Developer: Hologryph, Eerie Guest Studios
Plataforma: Nintendo Switch
Data de Lançamento: 26 de agosto de 2021

A franquia dos jogos Hello Neighbor ganhou grande notoriedade ao longo destes anos, e isso fez com que aparecesse Secret Neighbor, uma espécie de spinoff do jogo original, mas totalmente online. Neste jogo, vamos ter uma equipa de 6 crianças a tentar cumprir uma determinada tarefa, e onde no meio delas está o vizinho disfarçado. E por isso mesmo, o seu objectivo será derrotar as crianças num determinado tempo limite.

Por outro lado, as crianças querem encontrar as 6 chaves necessárias para abrir a cave onde o malvado vizinho prendeu alguém que nós tentaremos libertar. A ideia é bem pensada, e até poderia funcionar muito bem, no entanto, é algo que infelizmente não acontece, e muito por culpa dos jogadores que decidem não absorver o conceito do jogo, e estragam qualquer possibilidade de divertimento. E provavelmente já estão a pensar neste jogo como um Among Us, e fazem bem, porque na verdade a ideia é um pouco essa, embora aqui tenham uma visão em primeira pessoa.

Lamentavelmente, o jogo começa logo mal, já que nem uma espécie de tutorial existe para explicar as ideias e o básico ao jogador, já que ao chegarem ao jogo são logo jogados aos lobos, sem perceberem muito bem o que se está a passar. Caso na vossa equipa apareçam 2 ou 3 jogadores que estão também pela primeira vez ali, basicamente ficam uns a olhar para os outros, e depois começam a explorar os locais, ao mesmo tempo que são atacadas por outra criança, sem perceberem imediatamente a razão; algo que acabam depois perceber, uma vez que essa criança é o vizinho disfarçado que vos fez a folha.

Pela razão de ser possível atacar os jogadores directamente, sem ser apenas com armadilhas, o jogo falha bastante no divertimento. E para perceberem o que quero dizer com isto, vou dar-vos um exemplo que me aconteceu:

Neste jogo, as 6 crianças começam todas juntas, o que é prejudicial, já que o vizinho já está ao vosso lado, logo, se ele tiver uma fisga, por exemplo, facilmente derrota todas as crianças sem grandes problemas. Sendo possível começar já com um objecto e este ser uma arma, não faz sentido algum as crianças estarem juntas, e seria muito mais lógico estarem espalhadas pelo mapa.

Depois, por ser um jogo de sobrevivência, é bastante escuro, e caso não estejam sempre com uma lanterna, chegam a ficar presos nas salas, sem perceberem onde está a porta para saírem dali. Devo confessar que me divirto bastante com jogos como Among Us ou Project Winter, porém, isso não aconteceu com Secret Neighbor, o que apenas serviu para me frustrar.

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O jogo oferece imensas possibilidades, e podem agarrar em quase tudo o que conseguem ver; conseguem abrir gavetas, abrir portas, atirar objectos contra coisas ou contra outras crianças, criar armadilhas, entre outras coisas. Ainda assim, todas essas possibilidades não foram capazes de oferecer um jogo divertido e que dê aquela vontade de jogar vezes sem conta, até porque, muitas vezes, o trabalho em equipa não funciona, já que cada um “vai à sua vida”.

Por outro lado, ser o vizinho é engraçado, principalmente se jogarmos com a cabeça, e de maneira a tentar enganar todas as outras crianças, como por exemplo encontrar uma chave, indicar onde esta está, e colocar umas armadilhas no caminho para ela. São maneiras divertidas de jogar e de conseguir ter sucesso, sem usar os problemas do jogo, que apenas levam à frustração de quem está ali para passar um bom bocado.

Jogando com as crianças é interessante quando encontramos uma equipa que se ajuda e tenta alcançar os objectivos em conjunto, até porque é nessa altura que é mais fácil descobrir o vizinho, sendo que este, muitas vezes, tenta afastar-se, e fica mais fácil perceber quem é o impostor.

Quando tudo corre bem, isto é, quando todos os jogadores estão ali para jogar de forma correcta, o jogo torna-se grandioso e vale a pena, como um jogo do gato e do rato, cujo gato (o vizinho), vai fazendo o seu jogo de paciência, de maneira a derrotar as crianças uma a uma.

As crianças não são todas iguais, e cada uma tem as suas habilidades. Podemos até escolher a passiva que entendermos, o que significa que mesmo existindo 2 personagens iguais, as passivas podem ser diferentes, logo vão conseguir fazer coisas diferentes. Como crianças temos então o Ensacador, o Valente, o Detective, o Inventor, o Líder e o Batedor. Já do lado do vizinho, temos três possibilidades: o Vizinho, o Carniceiro e o Palhaço.

Graficamente o jogo apresenta um estilo cartoon, com as coisas a terem formatos fora do normal. Quando conseguimos ter luz, podemos ver que tudo está bastante interessante e bonito, mas a verdade é que quase todos os locais são bastante escuros, e sem uma lanterna não dá para apreciar os cenários na sua totalidade.

Falando em concreto da Nintendo Switch, o jogo corre sem qualquer problemas, seja em modo dock, ou em modo portátil. Nunca notei grandes problemas, e mesmo a jogar por wireless nunca tive grandes problemas de lag. Quer isto dizer que jogar na Nintendo Switch, ou noutra consola qualquer, as diferenças não poucas ou quase nenhuma.

Secret Neighbor tinha todos os ingredientes para conseguir ser um excelente jogo, mas infelizmente isso não acontece. Tem alguns problemas, e a maioria dos jogadores não sabe usufruir do jogo. Provavelmente, a única maneira de acabar com esses problemas, terá de ser uma actualização que retire algumas possibilidades a quem joga com o vizinho, para tornar o jogo mais divertido e justo.