Developer: Nerd Monkeys
Plataforma: Nintendo Switch
Data de Lançamento: 01 outubro de 2021

“Macacos me mordam” – aquela expressão que usamos quando não estamos a acreditar no que estamos a ver. Devo confessar que foi mais ou menos como fiquei quando comecei a jogar esta colecção de 5 pequenos jogos da Nerd Monkeys para a Nintendo Switch. E sendo muito fora daquilo que é mais convencional, uns vão achar que é resultado de uma imaginação fértil, e outros provavelmente vão achar que será uma casca de banana no seu caminho – se é que me entendem.

Eu próprio não sei ainda muito bem o que achar. Alguns jogos achei divertidos e interessantes, outros pensei apenas “porque raio alguém se lembrou de fazer algo assim?”. Mas vamos lá aos jogos: teremos então 5 pequenos jogos, são eles: The Good Time Garden, Swallow the Sea, A Game About Literally Doing Your Taxes, Ghostein e Uranus.

Começando por Swallow the Sea, é uma ideia engraçada, que nos faz lembrar a evolução da vida que aprendemos na escola. Somos uma espécie de micro-ser que vive dentro de água e o nosso objectivo é sobreviver e ir evoluindo, isto é, teremos de nos alimentar de outros seres mais pequenos para evoluir, e claro, fugir dos predadores que vamos encontrando pelo caminho. Durante esse percurso, e com o avançar do tempo, e com a alimentação do nosso ser, vamos ficando maiores, passando a ser os predadores de muitos dos seres que nos tentavam comer.

Além disso, vamos viajando por aquele lugar, encontrando novas formas de vida, novos predadores e por aí adiante. O objectivo é conseguirmos “nascer”. A jogabilidade é bastante boa, e podemos andar facilmente com o analógico, e dar uma espécie de dash ao carregar nos botões (seja ele qual for).

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A Game About Literally Doing Your Taxes é provavelmente um dos jogos mais fáceis e curtos que vão encontrar na colecção. Estamos numa secretária repleta de cartas e papelada, e o objectivo é distribuir cartas “importantes” – as que serem para pagar/receber taxas – para o lado esquerdo, e publicidade e outras coisas menores relevantes para o lado direito, basicamente este é o lado de descartar conteúdo. No fim de cada dia, aparece o valor que recebemos/pagamos de taxas, o importante aqui é ter o cuidado para não deitar fora cartas importantes, e não colocarem coisas inúteis como publicidade e outras cartas sem interesse no molho de cartas importantes.

Com o avançar do jogo começam a acontecer coisas estranhas. O nosso personagem envelhece, e o jogo tem uma conclusão que cada um poderá tirar por si só, não mostra texto ou o que quer que seja como conclusão, mas é facilmente perceptível que tenta enviar uma mensagem ao jogador. Cada um tirará a sua conclusão.

Passando para Uranus, diria que é uma espécie de “rebenta olhos”, e passo a explicar:

Estamos perante um jogo de caça do rato e do gato, mas em que ambos são ratos e gatos ao mesmo tempo, isto acontece porque este jogo é constituído por duas partes, ou melhor o ecrã está sempre dividido em duas partes, mas o conteúdo em ambos os lados é praticamente o mesmo. Temos uma esfera com 2 olhos e com uma espécie de cauda. Conseguem imaginar um espermatozóide com asas? Então é isso mesmo.

O objectivo aqui é conseguirmos fugir do olho e da cauda que está do outro lado do ecrã, ao mesmo tempo que o olho do outro lado do ecrã tenta fazer o mesmo, ou seja, tenta fugir igualmente da nossa cauda e do nosso olho. O jogo pode ser jogado em single player ou em multiplayer, só tem de passar um Joy-Con a outro jogador e aí tudo se torna um pouco mais divertido.

A jogabilidade é de fácil percepção. Temos então o analógico para nos movimentarmos e um botão de dash que também serve de bomba. Quem vencer o olho adversário 7 vezes vence o jogo.

O penúltimo jogo é The Good Time Garden, onde uma espécie de ser com tromba de elefante vagueia por aquele local. As nossas habilidades, se podemos dizer habilidades, é deitar uma espécie de gosma pela tromba e apanhar itens. Ao deitarmos essa gosma em certos locais, faremos crescer algumas plantas ou surgirem do chão para as podermos apanhar. Ao as apanharmos, podemos oferecê-las a outros seres que nos vão abrindo caminho. O jogo tenta apresentar uma espécie de quebra-cabeças aos jogadores, já que não fazemos ideia do que temos de fazer; não existem informações, não existem ajudas, nada.

Terá de ser a vossa imaginação, e o vosso nível “nerd” a tentar perceber o que têm de fazer para avançar no jogo. Se em alguns casos é fácil percebermos o que temos de fazer, noutros é “apenas” frustrante e abstracto.

Para finalizar, temos Ghostein, que é, provavelmente, o mais “normal” de toda a colecção. Aqui, seremos uma espécie de fantasma que tenta ajudar uma criança a fugir de uma instalação militar, tanto de dentro do edifício onde se encontra, mas também dos arredores da mesma instalação. A nossa ajuda será através da colagem de cartazes que dizem para ela andar para a direita, andar para a esquerda, parar e se esconder. Ao mesmo tempo, temos militares a fazer vigilância dos locais, que é o que dificulta a nossa tentativa de escapar, além de também apenas podermos colar os cartazes quando temos algum objecto de fundo, seja ele uma árvore, uma parede, etc.

O jogo tem uma clara inspiração na ditadura nazi, pelo menos é a impressão que passa para o jogador. Além disso, é o jogo que facilmente percebemos que tem uma história, já que conforme vamos progredindo vamos percebendo que este jovem e o seu pai foram presos por este regime, e que o pai desta criança foi morto. Nós somos a alma do seu pai, que tenta ajudar o seu filho a fugir daquele local.

A jogabilidade é bastante interessante, muito intuitiva e rapidamente percebemos como tudo funciona.

Um ponto que não achei positivo foi o progresso nos jogos não ser salvo. Eu bem sei que os jogos são pequenos, mas a verdade é que muitos jogadores levam a Nintendo Switch para todo o lado para poderem jogar um pouco nos tempos mortos, e isso significa que num momento podem estar a jogar e no outro terem algo para fazer. Não havendo maneira de salvar o progresso, por muito que os jogos sejam pequenos, é um pouco frustrante ter de começá-los sempre do início.

Graficamente, todos os jogos são em pixel art, uns com um nível de detalhe melhor que outros, mas todos eles são competentes nesse aspecto. Bem sei que esta é uma arte que não é consensual entre os jogadores, já que muitos preferem gráficos incríveis mesmo que os jogos sejam bastante fraquinhos, e outros focam-se mais numa jogabilidade boa e num jogo interessante, mesmo que graficamente os jogos não sejam tão atractivos. Como se diz em bom Português, “cada cabeça sua sentença”.

Falando em Português, onde está a alma portuguesa na Nerd Monkeys nesta colectânea? Tantos portugueses envolvidos no desenvolvimento destes jogos, seja na parte gráfica, na programação, entre outras coisas, e depois a nossa língua foi esquecida. Foi um ponto em que os “macacos nerds” portugueses falharam.

Short Games Collection não é propriamente uma colectânea incrível, comparado com outros trabalhos da Nerd Monkeys, devo confessar que ficou aquém das expectativas, provavelmente porque esperamos sempre algo grandioso deste estúdio português, mas para o seu preço, os jogadores também não estariam à espera de jogos do outro mundo. É uma colectânea que serve para termos uns joguitos para matar os tempos mortos.

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