Developer: Uprising Studios / Handygames
Plataforma: PC
Data de Lançamento: 23 dezembro de 2021

Por vezes estamos tão embrulhados no nosso trabalho aqui no Salão de Jogos, que alguns jogos podem passar um pouco despercebidos, outras vezes é apenas a necessidade de algo singular, relaxante e bonito que nos faz olhar para jogos que transmitam essa sensação, e Scarf é a junção das duas coisas.

O jogo foi desenvolvido pela Uprising Studios, um pequeno estúdio em Salamanca composto por sete pessoas e publicado pela Handygames uma subsidiária da THQ Nordic. É realmente impressionante o que sete pessoas conseguiram fazer nesta proposta bastante original, misteriosa e muito relaxante.

A história do jogo é relativamente simples de apresentar, mas é muito mais complexa do que é apresentado a princípio do jogo. Basicamente encarnamos num pequeno ser azul que tem um buraco no seu peito, um Nomad.

Ao início não sabemos mais nada do que isso e de que a figura que nos acompanha ao longo de todo o jogo, um dragão alado laranja, uma espécie de entidade mágica que se pode transformar de variadas formas precisa de voltar a casa para tentar voltar para a sua mãe.

No entanto há uma possibilidade da mãe desta entidade ter sido devastada pela raça deste nosso herói azul. Será esse mistério, essa premissa de dois seres tão diferentes e abandonados pela sorte, terem apenas um ao outro na tentativa de voltar para casa para junto dos seus, que os une ao longo de todo o jogo, existindo dois finais possíveis devido às decisões que iremos tomar mais lá para a frente.

Por isso o começo pode ser um pouco estranho e atribulado, mas rapidamente apanham o jeito. Existe uma zona central que nos vai dar acesso a três mundos, através de três portais que apenas podem ser acedidos se conseguirmos esferas mágicas e o tecido de que é feito este dragão alado que será o nosso cachecol. Se conseguirmos reunir os materiais necessários vamos conseguir abrir o portal que nos levará de volta a casa e de volta à  mãe do nosso Scarf.

O primeiro mundo que vamos desbloquear é o do Oceano, que nos vai introduzir os conceitos básicos deste jogo de plataformas 3D cheio de puzzles. Obviamente vamos andar aos pulos pelas plataformas mas rapidamente ganhamos a nossa primeira habilidade, isto é, o duplo salto que aqui é representado pelo nosso cachecol a criar umas pequenas asinhas.

Ainda neste primeiro mundo somos apresentados aos Inks, são memórias em tinta dos quais o nosso cachecol tem um medo paralizador, tanto que nos tenta estrafegar para não irmos ao seu encontro, como nos abandona se as quisermos efectivamente ativar. Para além disso percebemos também que há desenhos que podemos recolher em cada um dos mundos para percebermos um pouco mais da antiga civilização, assim como uns brinquedos que funcionam como colecionáveis.

O jogo todo desenvolve-se perante puzzles de ambiente, onde em determinado ponto do cenário vamos ativar uma alavanca que vai dar acesso a uma nova área onde precisamos de apanhar um item que nos ajudará a chegar mais perto do objetivo de recolher mais esferas e tecido para ativar o portal final. Se não é isto, será algo parecido com isto, com puzzles de fazermos corresponder figuras de pinturas com blocos no chão, carregar cristais para ativar plataformas invisíveis ou sequências correctas de saltos em plataformas e afins.

Os três mundos, que para além do Oceano será o Deserto e a Selva, funciona perante esta mesma premissa de puzzles e plataformas, onde em cada mundo vamos ganhando mais habilidades para o nosso cachecol, ou novas formas de transformação ou do seu uso, se preferirem, e isso faz com que o jogo das plataformas se vá alterando e nos vá mantendo sempre ligado ao seu desenvolvimento.

Entre algumas das habilidades está o facto do nosso cachecol alado transformar-se numa espécie de asa delta para planarmos sobre superfícies e chegarmos a plataformas perante a corrente do vento, utilizarmos o cachecol como fisga para sermos atirados de uma plataforma para a outra ou até transformar-se numa liana para nos balançarmos entre plataformas. Como é habitual neste género, algumas habilidades, como são desbloqueadas conforme avançamos no jogo, vão-nos fazer voltar aos mesmos locais para acedermos a zonas que anteriormente não conseguíamos, de forma a recolher colecionáveis ou as tais Inks que já referimos.

É nesta premissa de constante desenvolvimento da nossa personagem e do seu cachecol alado em que nos vamos movendo ao longo do jogo, sempre na perseguição da compreensão real da história destas duas personagens até à sua conclusão, que demorará entre as 4 e as 6 horas, até chegarmos ao seu fim, melhor dizendo a um dois finais possíveis e que vão depender apenas de nós, qual vamos escolher.

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Scarf é um daqueles jogos que anda de mãos dadas com outras referências do género como Journey ou Flower, onde a viagem é o mais importante e a moralidade associada acaba por nos dar o devido propósito de o jogar. É relaxante, é contemplativo, é poético, acompanhado de uma bonita banda sonora que nos vai proporcionar umas boas horas de jogo com um sorriso estampado na cara.