Developer: SFL Interactive / Maximum Games
Plataforma: PlayStation 4, Nintendo Switch, Xbox One, PC
Data de Lançamento: 25 de Agosto de 2020

Street Power Football, ou Street Power Soccer na versão americana, vinha com uma boa dose de ideias, passando claramente por aquilo que vimos acontecer recentemente com o Volta, do FIFA 20, introduzindo mais alguns desafios de rua, como o Trickshot, uma competição de cuecas dentro de um ringue em formato um para um, e jogos de 2 para 2 ou 3 para 3, mas será que as ideias foram bem traduzidas?!

Em conceito sim, percebemos que este jogo tenta ser muito mais arcade, muito mais perto daquilo que, por exemplo, NBA Playgrounds traz no mundo do basquete, mas fica curto na jogabilidade, mas já lá vamos.

Comecemos por olhar primeiro para aquilo que o jogo oferece em termos de modos. Nos modos de jogo single player temos 5 opções que, estranhamente, não falam por si só e não apresentam qualquer explicação sobre como funcionam, mas farei o favor de explicar aqui:

  • Become the King: o modo tutorial/história do jogo com a presença do atleta francês Sean Garnier, onde ele conta mais de sua vida e sobre como começou no futebol freestyle por causa de uma contusão, enquanto te ensina a fazer peripécias com a bola através de um tutorial minimamente acessível que concede uma pontuação ao jogador. No fundo vamos passar pelos modos de jogo sem perceber. Ou seja, é um preparo para o que está por vir, e recomendo bastante não o saltar, apesar das telas de carregamento darem algumas dicas de comandos.

  • Street Power Matches: partidas de até 3×3, o modo padrão de jogo onde o objetivo é marcar golos fazendo uso de poderes, dribles estilosos e itens consumíveis que surgem no campo. Aqui existe apenas uma personalização d a bola, campo e personagens. As regras são fixas e não podem ser alteradas.

  • Trick Shoot: o modo onde vamos tentar acertar em objetos ou alvos através de remates com efeito, angulação e ricochete. Uma forma diferente de jogabilidade, mas não dá para jogar em multiplayer.

  • Freestyle: o momento de brilhar, um show dado através de truques feitos com a bola no ritmo certo, com jogabilidade bem parecida com jogos de dança. É possível fazer diferentes truques dependendo da posição do personagem. Em pé ou sentado, por exemplo.

  • Panna: uma espécie de duelo 1×1 em um campo pequeno, onde a missão principal é dar uma “cueca” no adversário através de quick time events, ou fazer golos.

Já no menu de multiplayer, temos o online, o versus e o cooperativo local. Todos para no máximo dois jogadores e restritos ao Street Shoot Matches. Adicionalmente, existe uma loja com itens cosméticos que utilizam um dinheiro interno do jogo. Dinheiro este que é adquirido através de desafios cumpridos, e esta lista com tarefas a serem feitas se renovam diária e semanalmente.

Falemos então da jogabilidade em si, aqui acho que o Street Power Football tentou levar a questão demasiadamente a sério e acabou por ficar curto na sua execução. Os controlos até são bastante simples, apesar da sua configuração não ser muito semelhante no mapeamento dos botões a outros títulos, o que ajuda muito, mas a sua reprodução mecânica é no mínimo rocambolesca, há momentos em que pensamos que a nossa personagem está com um problema de costas porque anda todo curvado.

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A física da bola não ajuda, é robótica, não flui livremente e parece que tem padrões muito definidos de um ponto ao outro. As animações também parecem forçadas e por vezes andamos só aos encontrões dentro da quadra sem grande sentido. O pior mesmo, é  a falta de sentimento de liberdade, num jogo em que a liberdade de criação de movimentos, fintas e acrobacias é o lema do jogo, o jogo em si tira-te toda essa liberdade e parece só robótico.

A jogabilidade tem vários momentos, notamos muito menos estes problemas quando estamos no modo Trickshot onde temos uma seta e um medidor de força, ou no Panna com os seus Quick Timed Events, ou até mesmo no Freestyle em modo Guitar Hero, mas nas partidas de 2vs2 ou 3vs3 é que a coisa complica e não fica nada bonito.

Graficamente o jogo segue os trilhos de um NBA Playgrounds, com as personagens cartoonescas, uma espécie de chell shading e muita cor à mistura, mas não consegue chegar à qualidade do NBA, parecendo por vezes um jogo do início dos anos 2000.

Sonicamente, a banda sonora que acompanha o jogo é muito boa, com os hits da música urbana que se vão adequando também ao local onde estamos, e dão um bom ritmo e uma boa dose de descontração com aquele toque de ginga que se pede.

O jogo conta ainda com um elenco de embaixadores do street soccer do mundo todo, incluindo a atleta brasileira Raquel Beneti, Sean Garnier, Melody Donchet, JaviFreestyle, Andrew Henderson, Liv Cooke e muito mais. Cada um trazendo seu próprio estilo e habilidades, o que é um bónus e dá um certo selo de qualidade e credibilidade.

Street Power Football poderia, e em alguns casos deveria, ser muito mais, porque tem elementos para isso, a história de vida de Sean Garnier sobre como chegou ao mundo do futebol de rua e de como ultrapassou todos os obstáculos que a vida lhe foi colocando, é um belíssimo ponto de partida para os mais jovens aprender com esta arte, e apesar da diversão que consegue nos dar, especialmente com a variedade de modos e de estilos, fica curto na componente mais importante, a jogabilidade. No entanto dar uma cueca ao adversário pode sempre distrair os mais exigentes.