Developer: Koei Tecmo Games, Omega Force
Plataforma: PlayStation 4, Xbox One, Nintendo Switch e PC
Data de Lançamento: 27 de Julho de 2021

Quando oiço falar em videojogos desenvolvidos pela Omega Force, um estúdio da Koei Tecmo, a palavra que me vem logo à cabeça é Musou, um estilo que ficou celebrizado desde a criação de Dynasty Warriors por volta de 1997 e que consiste em combates em campo aberto de hack n’ slash, onde controlamos um personagem que vai lutar com centenas de inimigos que, na verdade, não são assim tão inteligentes. O estilo já esteve mais na moda do que atualmente e quando foi criado o primeiro Samurai Warriors, na PS2 e na Xbox, como um irmão mais novo de Dynasty Warriors, talvez a febre fosse outra.

Hoje em dia, o que tenho assistido é a uma reinvenção do estilo em jogos como Hyrule Warriors: Age of Calamity ou noutras colaborações da Koei Tecmo, como foi o caso de Persona Strikers. Aos poucos, parece que o Mousou ganha uma nova vida, novos fãs e novos jogos, continuando assim com uma das franquias mais icónicas dos videojogos com este Samurai Warriors 5.

O jogo, tal como os outros da franquia, ocorre no período de Sengoku, uma das fases mais conturbadas e instáveis da história do Japão, onde a desordem social se estende, criando várias guerras. Com estes tempos de turbulência, surgem sempre aqueles que se aproveitam para tentar subir ao poder em várias regiões e um deles é Yoshimoto Imagawa que enviou as suas tropas para escoltar Leyasu Tokugawa, uma herdeira poderosa, como refém. É aqui que entra em cena Nobunaga Oda, personagem com que iniciamos o jogo. Ele e o seu amigo de infância Toshile Maeda, vão se infiltrar no Exército Imagawa para resgatar Leyasu. Pelo caminho também vamos ter a perspetiva de Mitsuhide Akechi, um samurai com o seu destino ligado ao de Nobunaga.

A história pode parecer confusa, até pelos nomes usados, mas rapidamente ficam familiarizados com os personagens. Apesar do início ser com Nobunaga Oda, vamos, aos poucos, poder jogar com outras personagens, 27 no total, o que vai criando uma maior envolvência no jogo. A progressão é algo sustentada desde o início. Samurai Warriors 5 faz-nos passar por vários capítulos e à medida que avançamos, introduz novos elementos, desde personagens, a novas habilidades. 

Antes de avançar para um capítulo é necessário preparação e planeamento. Analisar o que é para fazer, ver o mapa e depois decidir qual a melhor equipa para ir a jogo, ou quais aqueles que gostamos mais de jogar. A variedade de estilos é mais relacionado com a arma e o poder que cada personagem usa, sendo que até a arma se pode mudar, embora nem sempre seja benéfico. Se Nobunaga Oda prefere uma espada de curto alcance, outros personagens equipam um arco ou outras espadas de longo alcance, por exemplo. A isto junta-se os poderes especiais que cada uma delas consegue fazer quando se enche a barra respetiva. Além de ataques e combos simples onde varremos centenas de adversários, podemos usar este especial para criar mais dano e fazer um brilharete. 

A isto podem juntar mais um leque de habilidades que se faz com uma combinação simples de botões. No caso da PlayStation, onde joguei, um toque no “R1” ativa logo mais quatro possíveis truques se carregarmos depois num dos principais botões. Isto dá mais diversidade ao jogo e aos poderes usados, embora no fim, o objetivo continua a ser varrer os adversários. Além destas dinâmicas, podemos ainda usar itens auxiliares que levamos previamente equipados para o mapa. Saber exatamente o que fazer é fundamental para conseguir concluir tudo num  bom tempo para termos, no final, um bom ranking, e assim ganhar mais dinheiro, que permite comprar mais armas, itens de energia, entre outras coisas. 

Um dos fatores que mais gostei neste Samurai Warriors 5 é que podemos mudar para o outro personagem que levamos para a  batalha quando quisermos e isso permite várias abordagens a cada vez que jogamos. Podemos ainda optar por lhe dar ordens, do género, esperar num certo local seguro para poupar energia, enquanto nós arranjamos solução para avançar ou deixá-lo em modo livre para fazer o que bem lhe apetecer. Para nos ajudar a andar mais rápido pelos mapas temos sempre um cavalo disponível que rápidamente aparece quando o chamamos. As mecânicas de luta a cavalo também são interessantes, mas não usei muitas vezes porque é mais limitado. Se quiserem jogar a dois, também é possível em muitos capítulos e nesse caso, cada um controla um personagem. Quanto ao nível de evolução de cada um, é claro que quanto mais jogarmos com um certo personagem, mais ele evolui, mas também vamos ganhando pontos para usar noutros à nossa vontade sem termos de estar sempre a jogar com os mesmos. 

Paga-nos o café hoje!

Além da história principal que o jogo chama de Musou Mode, existe o Citadel Mode, onde vamos construindo um castelo a bem dizer, no qual podemos partir em missões para ganhar recursos, dinheiro e experiência suficiente para evoluir a nossa fortaleza, construíndo estábulos para melhorar o cavalo, ou outras coisas como aperfeiçoar as armas e por aí fora. Acaba por ser um complemento à história principal e mesmo depois de a terminar, pode ser mais um passatempo para se continuar a jogar.

A espera de sete anos depois de Samurai Warriors 4 talvez fosse necessária para dar uma nova vida e forma à franquia e acho que resultou bem, porque, além de continuar divertido, vai buscar características a jogos mais recentes para aperfeiçoar e diversificar um jogo que podia simplesmente ser igual aos outros. O grafismo aposta numa mistura de anime puro com algum classicismo cinematográfico de filmes sobre o tempo dos samurais, enquanto passamos por diálogos longos com caixas de texto, que sinceramente, às vezes dão vontade de passar à frente.

A parte má deste tipo de jogo é que acaba por ser muito igual entre capítulos: varrer tudo, passar bosses e repetir a receita noutro mapa. A parte tática ainda ajuda a não ser tão igual, mas nas lutas com as dezenas de inimigos que nos aparecem, eles fazem todos o mesmo movimento quando levam com algo em cima. É como se tivéssemos só a bater em apenas um, porque os outros são autênticas fotocópias se estiverem no alcance do ataque. São limitações deste género que a franquia Warriors nos foi habituando ao longo do tempo, por isso já sabem com o que contar, mas não deixa de ser algo a melhorar.

Divertido e capaz de nos prender por longas horas, Samurai Warriors 5 mostra que o estilo Musou não está morto, mas sim reinventado para toda uma nova geração de jogadores sem esquecer os fãs antigos que continuam a gostar do estilo. Hack n’ slash é a palavra de ordem, num jogo que, apesar de ser mais virado para o arcade, tem a sua parte de estratégia. Apesar da história clichê, achei bastante interessante, mas o melhor de tudo é poder experimentar diversas personagens ao longo da aventura.