Developer: Pyramid Games
Plataforma: Xbox One, Xbox Series, Nintendo Switch e PC
Data de Lançamento: 22 de Setembro de 2021

Já foi considerado um nicho, mas parece que os jogos que têm “Simulator” como sufixo são cada vez mais frequentes. Alguns optam pela paródia, outros nem percebemos exactamente como conseguem investimento, no entanto, certos simuladores fazem questão que os levem bem a sério, como é o caso da franquia Farming Simulator, Car Mechanic Simulator, ou mesmo o Surgeon Simulator.

Rover Mechanic Simulator tenta pertencer a este último grupo, e embora a premissa seja algo incomum, há que dizer que consegue ser bastante interessante à sua maneira. Dá-nos a oportunidade de participarmos na campanha de exploração espacial, e ainda que seja numa função menos glamorosa, não deixa de ser uma das partes mais importantes em toda a expedição.

Sim, aqui somos um engenheiro da NASA, e um dos poucos que têm o privilégio de poder mexer num daqueles rovers que podemos ver hoje a tirar fotografias e a recolher dados na superfície de Marte. A humanidade é finalmente aquilo que estava destinada a ser, ou seja, uma espécie colonizadora de outros mundos, que agora se aventura até aos confins do sistema solar.

O nosso trabalho decorre na base marciana, onde seremos responsáveis por tratar das reparações deste tipo de robôs. Isto acontece num futuro em que estas máquinas não são exactamente topo de gama, e até estão algo desactualizadas, contudo, continuam a ter a sua utilidade e precisam de alguém que esteja familiarizado com uma mecânica tão específica.

Rover Mechanic Simulator tenta emprestar o máximo que pode da realidade. Um bom exemplo é que teremos cinco rovers bem conhecidos, como o Curiosity, o Perseverance, o Oportunity, o Sojourner e o Spirit. Inicialmente os problemas têm uma resolução relativamente fácil, porém, vão ficando mais complexos progressivamente, exigindo ranks (níveis de experiência) acima do nosso.

Todavia, a estrutura dos objectivos foi desenhada para que não nos sintamos perdidos ou incapazes. E além disso, até temos um pequeno rádio com cinco estações de música, para que possamos relaxar nos momentos de maior stress. Tudo é intuitivo o suficiente para que em menos de nada estejamos a usar as ferramentas como se sempre tivessem feito parte das nossas vidas.

Logo no começo teremos de criar o nosso perfil que nos dará a autorização necessária para operarmos as máquinas que farão parte do dia-a-dia. Depois, seremos encaminhados para a garagem onde praticamente passaremos o resto do jogo. Tudo é visto na perspectiva da primeira pessoa, e podemos deslocar-nos como bem entendermos dentro da garagem.

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 O tutorial é bastante eficiente a explicar-nos a lógica por trás da jogabilidade, e rapidamente ficamos prontos para a primeira ordem de entrega. Existem várias máquinas e plataformas instaladas pela garagem, onde cada uma delas será fundamental na resolução da avaria de cada rover. Depois de apresentados a cada uma delas, podemos então colocar mãos à obra.

De todas as ferramentas que temos à nossa disposição, destacam-se o MCU, que é uma crane (pequena grua), que usaremos para transportar objectos mais pesados; a PCB Table, onde iremos fazer a respectiva análise ao equipamento danificado e entender o problema; o Crusher, que servirá para reciclar as peças estragadas e recuperar alguns recursos; e o 3D Printer, para imprimirmos os componentes necessários para fazermos os reparos.

O processo é simples: encontrar a avaria identificando as peças que estão a causar a complicação, e substituí-las, criando novas. Em linguagem do jogo, é como se dividisse em três fases (Analytics, Dissembly e Assembly), processo esse que acontece nos respectivos menus, onde podemos consultar toda a informação que é pertinente. Existe a possibilidade de prometermos um serviço Premium, que consiste em efetuar o trabalho em tempo limite, o que por seu lado nos dará melhores recompensas.

Na verdade, cada serviço é como se fosse um quebra-cabeças mais complexo, porque não nos é dito exactamente qual a avaria que acompanha o rover. Será através da descrição dos problemas na análise preliminar que ficamos com uma noção de onde olhar primeiro, e o que requer a nossa atenção. No fundo, é como se fosse uma sequência de pequenos puzzles para irmos observando e resolvendo.

Cada trabalho concluído proporciona pontos de habilidade, que depois podemos usar em três tipos de upgrade (Analyst, Economist e Technician). Embora não sejam realmente essenciais e tenham um impacto evidente no modo normal, ajudam a acelerar certos processos e a poupar tempo que posteriormente poderão fazer diferença em alguns serviços Premium. Ainda assim, são upgrades bastante úteis do ponto de vista prático, já que certas funções mais básicas se tornam aborrecidas ao fim de algum tempo.

Graficamente não é algo possa ser propriamente elogiado, mas também ninguém esperava que fosse. É um simulador de um estúdio pequeno e independente, e como tal, a prioridade é que seja funcional. Mesmo assim, cumpre com os mínimos no plano visual e não envergonha ninguém.

A parte sonora resume-se sobretudo aos efeitos sonoros da jogabilidade e ao rádio. Como disse acima, temos cinco estações que abrangem alguns gostos musicais (Rock, Classical, Electro, Pop, Synthwave e Hip Hop). É tudo na base instrumental, e com muito poucas faixas, servindo essencialmente para nos fazer companhia enquanto pensamos.

Rover Mechanic Simulator tem uma dinâmica engraçada para quem gosta de puzzles e jogos para simplesmente passar o tempo e relaxar. Está bem conseguido naquilo a que se propõe e é mais um interessante exemplar para o género dos simuladores.