Developer: CI Games
Plataforma: Xbox One, PlayStation 4 e PC
Data de Lançamento: 22 de Novembro de 2019

A série de Sniper Ghost Warrior é praticamente única quando se trata de simular o que é ser um atirador de elite em contexto de guerra. A sua faceta mais paciente, furtiva e altamente realista é capaz de afastar quem busca essencialmente por acção, porém, para quem gosta da adrenalina de preparar o tiro perfeito a 500 metros de distância, nenhum outro jogo chega perto.

O quarto título da saga traz uma mudança radical relativamente ao que pudemos encontrar nos seus antecessores. Se Sniper Ghost Warrior 3 trouxe a novidade do open world, Sniper Ghost Warrior Contracts larga uma história mais linear para se iniciar num formato de missões, acrescentando inúmeras e certeiras surpresas que transformam a série por completo.

Num futuro próximo, um conflito na Sibéria origina a separação da Rússia, passando a ser um estado independente. Tal como acontece em tantos outros casos, com a chegada ao poder, os libertadores tornam-se opressores, e um novo movimento é criado para destronar um regime perverso e corrupto na sua raiz.

Em Ghost Warrior Contracts somos um mercenário e assassino profissional com a reputação de ser um dos melhores no ramo. Será contratado para abater peças-chave com ligações ao novo governo, além de ter de cumprir vários outros objectivos relacionados com o alvo em questão. Quem nos irá apresentar as diferentes missões é um misterioso contacto chamado Handler, que estará a acompanhar-nos por voz, a cada passo, e para facilitar o trabalho, dá-nos uma máscara e um fato com uma tecnologia bastante avançada, contendo diversas habilidades especiais.

Este é um dos pontos onde Sniper Ghost Warrior Contracts diverge dos anteriores, e para muito melhor, devo dizer. Ficou mais flexível nas opções para abordar cada cenário e também na jogabilidade, o que significa que podemos agora enfrentar os inimigos de uma maneira mais agressiva, nomeadamente com armas automáticas e semi-automáticas, sem termos de depender exclusivamente do stealth.

No entanto, como é de prever, é na sniper que está grande parte do encanto, e em particular pela dificuldade inerente. Tudo tem de ser pensado ao pormenor, desde calibrar a mira telescópica de acordo com a distância do alvo, calcular a trajectória da queda da bala, a direcção do vento e até a nossa respiração. Mas não é só, porque para cada situação é necessário um bom planeamento, ou corremos o risco de sermos detectados imediatamente. Assim, é vital reconhecer a zona devidamente, assim como marcar os inimigos e escolher qual deles eliminar em primeiro lugar sem que os restantes sejam alertados.

São 5 mapas com o tamanho ideal para oferecer liberdade ao jogador na escolha do melhor local para o trabalho. Os objectivos estão bem dispersos e são bastante variados, sendo que todos têm de ser completados sem excepção. Alguns podem ser concluídos à distância, mas outros obrigam-nos mesmo a entrar furtivamente nas instalações inimigas.

Para ajudar temos as habilidades associadas à máscara que vamos desbloqueando ao longo do jogo. Uma das habilidades mais úteis é o scan que podemos fazer à área circundante, assinalando pontos de interesse com os quais podemos interagir e até usar para sabotar as estruturas inimigas. Com os upgrades passa a revelar os inimigos mais próximos e a marcá-los automaticamente, o que se torna absolutamente indispensável, visto que a dificuldade dos mapas vai aumentando drasticamente.

Nesse sentido, precisamos de aprender a utilizar todos os recursos ao nosso dispor. Além das minas que podemos colocar em locais estratégicos para proteger a nossa rectaguarda, temos também sinalizadores que detectam quem se aproxima. O drone e a autoturret são outras duas ferramentas extremamente vantajosas; o primeiro é telecomandado e serve basicamente para fazer reconhecimento sem que nos tenhamos de expor, já o segundo é um instrumento mais tático de protecção, disparando sobre qualquer ameaça no seu raio de acção.

Tal como nas habilidades, temos igualmente a possibilidade de comprar armas. Há muito por onde escolher, de forma a podermos decidir ajustadamente quais devemos equipar para a missão em questão. Contrariamente às versões anteriores, a adição de armas automáticas concede momentos cujo gameplay se aproxima dos FPS’s mais comuns, portanto, para quem prefere esse tipo de proposta, terá também aqui o seu espaço.

É esta versatilidade de contextos que fazem de Sniper Ghost Warrior Contracts o melhor título da série e um jogo verdadeiramente diferente de qualquer outro dentro do mesmo género. Uma renovação ousada, mas foi finalmente encontrado o modelo ideal para conquistar uma base de jogadores ainda maior.

Tendo sido desenvolvido no CryEngine, escusado será dizer que graficamente está simplesmente deslumbrante. A paisagem siberiana de montanhas e vegetação cobertas de neve, juntamente com os fantásticos efeitos sonoros, reforçam a nossa sensação de isolamento e de uma acalmia prestes a ser quebrada a qualquer instante. E para isso, nada melhor do que aquela que é a grande referência da franquia, a bullet cam. Depois de todos os cálculos e paciência que são necessários para um tiro preciso, não existe maior recompensa do que ver a cutscene do nosso alvo a ser totalmente dilacerado pelo impacto da bala. Nesse aspecto, apesar de não ser tão espetacular como no Sniper Elite, consegue ainda assim proporcionar uma enorme satisfação.

Sniper Ghost Warrior Contracts dá o passo seguinte numa saga que já pedia alguma reformulação. Este novo formato não só faz mais sentido quanto ao tipo de jogo em questão, como deixa a porta aberta à chegada de novos mapas e missões.

Um tiro em cheio da CI Games.

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