Developer: SEGA, Sonic Team
Plataforma: Xbox Series X|S, PlayStation 5, Nintendo Switch, Playstation 4, Xbox One, PC
Data de Lançamento:8 de Novembro de 2022

Falar de Sonic é para mim um privilégio. É o meu personagem favorito dos videojogos, talvez por ter sido Sonic The Hedgehog o primeiro jogo que me lembro de jogar de forma mais autónoma, ainda na velhinha Mega Drive. É certo que nos seus 31 anos de história, o ouriço azul já passou por altos e baixos e para ser justo, desde o final dos anos 90, quando saiu Sonic 3D, que não via algo tão bom no universo Sonic.

As imagens e os vídeos que a SEGA divulgou antes do lançamento criaram-me alguma expectativa, onde não sabia bem se o que via era bom ou mau. Depois das primeiras horas passadas em Sonic Frontiers, rapidamente percebi que estava perante um excelente jogo, que me recordava a diversão de outras alturas e despertava memórias de aventuras passadas com o personagem. E o melhor de tudo é que quanto mais jogava, mais difícil ficava de largar o comando.

Os jogos da franquia Sonic nunca foram conhecidos pelas suas histórias memoráveis, mas sim o que acontecia pelo caminho, como um meio para atingir um fim. Aqui acontece o mesmo, mas de todos os jogos que me lembro do ouriço azul, este é talvez aquele com mais camadas e dinâmicas na narrativa. Digamos que podia até ser um episódio da série de animação que passa em plataformas de streaming e em canais de desenhos animados.

O jogo começa com Dr. Eggman, o habitual vilão de serviço que eu sempre chamei de Robotnik a ser transportado para um portal designado de Ciberespaço, uma espécie de mundo digital. Enquanto isso, Sonic, Tails, Knuckles e Amy estão a dar um passeio de avião tranquilamente quando de repente também um portal abre no céu, fazendo com que  as personagens se separarem. Sonic aterra numa ilha repleta de estranhos seres robóticos, enquanto os seus amigos ficaram presos algures entre um mundo real e o digital, tal como Dr. Eggman. A partir daqui, cabe a Sonic salvá-los e ao longo de várias ilhas, cinco no total, vamos vaguear pelos mapas para avançar na aventura e descobrir como se pode salvar os amigos e talvez mais alguém, mas isso fica para quando jogarem.

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A partir daqui é sempre a aviar cartucho como se costuma dizer. A primeira ilha é a Kronos e é lá que aprendemos a base do jogo e como funciona Sonic Frontiers. Se é ou não mundo aberto, uns acham que sim, outros que não. A certeza que vos dou é que o jogo funciona com cinco ilhas ou zonas, como quiserem chamar, e cada uma delas é livre de exploração, ou seja, em vez de ser mundo aberto, diria que são várias zonas abertas. E não pensem que são pequenas, nada disso, há muito para descobrir e fazer em cada uma delas. Atalhos, desafios, monstros para derrotar, esmeraldas para colecionar e muitos anéis para apanhar.

A construção de cada nível é ridiculamente bem feita e está tudo muito bem enquadrado com um propósito de encadeamento, embora à primeira vista possa parecer que foi lá colocado ao acaso. Não caiam nessa, como eu. Quando fui percebendo os atalhos, andei de um lado para o outro de forma mais rápida e eficaz. Além disso, cada zona tem os seus próprios monstros, inimigos e formas. Pela frente vão ter ilhas mais verdejantes, passar por uma ilha vulcânica e até por uma outra que imita o deserto e que até usa o desfoque da imagem para simular o calor que Sonic deve estar a sentir, embora ele não se queixe. Há tanta coisa para explorar e o mais interessante é que podem começar por onde quiserem, no entanto, para avançar na história terão de seguir certos pedidos mais específicos. 

Em cada zona o nosso objetivo é ir descobrindo as várias partes do mapa e para tal é necessário desbloqueá-las com variadíssimos desafios que vamos encontrar, tais como corridas contra o tempo, raciocínio lógico, rapidez de execução e pensamento, reflexos, entre outras tantas ideias que a SEGA teve. Tenho que enaltecer este aspeto porque podiam ser todas iguais, mas se assim fosse perderia toda a piada. A par disto é preciso ir colecionando itens para salvar os nossos amigos. Tudo junto pode fazer confusão para quem gosta de uma maior orientação e é normal perderem-se um pouco, pelo menos na primeira ilha, onde ainda não está bem presente como tudo funciona.

Vou tentar explicar de forma simples. Basicamente para avançar na história de Sonic Frontiers precisamos de amealhar itens metálicos, para poder falar com os nossos amigos que estão presos entre mundos. Depois precisamos de encontrar os portais, nos quais participamos em mini-jogos que nos fornecem chaves consoante as nossas prestações. Para abrir esses portais precisamos de peças que se conseguem ao derrotar inimigos gigantes que estão espalhados com diversos formatos e nomes. As chaves conquistadas levam-nos até às zonas onde apanhamos as esmeraldas que vamos precisar para alcançar os bosses finais de cada área. No meio disto ainda há a pesca onde se pode ganhar alguns destes itens, trocando-os conforme a nossa prestação a pescar, numa atividade bastante surpreendente e engraçada. É mais ou menos esta a lógica.

Os tais mini-jogos que falei no parágrafo anterior são também das coisas mais divertidas deste Sonic. Não sendo o foco principal, são fundamentais para conseguirmos progredir. Funcionam como níveis rápidos à moda antiga, mas em 3D com desafios de tempo, de número de anéis que temos de amealhar, de estrelas específicas que temos de colecionar e claro, de concluir apenas o nível. Cada portal tem um nível diferente e tem sempre estes quatro objetivos que nos dão acesso a chaves para depois conseguir desbloquear as esmeraldas. Há muita variedade em cada um deles e alguns até nos são familiares de aventuras passadas noutros jogos da franquia. A Green Hill Zone de Sonic The Hedgehog está lá recriado como nunca esteve a três dimensões, cheio de vida, num dos remakes que foram feitos para estes níveis. Mas não é a única zona a estar cá, há outras surpresas que os mais velhos vão reconhecer assim que virem, mas não quero estragar todas as surpresas.

Pelas ilhas, a sensação de velocidade de Sonic nota-se bastante. Ele corre desalmadamente, como nunca o fez em jogos anteriores. Cá para nós que ninguém nos ouve, se calhar fizeram-lhe bem os treinos com Mario no jogo Mario & Sonic at the Olympic Games Tokyo 2020. Brincadeiras à parte, para o fazer correr mais depressa ainda podemos usar uma espécie de boost, colecionar anéis e melhorar as nossas habilidades. Ir de um lado ao outro de cada zona só não é um desespero porque existe esta rapidez do personagem. Também é possível usar a opção “viagem rápida”, mas apenas quando desbloqueamos os 100% do mapa de cada local.  

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O combate é uma das principais tarefas de  Sonic Frontiers e era um dos meus medos à partida. Em cada zona vamos encontrar determinado tipo de inimigos robóticos, onde os mais pequenos são mais fáceis de matar do que os gigantes que andam pelas ilhas com vários formatos. Quase como se tratasse de uma jornada à Shadow Of The Colossus, preparem-se para trepar monstros, atingi-los nos pontos chave e tentar não perder a vida neste processo. A variedade de inimigos é vasta e preparem-se para alguns bem memoráveis, inclusive uns que voam e outros que andam debaixo da terra.

É claro que Sonic para os enfrentar tem um conjunto de habilidades que vamos aprendendo e desenvolvendo, à moda de jogos mais modernos, onde vamos ganhando poder para subir de nível, aprender e melhorar novas técnicas de luta. Uma das mais simples e mais interessantes é ensinada logo no início, onde podemos mover Sonic com o rasto de eletricidade, o que faz com que se unirmos dois pontos, tudo o que esteja em seu redor seja eletrocutado. Foi a habilidade que mais usei certamente, até porque é útil, não só no combate, mas enquanto vagueamos pelas ilhas para “rebentar” coisas, atrair anéis e deixar os inimigos atordoados. A certo ponto, aprendemos também a nova técnica em que Sonic se transforma em Supersónico, e ganha uma forma amarela. É um momento bastante bonito no jogo e lembra imediatamente os personagens do Dragon Ball a transformarem-se em Super Guerreiros. É no primeiro boss que tal acontece e aprendemos que esse poder, enquanto estiver ativo, não nos deixa perder a vida, mas sim os anéis que colecionamos.

Algumas mecânicas de luta são mesmo muito interessantes e é notório o esforço para diversificar os ataques ou a maneira como atingimos cada monstro, mas é também aqui que está uma das falhas mais vistosas de Sonic Frontiers. Há ataques em que temos de ser elevados e depois, sem nos apercebermos como, somos lançados para o chão sem ter grande controlo naquilo que estávamos a tentar fazer. A isto, associo também algumas falhas com a câmera que nos deixa meio perdidos, nomeadamente nas lutas.

Graficamente o jogo tem também algumas limitações. É certo que tem paisagens bonitas e nas cutscenes, a coisa às vezes até disfarça, mas mesmo assim falta algum brilho a Sonic, nomeadamente nas áreas mais verdes em que podiam ter aproveitado para criar um contraste de cores mais bonito. Ainda assim, andar no deserto e ver os passos de Sonic na areia é um pormenor delicioso. No desempenho também se nota alguns glitches visuais, até mesmo na PS5, onde joguei. Por outro lado, gostei bastante da banda sonora que acompanha o jogo, desde os tradicionais sons quando apanhamos os anéis, ou quando estamos numa luta mais intensa. A música adapta-se à situação que estamos a passar e muda consoante o que estamos a fazer. Tudo de uma forma simples em que quase nem se dá conta.

Sonic Frontiers é o melhor jogo de Sonic da Era tridimensional e mostra que a SEGA soube aguentar um dos personagens mais carismáticos de sempre e dar-lhe uma nova vida a partir de agora. É divertido à brava, tem referências aos jogos antigos e surpreende na quantidade de coisas que se pode fazer. Fazendo um retrato, Sonic foi feliz na sua infância, teve dificuldades na adolescência e andou perdido no início da vida adulta. Felizmente está a aproveitar os 30, que como diz o povo, são os novos 20. Algo me diz que o ouriço azul vai tirar proveito disso e continuar a recuperar o tempo perdido, ganhando novos fãs todos os dias. Sonic já merecia um jogo destes.