Developer: Cygames
Plataforma: Nintendo Switch
Data de Lançamento: 13 de agosto de 2021

Podem nunca ter jogado, mas Shadowverse é, provavelmente, um nome que já entrou pelos vossos ouvidos dentro. Principalmente para aqueles jogadores que são fãs de jogos de batalhas de cartas, como é o exemplo de Magic: The Gathering um dos mais conhecidos e conceituados jogos deste género.

Shadowverse foi lançado em 2016 para dispositivos móveis, e é um jogo gratuito com conteúdo para comprar ingame, onde os jogadores têm diversos baralhos, podendo editá-los, e claro, batalhar uns contra os outros. O sucesso do jogo foi bastante grande, principalmente em terras nipónicas, fazendo com que a Cygames e a Zexcs chegassem a acordo na criação de uma série anime com o mesmo nome, e que desde 2020 é emitida pela TV Tokyo.

Shadowverse: Champion’s Battle oferece aos jogadores da Nintendo Switch o melhor dos dois mundos, uma história onde os protagonistas do anime estarão presentes – Hiro Ryūgasaki, Mimori Amamiya, Kazuki Shindou, Alice Kurobane e muitos outros – e também os cenários bem conhecidos como a Tensei Academy, a cidade e outros locais. Depois como a cereja no topo do bolo, temos então as batalhas de cartas que o jogo dos dispositivos móveis oferece aos jogadores.

O jogo começa tal como se de um anime se tratasse. Uma bela cutscene onde um jovem – o protagonista – está a chegar a uma metrópole cheia de arranha céus e publicidades espalhadas por toda a cidade, com especial destaque para uma enorme publicidade de Shadowverse. O jovem vem estudar para a Tensei Academy e estando longe da sua cidade fica hospedado no dormitório da academia. É logo no primeiro dia de aulas que conhece Hiro Ryūgasaki e este lhe apresenta alguns dos seus amigos, e claro o seu jogo preferido e a sua grande paixão, Shadowverse.

É a partir dai que o jogo começa a oferecer o desafio, já que teremos de perceber as regras do jogo, com uma espécie de tutorial onde fazemos alguns jogos de Shadowverse com alguns dos protagonistas bem conhecidos da série anime. Não é passado muito tempo que estes estudantes decidem criar um clube de jogadores de Shadowverse, e é aqui que se inicia verdadeiramente a história do jogo, uma vez que a presidente da Tensei Academy – Kagura – apenas admite que exista um clube de Shadowverse na escola, caso este tenha 7 membros e que participemos com sucesso no campeonato de Shadowverse.

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Não vou alongar mais a história, sendo que é aqui que tudo se começa a desenrolar, com diversas batalhas importantes e claro, conhecer muitos personagens, desfechos que não imaginávamos e algumas surpresas interessantes.

Antes de entrarmos nos pormenores de Shadowverse, para quem não conhece, o resto do jogo funciona de maneira bastante simples. A história principal, e também algumas quests secundárias, todas elas que nos oferecem dinheiro, cartas para os nossos decks ou mesmo pacotes de cartas. Ao longo dos diversos locais que podemos percorrer, quer seja a Tensei Academy, ou outros locais da cidade, ou mesmo do dormitório, vamos encontrando também itens que nos oferecem exactamente o mesmo: dinheiro, cartas e pacotes com cartas; para isso, basta estarem atentos a todos os locais.

Embora o jogo tenha diversos locais para explorar, todos eles são bastante pequenos, e para perceberem o que quero dizer, por exemplo a Tensei Academy, tem 4 andares, o recreio, e depois diversas salas, e cada vez que passamos de um local para outro, teremos um loading que serve para o jogo mudar de local. Felizmente, os loadings não são muito demorados, logo não estraga a progressão nem a acção.

Mas vamos então ao que fará os jogadores quererem adquirir este jogo, que tem a ver com o jogo de cartas Shadowverse. Neste, tal como noutros jogos deste género, teremos combates de 1 vs 1 onde cada jogador tem um deck com 40 cartas e 20 pontos de vida. O objectivo final é acabar com os pontos de vida do jogador adversário. As regras são bastante simples, existem três tipos de cartas (criaturas, magias e amuletos) para invocarmos, e para isso precisamos de um determinado valor de mana que ganhamos a cada turno, isto é, cada turno que passa, é aumentado um valor de mana, até a um máximo de 10. E em todas as cartas aparece no canto superior esquerdo o número de mana necessário para as invocar.

Outro ponto interessante tem a ver com a evolução das criaturas, dado que todas as criaturas podem evoluir a partir do 5º turno de jogo, mas apenas podemos evoluir uma criatura por turno, e no máximo de 3 criaturas por jogo. Essa evolução irá melhorar as criaturas, tanto no seu poder de ataque como na sua defesa, mas também lançando muitas vezes magias ou mesmo melhorando cartas à sua volta. Embora o ataque das criaturas não seja modificado (a não ser que alguma magia seja invocada), a defesa é modificada conforme atacamos ou defendemos, isto é, sempre que uma criatura leva dano, este será permanente; imaginemos uma criatura com defesa de 6, se levar 3 de dano, então a sua defesa ficará para sempre de 3. Sempre que uma criatura chega a 0 na sua defesa, então essa criatura morre e vai para o cemitério.

Outra componente extremamente interessante de Shadowverse, tem a ver com a divisão de cartas. Todas pertencem a um grupo, e ao todo existem 7 grupos, cada um deles com o seu tipo de magias, criaturas e amuletos. Temos então o Forestcraft, Swordcraft, Runecraft, Dragoncraft, Shadowcraft, Bloodcraft e Havencraft, e é importante não partirem do princípio que um dos grupos é melhor do que o outro, visto que tem muito a ver com as estratégias que gostamos de usar, e também com alguma sorte no início do jogo.

De maneira simples, podemos dizer que o Forestcraft usa todo o tipo de cartas, sendo óptimo para que gosta de ter muitas cartas invocadas, e também muitas cartas na mão para escolher. Apesar de não existirem cartas com valores muito altos no que toca à defesa e ataque, a verdade é que conseguimos estratégias que, por vezes, deixam os adversários sem saberem para onde se virar.

O Swordcraft é dos grupos mais simples de se jogar, seja na criação de um deck, mas também nas estratégias que podemos usar. Além disso, consegue ser bastante agressivo, focando-se muito nas nossas criaturas, e no melhoramento das mesmas.

Quanto ao Runecraft, é virado para aqueles jogadores que gostam das magias que conseguem virar um jogo a qualquer momento. É provavelmente um dos baralhos que dá mais prazer jogar, mas é um dos mais difíceis já que é necessário ter estratégias bem pensadas para termos sucesso, e conseguir um deck com cartas que combinem bem. Consegue muitas vezes vitórias fáceis e rápidas.

Já o Dragoncraft é focado em criaturas bastante fortes. É um daqueles grupos que só lá para a quinta ou sexta ronda conseguimos começar a dominar o jogo e a meter medo ao adversário. Diria que não é um bom grupo para jogadores iniciantes, pelo menos até dominarmos algumas técnicas e termos algumas cartas essenciais para criarmos o nosso deck.

O Shadowcraft diria que é um misto interessante dos demais grupos. Consegue usar um pouco das técnicas de todos os outros, já que mesmo jogadores que usem este grupo conseguem fazer decks com estratégias bastante diferentes uns dos outros, o que torna sempre as lutas diferentes e interessantes.

Existe ainda o Bloodcraft, e devo confessar que é um dos meus grupos favoritos. Consegue ser bastante poderoso desde o início do jogo, e se estivermos abaixo dos 10 pontos de vida, começamos a perceber exactamente onde está o poderio deste grupo, com cartas cheias de truques na manga.

Por último, temos o Havencraft, que se foca imenso em amuletos. Os amuletos são cartas diferentes das já mencionadas, já que não podem sofrer dano das criaturas adversárias, porém, também demoram vários turnos até poderem ser usados. Por vezes invocam criaturas, outras vezes invocam magias. É um excelente deck, mas requer boas estratégias para conseguirmos ter sucesso, bem usado pode ser avassalador.

Falando ainda das cartas, vamos ter mais de 600 cartas espalhadas por estes 7 grupos, onde podemos ter vários decks criados e podemos escolher cada um deles para quando acharmos mais apropriados. Para obter as cartas a maneira mais fácil teremos de combater contra outros jogadores e comprar pacotes de cartas.

Algo interessante neste jogo é que além de termos toda uma história offline, existe a componente online onde podemos batalhar contra outros jogadores, subir nos rankings e até objectivos diários para completarmos e com isso ganharmos recompensas. É um daqueles jogos que não se ficam pela sua história, mas que tem um tempo infinito de jogo, devido a toda a componente online.

O maior defeito que encontrei tem a ver com a obrigatoriedade de por vezes andarmos a lutar com todos os npcs que encontramos para conseguir melhores cartas de modo a obter um deck competente e ultrapassar o npc que nos permite avançar na história. E isso é algo que às vezes causa alguma frustração cortando a imersão da história.

Graficamente, está bastante bem conseguido, sendo um jogo sempre com uma abordagem bem agradável, cenários interessantes, e animações muito boas que por vezes parecem saídas do anime, com as lutas de Shadowverse bem criadas, com bons efeitos e boas animações.

Shadowverse: Champion’s Battle é pensado para os amantes de jogos de batalhas de cartas. Por ser um jogo com alguns anos, os seus grupos de cartas são bastante equilibrados. Obriga a muitas horas de jogo, seja online, como offline, para conseguirem obter um deck competente, no entanto, consegue ser bastante viciante.