Developer: Motive Studios, EA
Plataforma: PlayStation 4, Xbox One e PC
Data de Lançamento: 02 de outubro de 2020

Voltamos ao universo Star Wars para mais uma proposta da Electronic Arts debaixo desta franquia que move tantos aficcionados, como eu, mas agora numa abordagem diferente dos jogos na terceira pessoa que já foram apresentados.

Aqui será a visão na primeira pessoa que vai reinar, mas não no sentido de First Person Shooter, mas sim, de jogar a bordo de uma das naves da Nova República ou do Império. A verdade é que todos os fãs esperavam por um jogo em que finalmente a sua base fosse a efectiva Guerra das Estrelas, com batalhas épicas no espaço, e é isso que este jogo oferece.

Poderá não ser tão épico quanto se desejava, não existe uma recriação das batalhas mais épicas dos filmes, nem a possibilidade de pilotar uma Millenium Falcon, mas os Tie Fighters e os X-Wings acabam por nos dar a diversão que se procura num jogo destes.

A nível de história vamos andar a saltitar entre as duas forças, numa narrativa nova, que, como é óbvio, vai andar à volta do conflito entre o Império Galáctico e a Aliança Rebelde. A história pega nos eventos logo a seguir ao Episódio VI: Return of the Jedi, com o Imperador morto e a Aliança a tornar-se na Nova República. No rescaldo da batalha de Endor, um oficial superior do Império, Lindon Javes, decide desertar por discordar das ordens Imperiais de atingir refugiados. A sua adição à Nova República é uma mais valia que o Império não esquece com facilidade. E a sua ex-pupila Terisa Kerrill não perdoa Lindon pela sua traição. Pelo meio, vamos apoiar alternadamente os esforços do Esquadrão Vangard da Nova República e do Esquadrão Titan do lado Imperial.

São cerca de 16 missões, contando com as do Prelúdio, que nos vão dar cerca de 14 a 16 horas de jogo, com muita acção ao estilo Dogfight, mas também cut scenes de luxo que nos dão o contexto e nos embrenham na história alimentando sempre mais umas horas de jogo. Outro dos factores para nos ligarmos ainda mais, é o facto de podermos dialogar com as várias personagens que fazem parte do nosso esquadrão ou que os lideram, dando uma boa profundidade da personalidade de cada um, e enriquecendo a história em cada momento.

Algo que também me impressionou neste Star Wars: Squadrons foi a riqueza das opções de voo. Temos quatro classes de naves para escolhermos, a equilibrada, a mais ágil, a focada em dano e a mais lenta ou então uma nave de suporte. Ao escolher a nave – todas focadas nas icónicas naves da franquia – vamos poder alterar completamente o seu loadout. Mudar o tipo de laser de disparo, o tipo de bombas antimísseis, tipo de misseis, assistências, motor, escudos entre outros.

Isto acaba por dar mais opções e uma jogabilidade diferente por cada nave que utilizamos, isto porque dentro de cada nave teremos que gerir os seus recursos de forma a conseguir alcançar o objectivo. Com um toque no D-pad podemos focar a energia para os motores, escudos ou então para seus lasers. Ainda é possível ajustar a potência dos escudos para a frente ou a traseira da nossa nave. E, por fim teremos ainda de lidar com reparações e gestão de stock de armas especiais. Podemos levar connosco um módulo de reparação simples, que nos permite recuperar um pouco de energia quando estamos em apuros, até que consigamos pedir ajuda a uma nave de suporte. Para além disto o nosso Hub tem ainda outros artífícios como a possibilidade de escolher o tipo de radar, por objectivos, naves aliadas, naves inimigas, etc, para podermos nos guiar com maior facilidade perante as tarefas que nos vão sempre propostas, que podem passar por seguir o líder do nosso esquadrão, analisar naves abatidas, ou encontrar falhas nas naves inimigas, para além de termos a noção de onde e a que distância estão os inimigos

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Tendo tantas opções, a jogabilidade é assim muito acertada e envolvente, com cada nave a ter a sua mobilidade diferenciada para além das sua vantagens e desvantagens, dando um certo brilho na componente multiplayer, que é bastante dinâmico e as fases são repletas de desafios como, por exemplo, desviarmo-nos de um cinturão de asteroides ou de naves destruídas.

Já falámos por aqui do Modo de Campanha, mas este Star Wars: Squadrons tem também uma forte componente multiplayer. Temos o modo Dogfight, o tradicional Deatmatch por equipas, e o Fleet Battles, um modo mais à base de objectivos e de um verdadeiro trabalho de equipa. Este último talvez seja o mais interessante, por nos dar uma proposta diferente, com partidas longas, focadas em objectivos, que atravessa várias fases e vai exigindo coisas diferentes, seja habilidade de pilotar ou de abater adversários, é um jogo que instiga a comunicação e o trabalho em equipa que acaba por ser muito recompensador. O Dogfight, esse é mais básico é pegar nas nossas naves favoritas e tentar abater o maior número de inimigos para a nossa causa. No entanto tudo o que fazemos neste “campeonato” nos vai levar ao próximo nível e com isso a novas recompensas.

É aí fora do cockpit e das missões, que teremos um elevado número de elementos de personalização de pilotos e naves dos dois lados do conflito. Temos em jogo dois tipos de divisa, Glory e Requisition. A primeira serve para comprar elementos cosméticos de pilotos e naves, a segunda é usada para comprar upgrades para as naves. Ambas são ganhas a cada novo nível da carreira online, seja a jogar no movo PvP ou PvE.

Star Wars: Squadrons foi feito para a Realidade Virtual, através do PSVR ou do Pc, para acompanharmos os diálogos a movermos a cabeça entre as personagens, ou até mesmo dentro do nosso cockpit, desafiando um pouco o nosso estômago, mas dando uma imersão adicional que vale a pena ser experimentada. Outra das coisas que ajuda à experiência do jogo é um joystick, neste caso, utilizámos o Thrustmaster T. Flight HOTAS 4 e para além do execelente grau de customização, é outra loiça pilotarmos as naves com o grau de precisão de um joystick.

Star Wars: Squadrons, pode não ser um portento a nível gráfico mas nunca me deixou a desejar, eu gosto de cut scenes densas, com bons detalhes, e gosto ao mesmo tempo de que capacidade gráfica não seja levada ao limite tirando o prazer de jogar seja por questões de lag ou frame rate, e o jogo é muito competente a esse nível. Aliás, competente é a palavra que melhor define este jogo. Tem um preço acessível de 39,99€, tem várias horas de jogo no Modo Campanha, tem um leque variado de naves e opções, tem um Multiplayer com duas perspectivas para dois tipos de jogadores distintos e tem o universo Star Wars recriado numa nova abordagem, numa nova narrativa. Estou satisfeito!