Developer: THQ Nordic, Grimlore Games
Plataforma: Xbox Series X|S, PlayStation 5, Xbox One e PlayStation 4
Data de Lançamento: 7 de junho de 2022

A franquia SpellForce já cá anda desde 2003, há quase 20 anos, mas só agora chegou às consolas para dar uma oportunidade a novos jogadores. Foi o meu caso, que nunca tinha jogado no PC nenhum dos jogos anteriores, apesar de sempre ter ouvido falar bem dos que foram saindo ao longo do tempo. 

Tinha bastante curiosidade para ver como é que SpellForce 3 Reforced se adaptava aos comandos e alguma expectativa sobre como seria a jogabilidade de um jogo que mistura o sistema RTS com elementos RPG. Com a quantidade de coisas que se podem fazer, o jogo podia facilmente complicar-se e deitar por terra uma boa experiência vinda do PC, mas tal não acontece porque tudo acaba por ser simples e intuitivo assim que nos habituamos ao jogo. 

Esta foi talvez a melhor altura do jogo chegar às consolas, até porque a história original de SpellForce 3 é como se fosse uma prequela dos dois jogos anteriores. Reforced é então a versão mais avançada do jogo que foi lançado em 2017 com melhorias gráficas e novos modos de jogo.

Comecei por jogar o Modo Campanha, o melhor lugar para aprender as bases e perceber mais ou menos a história que, na verdade, vai se tornando complexa a lembrar Game Of Thrones. Sem ser muito explicativo, tudo começa no ano de 518, no qual existiu a Guerra dos Magos, conflito que originou uma onda de refugiados que fugiram de uma anarquia à procura de uma vida melhor. No entanto, uma misteriosa praga mortal conhecida como “Bloodburn” não parava de se espalhar e há quem diga que foram os magos que originaram isto tudo. Está então nas nossas mãos tentar parar esta pandemia.

No início, há um prólogo onde aprendemos as bases de SpellForce 3 Reforced e só depois seguimos o destino do nosso personagem Tahar, que pode ser editado por nós. A sua primeira aparição durante a primeira hora de jogo é como uma criança que nasceu do destino. Sim, este universo tem de tudo: a chamada magia negra, a branca, anões, ogres, elfos e por aí fora.

Na parte prática, controlamos vários personagens, mas há incidência sobre alguns principais que não podemos deixar que morram. O que acontece é que os podemos recuperar caso caiam em combate, mas existe um certo limite de tempo para o fazer. Por base, em cada missão há que organizar o nosso exército, construir as bases, explorar os recursos e certificar-nos que temos gente suficientemente bem treinada para avançar até ao final de cada missão principal que normalmente envolve uma batalha. 

Há várias classes que podemos escolher, desde soldado a arqueiro e outros tantos tipos de características pessoais disponíveis, tais como a brutalidade ou a liderança. Isto implica depois ir evoluindo uma árvore de habilidades que vamos conseguindo à medida que subimos de nível e enquanto ganhamos mais experiência em combate. Podemos ainda artilhar os nossos personagens, não só com armas, mas também com armaduras ou ainda poções que podem ser importantes em cada uma das lutas.

Quanto aos comandos, a preocupação foi notória para que tudo funcionasse na perfeição sem perder a dinâmica de combate nem a cadência dos acontecimentos. No geral correu bem e comparado com outros jogos que exigem rato, SpellForce 3 Reforced é bastante simplista e rápido de perceber. Desde logo na seleção de personagens em que basta ficar a carregar num botão para que a área selecionada aumente sem que tenhamos de andar sempre à procura dos nossos companheiros de combate. 

No entanto, há ainda coisas que se perdem por não se usar um rato. A velocidade de chegar a outro local do mapa para selecionar outros combatentes é mais lenta, o que nos pode fazer perder algum terreno nas lutas. Aqui, recomendo a deixarem os vossos soldados da chamada segunda vaga bem perto da ação. 

A história principal tem o mal de ser quase sempre o mesmo tipo de preparação estratégica e deixa a desejar em algumas conversas que até podemos escolher a frase para dizer, mas que parece não ter tanta importância assim. Esta versão melhorada do jogo introduz aos novos modos, no entanto, esta é daquelas máximas que para novos jogadores não conta, porque é tudo novidade, agora para quem já varreu SpellForce 3, tem aqui um incentivo extra para jogar.

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A grande novidade extra é o Modo Journey, no qual vamos ter de criar de raíz um personagem com a devida classe e ir fazendo a história à nossa maneira por via de contratos que nos vão dando força para nos tornarmos um dos heróis mais respeitados do reino. Uma boa escolha para fugir à repetição dos eventos e ainda para dar mais longevidade ao jogo. Além disso, há ainda o modo Skirkish, onde podemos ir para um modo Journey com o nosso próprio personagem, mas também para jogar contra outros jogadores online. Há ainda o modo Arena, no qual vamos poder participar em batalhas caóticas em vários locais diferentes.  

Graficamente, na versão Xbox Series S, o jogo tem boa resolução e quando aproximamos a imagem, principalmente do fogo, nota-se algum rasgo de beleza, mas as coisas complicam-se quando afastamos um pouco e aparecem mais NPCs na imagem. Isto faz com que haja algum slowmotion, que embora não seja grave, vê-se que não é fluído. Já a banda sonora, é épica e acompanha muito bem os vários momentos da narrativa. Sentimos os sons das espadas em combate, os gritos dos soldados e os vários burburinhos quando a confusão se instala.

SpellForce 3 Reforced é um jogo onde facilmente se passa horas a fio sem dar conta. Consegue uma mistura de combate estratégico em tempo real com elementos RPG como poucos o fazem atualmente. Para quem sempre quis experimentar a franquia, mas não conseguia porque estava só no PC, tem aqui uma boa oportunidade de o fazer. Tem alguns defeitos, é certo, mas certamente não se vão arrepender se gostarem deste tipo de jogo.