

Existe também um aspecto muito interessante, porque como Romance of the Three Kingdoms integra vários aspectos de um RPG, os seus personagens com maior protagonismo têm uma influência ainda mais relevante. Além das habilidades específicas de que cada um, quando certos personagens estão juntos em combate, as suas capacidades são ampliadas, podendo mesmo ditar o resultado de uma batalha.

Mas nem se só de batalhas se faz uma guerra, e grande parte da campanha centrar-se-á na nossa habilidade para a diplomacia, sendo que saber negociar será tão ou mais indispensável que resolver todo e qualquer assunto recorrendo às armas. Teremos cinco opções para que possamos escolher qual a mais apropriada para determinada circunstância, assim como as relações com outras facções, que terão um papel preponderante no sistema político do jogo.

Quanto ao aspecto gráfico e sonoro, é o expectável para um jogo de estratégia, onde os menus e a acessibilidade acabam por ser o ponto mais importante. Ainda assim, tem o seu apelo visual, com a música e arte catalogadas num estilo inevitavelmente oriental. As animações das batalhas, embora não sejam muito complexas, servem o propósito do momento, quase sempre provocando aquele zoom curioso para que possamos ter uma noção do desenvolvimento da contenda.

Romance of the Three Kingdoms XIV, poderá não ser indicado para quem prefere a acção de um RTS, mas quem procura um tipo de estratégia de tabuleiro e mais direcionada para a gestão e planeamento a longo prazo, tem aqui uma interessante solução para imensas horas. A Koei Tecmo retorna aos elementos originais que deram nome à franquia, e fá-lo muito bem, construindo um sólido e complexo jogo de estratégia.

É a celebração de uma das mais perduráveis sagas de estratégia que traz mais um título à altura da reputação que foi conquistando com todo o mérito.