Developer: CI Games
Plataforma: Xbox One, Xbox Series, PlayStation 4, PlayStation 5  e PC
Data de Lançamento: 4 de Junho de 2021

É uma franquia que sempre foi tentando ideias diferentes dos típicos FPS’s, e é, provavelmente, a experiência mais próxima da realidade que temos de um atirador furtivo em cenário de guerra. No entanto, nunca soube encontrar o caminho que mais fizesse sentido, até a CI Games ter optado por um reboot com Sniper Ghost Warrior Contracts, lançado há dois anos.

Foi aí que começou a estabelecer-se verdadeiramente, utilizando um formato de contractos, similar ao que temos em Hitman. Numa abordagem tática ao extremo, onde o reconhecimento do terreno é um dos aspectos fundamentais, Sniper Ghost Warrior Contracts 2 (SGWC2) é a sequela que sempre desejámos.

Não há um jogo que simule tão bem o ofício solitário e perigoso de um franco-atirador. Há uma grande porção de planeamento, e existe todo um ritual antes de decidirmos disparar. O grau de paciência, sangue-frio e confiança que são necessários para conseguir o tiro perfeito só têm igual na satisfação que sentimos quando acertamos no alvo.

SGWC2 leva-nos até aos desertos de Kuamar, uma área do médio oriente, onde a nossa finalidade é evitar uma guerra. Para isso, teremos de assassinar Bibi Rashida, a presidente e cabeça do regime. As acções mais recentes e desumanas de Rashida, causaram uma enorme instabilidade na região, obrigando a organização de Raven a intervir, já que este conflito poderá ter consequências imprevisíveis para o resto do mundo.

Com um encadeamento de hits cirúrgicos pela frente, cujo objectivo é enfraquecer o governo de Kuamar, tudo terá de ser engendrado ao pormenor; não só logisticamente, como no próprio terreno. Mas nada faltará a Raven, porque para além das suas invulgares faculdades, terá acesso a equipamentos que são o último grito da tecnologia.

Raven está preparado, e eles não fazem ideia daquilo que os espera.

Kuamar é o palco perfeito para um contexto de sniper. Os mapas têm um tamanho considerável, e proporcionam tudo o que precisamos para entrar, cumprir a missão, e desaparecer sem deixar rasto. Tem de tudo um pouco: camuflagem, isolamento, e um óptimo campo de visão, que nos dará alguma vantagem se algo correr mal.

A grande diferença para o seu antecessor é claramente a distância que normalmente a bala terá de percorrer. Sniper Ghost Warrior 2 foi construído para que a sensação de triunfo sempre que eliminamos um alvo seja plena. Contudo, isso revela que a dificuldade também aumentou, dado que os alvos dos contractos estão agora colocados a distâncias mais longas e não se encontram tão expostos.

Nenhum outro jogo oferece tamanha dose de simulação no que significa ser um sniper. Ajustar a telescópica de acordo com a distância para o alvo, compensar a queda do projéctil, e até ter em conta o vento, são os requisitos necessários para que possamos atingir alvo com sucesso. Existe uma assistência que indica onde a bala irá acertar, e que pode ser desactivada pelos mais experientes, no entanto, é uma ajuda preciosa para quem se está a iniciar na série.

É um desafio, mas um que vale a pena. Levarmos o nosso tempo enquanto miramos o alvo, calibrar tudo ao detalhe, para, por fim, premirmos o gatilho no momento certo, é absolutamente delicioso. Sendo que outras das características muito singulares e bem conhecidas de SHWC2 é a violenta animação de podermos ver a bala a atingir a vítima, num gore que tem tanto de irresistível, como de sádico.

São cinco missões no total, e embora possa parecer pouco, a verdade é que as regiões são tão grandes, e os aglomerados estão colocados de forma tão distante e estratégica, que caso queiram completar todos os objectivos têm jogo para durar várias horas. E sim, compensa varrer o mapa de uma ponta a outra, especialmente tendo em conta o que podemos desbloquear de armas, upgrades, e equipamento para a missão seguinte.

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Abater os alvos está um pouco mais complexo do que no jogo anterior, no entanto, claramente para melhor. Agora não basta somente identificá-los com os binóculos, e temos igualmente de escolher o momento ideal para conseguirmos atraí-los até um local onde tenhamos uma maior probabilidade de sucesso.

Ainda assim, em determinadas missões, haverá circunstâncias em que teremos de optar por uma abordagem stealth. Infiltrar a base inimiga de modo a cumprir objectivos não será incomum, e há que dizer que ajuda a variar a jogabilidade, não deixando que se torne repetitiva.

Nesse sentido, estaremos em constante comunicação com o nosso misterioso handler, que servirá como um guia para cada missão. Fornecerá instruções valiosas em alturas cruciais, mas também trará algum drama ao cenário, já que funciona como um interessante meio de narrativa.

Sniper Ghost Warrior Contracts 2 está carregado destes pequenos pormenores. Podem parecer menos importantes, mas ajudam a criar uma experiência cheia de adrenalina em diversos momentos. Temos alturas em que nos sentimos com total controlo da situação, como outras em que teremos de sujar as mãos e improvisar, de maneira a conseguirmos deixar o local com vida.

Mas nada temam. Raven tem ferramentas para poder sair por cima nos contextos mais complicados. O sistema de progressão é mesmo uma das melhores qualidades de SGWC2. Olhando para o equipamento disponível, assim como as armas ou as skills, há muito por onde escolher, e certamente encontrarão o loadout que encaixará no vosso estilo.

Sim, porque nem todos as tarefas envolvem eliminar um alvo, e teremos alguns objectivos de sabotagem, como colocar explosivos e fazer o upload de vírus. Nesse sentido, convém termos um bom conjunto de opções para podermos corresponder a qualquer circunstância. Flexibilidade é essencial.

O drone regressa, assim como a sua enorme utilidade. Agora poderá inclusivamente ser usado para penetrar os sistemas de segurança inimigos, transformando ameaças em vantagens. Todavia, continua a ser fundamental para marcar inimigos que se encontram em locais pouco acessíveis.

Há outros instrumentos que são bastante característicos da franquia SGWC. Um deles, é obviamente o visor, que nos dá todas as informações pertinentes relativamente ao que estamos a ver, mas é igualmente imperioso para a detecção de inimigos e outros perigos. É um dos pontos onde se devem concentrar primeiro quando falamos de upgrades, uma vez que nos torna a vida muito mais fácil.

Outro dos dispositivos indispensáveis (e aprenderemos isso da pior maneira, particularmente nas dificuldades mais altas), é a turret. É o companheiro fiel para quando tudo corre mal, ou para planear um ataque calculado em duas áreas diferentes, visto que é programável e funciona em colaboração com os binóculos. E temos ainda outros acessórios úteis, como os medkits, minas, decoys e muito mais.

Quanto às armas, a lista é extensa, é há para todas as abordagens. Temos uma imensa variedade de sniper rifles, cujas diferenças de dano, estabilidade e ruído serão suficientes para escolhermos a nossa preferida, até porque em cima disso, ainda temos as modificações. O mesmo acontece com as outras armas, como semiautomáticas e as sidearms. O que não falta é opções por onde escolher, e muito provavelmente passarão algum tempo na secção do loadout.

Graficamente está incrível. A atmosfera do deserto parece quase real, sobretudo quando contemplamos as paisagens montanhosas ao nosso redor. E os ventos arenosos que nos trespassam enquanto nos deslocamos propiciam a sensação de que pertencemos a um mundo dinâmico, mas nitidamente remoto.

A banda sonora é o complemento perfeito que constrói este ambiente único. A calma melodia árabe que cria um clima de apreensão, mas muda completamente quando tudo se complica, iniciando uma percussão intensa que irrompe pelos nossos ouvidos, e provocando a aceleração dos nossos batimentos cardíacos.

Sniper Ghost Warrior Contracts 2 é a derradeira experiência como simulador de um atirador furtivo. Uma clara evolução para o jogo que deu início ao reboot da série, e que promete tornar a franquia ainda mais forte. Seguramente, o melhor FPS lançado na primeira metade de 2021.

A Elite Edition para a PS5 

Aproveitamos ainda nesta análise para desbravar a Edição de Elite que saiu agora para a PS5, uma edição que foi adiada pelos developers para dar ao jogador nada menos do que a perfeição. A escolha de adiar de junho para final de agosto foi devido a pequenos detalhes técnicos com que a CI Games não estava contar, e decidiram em vez de apressar as coisas, fazer bem feito.

Diria que ficámos a ganhar, não só pela execução desta versão, mas também pelo facto da CI Games, como forma de pedido de desculpas, oferecer o primeiro DLC do jogo a todos os jogadores. E já que estamos ainda a falar de borlas, dizer que esta Elite Edition da PS5 do jogo, traz também o DLC com o pacote de armas “Crossbow Carnage” que inclui a Besta, a Sniper Rifle 550 TRV, o revólver Mad Sheriff 9, a rifle de assalto Car K8 e a skin Zebra. Para além disto tudo, e talvez a oferta mais substancial, é mesmo a expansão “Butcher’s Banquet“, onde vamos até uma nova região apelidada de, The Temple.

Antes de irmos aos fatores gráficos e de imersão que o jogo traz na versão PS5, dizer ainda em relação a esta expansão, que estamos a falar mesmo de uma nova missão, uma nova área, e muitas horas de jogo, desde a sua preparação à execução.

The Butcher’s Banquet dá continuidade à história do jogo, que depois de todo o reboliço em Kuamar, permitiu que uma nova ameaça viesse à superfície. Estamos a falar de um novo movimento liderado por Mahmoud Zarza, aka “The Butcher”.

A região que vamos ter que desbravar para encontrar o quartel general de Zarza vai dar-nos uma visão diferente de Kuamar, onde no meio do deserto vamos encontrar cataratas, pequenos oásis e templos, mas não se enganem, pois apesar da sua beleza vamos ter que controlar este pequeno exército que fomenta Zarza, que é um autêntica bomba-relógio, sedento de poder e de aproveitar o momento de instabilidade para chegar ao “trono”.

Já perceberam que em termos de conteúdo, esta edição está bem recheada de conteúdos e extras, mas eu diria que isso de nada serviria se o jogo não fosse tão bom, como já repararam pela nossa análise. No entanto agora debruçamo-nos perante as particularidades que esta versão PS5 nos traz. A primeira é notória e prende-se logo com a velocidade dos loadings, as transições das cut-scenes para o jogo em si, e todo o desempenho da máquina que aproveita a rapidez do SSD da PS5 para nos uma maior sensação de fluidez durante todo o jogo.

Depois o destaque para a capacidade gráfica que agora nos traz. Vamos ter à nossa disposição dois modos gráficos; o modo de desempenho que nos oferece 60FPS na resolução 2K, e o modo visual que bloqueia nos 30FPS na resolução 4K. Devo dizer que joguei nos dois modos de forma a testar as suas diferenças. O modo de desempenho devo dizer que foi o meu preferido e por uma razão muito simples, é que devido à qualidade que o jogo já apresenta nas suas texturas, modelagem, efeitos visuais de iluminação, sombras e movimentos atmosféricos, não achei que precisasse propriamente de ir para os 4K.

Preferi assim apostar nos 60FPS para me dar uma maior perfeição de imagem nos movimentos, nomeadamente nos momentos mais intensos em que apesar de termos tido toda a calma do mundo a apertar o gatilho, algo desencadeou um alarme e temos que ser bastante mais céleres na execução. É nesse momento em que o frame rate mais alto se nota, isto é, com a troca de lentes da nossa Sniper Rifle, permitindo-nos alternar entre ver em plano mais afastado as movimentações de todos, do que apenas do alvo que queremos atingir, não perdemos o flow nem o detalhe do que estamos a fazer. O mesmo acontece, por exemplo, com a visão da nossa máscara especial, que nos dá o layout do terreno e dos inimigos em tempo real, onde no modo de desempenho não se sente qualquer tentativa da máquina corrigir texturas ou se adaptar ao exigido. É claro que o modo visual dá um maior brilho em termos de polimento das texturas, das superfícies, até de todos os inimigos envolvidos e do ambiente de cada cenário do jogo, mas como dizia atrás, já está tão bom na PS5 por defeito que não vão notar assim uma diferença tão evidente.

O que torna a experiência da versão PS5 mais especial é mesmo o DualSense, como já referimos desde o início da vida da PS5, este comando pode dar uma vida diferente a qualquer jogo, e SGGC2 não é excepção. Os gatilhos hápticos vão nos dar o peso da responsabilidade do tiro perfeito, sentindo no L2 esse peso, essa tensão que o gatilho nos dá, obrigando a fazer força a apontarmos a sniper como se a tivéssemos a carregar nos nossos braços, e no R2 a precisão do disparo, isto é, uma ultra sensibilidade para quando temos a nossa respiração focada, consigamos dar o disparo no momento perfeito. É sempre difícil tentar explicar algo tão palpável por palavras, mas até mesmo pelos vários motores de vibração que temos ao longo do DualSense, sentimos a verdadeira tensão de fazer o tiro perfeito. A pressão nos gatilhos varia perante as armas que temos, assim como os pontos de disparo, um revolver será sempre mais “estalo” no R2, uma semi-automática terá uma cadência mais rápida no R2 e por aí adiante. A coluna do DualSense também vai dando pequenos efeitos sonoros, principalmente nos disparos das balas e de comunicações via rádio.

Sniper Ghost Warrior Contracts 2 recebe assim uma edição definitiva, se quiserem, que para além do apetrecho gráfico, na PS5 ganha uma imersão muito maior com a capacidade de reprodução dos gatilhos hápticos do DualSense. Acaba por ser uma edição que transpõe o jogo para o limiar da perfeição em todos os sentidos, até o colmatando na componente de conteúdo com a nova expansão já incorporada.