Developer: Crea-ture Studios, Nacon, Maximum Games
Plataforma: PlayStation 5, Xbox Series X|S, PC, PlayStation 4, Xbox One
Data de Lançamento: 22 de Setembro de 2022

Quando oiço falar em jogos de skate, a minha mente é imediatamente transportada para Tony Hawk ‘s Pro Skater, um jogo mais virado para o arcade, que marcou, sem dúvida, uma geração de jogadores e que certamente levou muitos a tentar imitar aquele que é considerado um dos melhores, ou mesmo o melhor de sempre neste desporto radical.

Agora os tempos são outros e em Session: Skate Sim, a proposta é bastante diferente. Já não basta carregar num botão para fazer um truque que pode parecer impossível, aqui as coisas querem ser mais difíceis, mais viradas para a simulação, bem ao jeito da franquia Skate da EA, mas ainda um pouco mais complicado, ao ponto de frustrar facilmente quem está a tentar dar os primeiros passos no jogo.

Desde a sua aparição com as versões Early Access se percebeu que estávamos perante algo que requer muita prática, muito falhanço e muitos trambolhões à mistura. A equipa da Crea-ture avisa desde logo que o jogo é para duros e que a sua linha de aprendizagem é longa e lenta. Se estiverem dispostos a arriscar, seguimos juntos.

Preparem os analógicos porque são eles que vão controlar os pés do nosso skater, bem como os gatilhos que vão servir para controlar as mudanças de direção. O equilíbrio em cima do skate até é relativamente fácil, mas basta encontrar um simples obstáculo, como um lancil, uma escada ou um ferro para ir facilmente ao chão se não usarmos os analógicos.

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A lista de truques de Session: Skate Sim é vasta, ainda que possa parecer curta se pensarmos que apenas temos dois analógicos. Isto acontece dadas as variadíssimas combinações que se podem fazer, desde levantar o manípulo esquerdo para cima e o direito para baixo, um para esquerda e o outro para cima e por aí fora. Desde o ollie, nollie, reverses, manuais ou slides, tudo se faz com o devido treino. Para isso ajuda-nos o tutorial inicial, no qual, antes de começar a jogar, nos pergunta em que nível queremos jogar, mas atenção que mesmo no modo Fácil, as coisas são difíceis. Esta introdução leva-nos a fazer os truques simples e sobretudo a saber andar em cima do skate sem embater regularmente contra objetos. Esta parte inicial podia e devia ser ainda mais ambiciosa e ensinar mais os jogadores, antes de partirem para outras aventuras.

Passada esta fase vamos andar por diversas zonas do mapa que tem como fundo três cidades: Nova Iorque, São Francisco e Filadélfia. Existem missões por lá para completarmos, mas sinceramente não é um modo história que nos deixa agarrados horas a fio. Desfrutar mais da liberdade parece-me a melhor maneira de passar o tempo em Session: Skate Sim. Desde as primeiras missões de criação do nosso personagem, rapidamente aparecem as que temos de fazer determinados truques. Nada de mal na teoria, mas na prática, o que parece simples, pode tornar-se muito complicado, devido a erros que devem ser corrigidos no futuro. O primeiro é que o diálogo com a pessoa que nos dá a missão apenas acontece uma vez, ora ou se lembram de tudo o que ele disse, ou não há cá repetições de discurso. O que nos salva é que aparece de forma sucinta os truques que temos de efetuar, mas nem sempre é assim tão claro. E a outra reclamação vai para o facto do jogo não reconhecer os truques que estamos a fazer, dando a sensação que estamos a realizar tudo bem, mas o jogo não assume. Acaba por ser um pouco aborrecido. 

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Fora dessas missões, podemos andar livremente pelo mapa a pé e escolher os nossos próprios spots para praticar e passar um bom bocado, tentando sempre aperfeiçoar a nossa técnica e claro divertirmo-nos acima de tudo. Allgo que acontece de forma mais regular à medida que vamos sabendo jogar melhor. Podemos ainda editar as cidades com a colocação de objetos, tais como corrimões, rampas ou simples cartazes, por exemplo. Tal como qualquer aspirante a ser uma vedeta do skate podemos fazer vídeos e editá-los. Há muitas opções para tornar os nossos momentos inesquecíveis, desde logo com a colocação de filtros de imagem, ângulos de câmera, slow motions, entre outros efeitos. Esta é uma parte onde os jogadores podem passar algum tempo, uma vez que não há modo online nem multiplayer.

As opções de Session: Skate Sim são praticamente todas editáveis, até mesmo os analógicos que em vez de funcionarem como pé direito e pé esquerdo, passam a funcionar como pé da frente e pé que está atrás em cima do skate. Isto pode ajudar a fazer alguns truques. A gravidade também pode ser alterada e mais uma data de definições que podem ajudar a melhorar a experiência deste simulador. 

Uma das coisas que me meteu mais confusão foi ver a falta de vida nas cidades. Não há carros a andar, há poucas pessoas a andar de skate e tudo parece estático. A banda sonora dos trailers também engana bem a que está disponível no próprio jogo porque depois de ouvir Idles ou Kasabian, esperava uma playlist mais virada para o rock, mas afinal soa mais a chillout. Não é propriamente má, mas estava à espera de outra coisa pelo que tentam vender. 

Quanto à imagem, o grafismo é relativamente bom, nomeadamente quando jogamos à noite, onde a iluminação assume um papel fundamental para embelezar o jogo. Os movimentos de câmera são totalmente geridos por nós e regra geral, funciona bem, excepto em raras excepções.

Session: Skate Sim é um puro simulador que vai agradar aos mais puristas do skate e a quem gosta de desafios extremos. Pelo contrário, não será certamente para aqueles que estavam habituados a jogar Tony Hawk’s Pro Skater. Assume-se no mercado como alternativa ao jogo arcade e antecipa-se ao futuro jogo da EA que dá pelo nome, imagine-se, de Skate, que também vai seguir uma lógica de simulação, mas que será gratuito. Se já houve alturas em que a oferta destes jogos era nula, estes parecem ser bons tempos para os apreciadores da modalidade se dedicarem a um jogo que os compreende bem.