Developer: Pixile Studios, Modus Games
Plataforma: Xbox One, Xbox Series X|S, PlayStation 4, PlayStation 5, Nintendo Switch, PC
Data de Lançamento: 26 de Agosto de 2021

A ideia de jogos battle royale não é nova e verdade seja dita que anda tudo à procura da nova galinha dos ovos de ouro, depois do sucesso que Fortnite teve. Alguns, como por exemplo PUBG: Battlegrounds, Fall Guys ou Call of Duty: Warzone conseguem aglomerar imensos jogadores e criar uma comunidade gigante nos seus jogos.

É esse também o desejo deste Super Animal Royale, um jogo com uma vista a partir de cima em que assumimos o papel de um animal, bastante fofo, e tentamos eliminar outros 64 jogadores de diversas maneiras possíveis. A linha de battle royale é idêntica à dos jogos do género, mas foge um pouco ao conceito de microtransações existente em alguns deles. O “pagar para ganhar” não se aplica aqui, ainda. Disponível no PC em Early Access já há dois anos, chega agora finalmente a versão final também às consolas em free-to play.

Cada partida de Super Animal Royale é uma aventura. No início somos lançados de uma espécie de avião até um mapa bastante diverso e repleto de animais inimigos que vamos ter de eliminar. Assim que começa a partida, o nosso único ataque é o corpo a corpo, mas há várias armas e itens espalhados pelo campo de batalha que mais parece um safari. Desde pistolas, metralhadoras e granadas, há ainda coletes à prova de bala que nos dão mais vida, garrafas de energia e bolas protetoras. Estas, além de nos ajudar a não sermos atingidos, faz com que andemos mais rápido pelo mapa, o que muitas vezes se revela crucial para fugir de alguns tiroteios que nos iam deixar em situação complicada. Ainda no campo das armas, podemos apanhar bananas e deixá-las no caminho para que os nossos adversários escorreguem. Há até uma espécie de santuário de bananas, onde mal se entra é sempre a escorregar. Divertido. 

Entre outros perigos, há uma névoa verde que se alastra pelo mapa para que o jogo termine. Convém fugir disso, caso contrário perdem logo a vida toda e no final só sobra um. O mapa tem um tamanho bastante interessante e uma grande diversidade de cores. Vai desde zonas mais verdes, a partes específicas com gelo, praias, entre outros elementos da natureza. Vão encontrar tendas de acampamento, restaurantes, laboratórios, entre muitos outros pontos com vários itens para apanhar e usar na battle royale. Vale a pena explorar.

A jogabilidade é bastante simples. Movimentos direcionais com um analógico, apontar com o outro e o botão para disparar ou lançar granadas. A movimentação é bastante fluida, mas a tarefa de acertar nos outros não é muito precisa. Se tivermos um alvo em movimento, vai ser muito difícil de controlar para onde queremos disparar. Os iniciantes então vão ter de penar bastante. Não será por acaso que a grande maioria dos jogadores morre logo no primeiro minuto de jogo. O jogo requer alguma prática e mesmo assim não será fácil controlar a mira. Também há um salto que podemos dar enquanto vagueamos pelo mapa. É daqueles movimentos que faz parecer a nossa personagem mais rápida e uma maneira mais ágil de fugir de um inimigo, mas é usado em demasia e isso acaba por se tornar um bocado ridículo. 

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Já se sabe que o objetivo de cada partida é chegar até ao final vivo, mas mesmo assim há vários tipos de partida em Super Animal Royale. Podemos jogar o tradicional todos contra todos até que sobra um, pode-se jogar em modo cooperativo de dois jogadores ou até em equipa, um modo que achei mais interessante que os restantes, principalmente se juntarmos um grupo conhecido para jogar. O pior é se não aterram todos no mesmo lugar e se esse for o caso, há jogos em que nem conseguem ver ninguém da vossa equipa. Na preparação de cada batalha podem escolher os servidores em que querem jogar – eu encontrei jogos mais rápidos no norte-americano – e até ativar a opção de crossplay para juntar jogadores de várias plataformas. Se se increverem no site até conseguem passar o vosso progresso de uma consola para outra. No pré-batalha, enquanto esperam, podem interagir com os outros jogadores e até dançar à volta da fogueira.

As figuras que podemos escolher em Super Animal Royale são adoráveis. Os animais são extremamente fofos e vão desde tigres, pandas, ursinhos, raposas, veados, entre outras skins engraçadas. Nenhum tem este ou aquele tipo de ataque especial, todos partem no mesmo pé de igualdade para cada batalha, aliás é nisso que este jogo se pode distinguir. As microtransações são quase inexistentes e é para gastar moedas que sejam as que conseguimos amealhar no próprio jogo. Quanto mais jogamos, mais amealhamos e também subimos o nosso nível. Isso dá-nos acesso a cosméticos para embelezar, ou não, os nossos animais. Colocar um chapéu festivo ou uns óculos 3D é só um exemplo das variadíssimas combinações que podemos fazer. 

Este é então um aspeto a ter em conta porque não vamos encontrar jogadores mais fortes por colocarem dinheiro no jogo. Há várias edições que podem comparar no início, mas nada vos dará vantagem em campo, apenas o poder de ser diferente dos outros todos, o que também vos pode tornar num alvo a abater. Este aspeto é crucial para que o jogo consiga criar aos poucos a sua comunidade ou até chamar a atenção de jogadores casuais que peguem nele e joguem uma ou duas partidas de vez em quando sem pagar muito, ou até nada por ele.

Super Animal Royale é um jogo divertido e com um conceito bizarro. Não é todos os dias que vemos por aí animais à solta a disparar uns contra os outros. Os fãs de battle royale têm aqui mais uma diversão que pode viciar, mas se não gostarem do género, também não é este que vos vai fazer mudar de ideias, a mim não o fez. É bom para jogar de vez em quando e de preferência na companhia de vossos conhecidos. Jogos destes precisam de ter uma comunidade grande, constantes atualizações, novos desafios e novos mapas. Veremos por quanto tempo se consegue manter.