Developer: Nintendo
Plataforma: Nintendo Switch
Data de Lançamento: 18 de Setembro de 2020

Foi em 1985 que Super Mario Bros. foi lançado, um jogo com um sucesso tremendo e que marcou para sempre a Nintendo, fazendo com que Mario se tornasse um ícone no mundo dos videojogos – confundindo-se quase com a própria marca. Chegamos agora a 2020 e a 35 anos desde o lançamento do jogo, e como seria de esperar, a Nintendo proporcionou umas surpresas aos fãs de Mario.

Tal como aconteceu com a Super Nintendo, onde Nintendo lançou a compilação dos vários jogos de Super Mario num único cartucho em Super Mario All-Stars, agora, a Nintendo decidiu criar uma compilação com alguns dos jogos em 3D de Super Mario, com Super Mario 3D All-Stars. Esta compilação é composta por Super Mario 64 (lançado em 1997 para a Nintendo 64), Super Mario Sunshine (lançado em 2002 para a Nintendo Game Cube) e Super Mario Galaxy (lançado em 2007 para a Nintendo Wii).

Começando por Super Mario 64, este é um dos mais importantes jogos da franquia de Super Mario, não só pela forma extremamente positiva com que foi aceite por todos os jogadores, mas também por ter sido o primeiro Super Mario totalmente em 3D. Aqui já não andamos de plataforma em plataforma, e agora podemos explorar todo o mundo do jogo. O jogo foi tão adorado pelos jogadores que vendeu perto de 12 milhões de cópias em todo o mundo (e é bom não esquecer que estamos a falar de 1997). Outra curiosidade que marca o jogo e todos os seus sucessores é que Mario ganharia voz pela primeira vez num jogo da franquia, e que lhe foi dada por Charles Martinet, e até hoje é o autor da voz do personagem, assim como de Luigi, Wario, entre outros personagens do universo Nintendo.

A história do jogo não foge ao habitual da franquia:

Bowser voltou a fazer das suas, e prendeu a Princesa Peach dentro do próprio castelo; será mais uma vez Mario que a terá de salvar, e desta vez terá de percorrer o castelo da princesa e entrar nos vários quadros que o castelo tem, sendo que cada quadro leva-nos a um novo nível do jogo, e lá teremos de enfrentar diversos inimigos até obter estrelas suficientes para enfrentar o maléfico Bowser e libertar Peach.

O jogo apresenta uma excelente jogabilidade, e é incrível como ainda hoje fica difícil larga-lo quando pegamos nele. Nem tudo é perfeito, principalmente para os dias de hoje, e isso verifica-se na câmera, que depois de habituados ao que podemos encontrar hoje em dia pode fazer um pouco de confusão, porém, é uma questão de hábito.

A nível gráfico, e para um jogo com 23 anos, posso dizer que consegue dar uma tareia a muitos jogos que vão saindo ainda hoje em dia (principalmente indies). Seja como for, é um jogo 3D pixelizado, e com muitas formas geométricas, mas que na altura do seu lançamento dava quase a ilusão de fotorrealismo (como os tempos mudam). Apresenta diversos detalhes que para a altura eram incríveis, com muita cor e vida, sendo um enorme marco para a indústria dos videojogos. O que me deixou um pouco decepcionado foi a Nintendo não ter colocado o jogo em 16:9 nesta compilação, continuando o jogo com a sua dimensão original dos 4:3.

A nível sonoro o jogo é incrível, tanto nas músicas, como nos efeitos sonoros. A voz de Mario está incrível, e leva-nos a momentos de pura nostalgia.

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Com a chegada da Nintendo GameCube, a expectativa de um novo Mario em 3D por parte dos fãs da Nintendo era enorme, e foi então que Super Mario Sunshine fez a sua aparição; mais uma vez recebido de braços abertos pelos jogadores, apesar de não ter vendido tanto como Super Mario 64. Ainda assim, vendeu mais de 6 milhões de cópias em todo o mundo.

A história do jogo foge ao usual nos jogos de Super Mario (pelo menos no início), e neste caso, Mario, Peach e Toad foram tirar umas férias a Delfino Island, uma ilha paradisíaca incrível. Acontece que para Mario, foi tudo menos umas férias, já que logo à chegada a ilha está a ser atacada, isto é, anda a ser pintada e grafitada com um pincel mágico e quem está por detrás disso tem exactamente o aspecto de Mario, Shadow Mario. Por esse motivo, Mario é preso e condenado a limpar toda a ilha, sendo que para isso lhe é dado o FLUDD (Flash Liquidizer Ultra Dousing Device), que basicamente é um jacto de água que Mario usa às costas, e é super potente, ao ponto de conseguirmos que este sirva de Jetpack, quando disparamos água para o chão. Além de limparmos toda a ilha, Mario irá tentar desvendar quem é o mau-feitor que lhe colocou todos estes problemas, quando o que ele queria era apenas tirar umas boas férias. O enredo do jogo irá melhorando com o avançar da história, e claro que teremos de salvar a Princesa Peach (senão não seria um verdadeiro Super Mario). Iremos ter de descobrir quem está por detrás do Shadow Mario, e claro, apanhar as Shine Sprites (120 no total) para que a ilha Delfino volte a brilhar novamente.

A nível de jogabilidade consegue estar ainda mais impressionante que Super Mario 64 (5 anos é muito tempo no universos dos jogos), e isso nota-se claramente. Além de Mario andar, correr, saltar, tem ainda o FLUDD que é essencial na jogabilidade deste jogo, e que o torna diferente de todos os Mario que haviam sido lançados até àquela data. Disparar jactos de água e conseguir voar devido ao Jetpack de água, tornam o jogo incrível, e diferente.

A nível visual o jogo deslumbra, com cenários magníficos; todos eles bastante paradisíacos, à semelhança de cuba, hawai e por aí adiante. Como devem imaginar, embora existam diversas áreas, estas não são assim muito diferentes umas das outras. Teremos muitas palmeiras, muitas zonas verdes, praia, mar, algumas zonas habitadas, isto é, tudo aquilo que qualquer pessoa adoraria num ambiente de férias e de relaxamento. Neste caso, o jogo já se apresenta numa dimensão de 16:9, mesmo o jogo original sendo 4:3.

A nível sonoro mais uma vez o jogo apresenta músicas óptimas, com muitos efeitos sonoros e mais uma vez, as personagens a emitirem alguns sons  e algumas palavras.

O último jogo desta compilação dispensa apresentações. Estamos, claro, a falar de Super Mario Galaxy, e é um dos jogos mais incríveis que a Nintendo Wii trouxe (e acreditem que existiram muitos e bons jogos para esta consola da Nintendo). Teve vendas a rondar os 13 milhões de cópias vendidas em todo o mundo.

A história do jogo volta mais uma vez a colocar Bowser a raptar a Princesa Peach, mas desta vez numa escala diferente de tudo o que já tínhamos visto em qualquer franquia de Mario até àquela data (2007). Num dia em que os habitantes de Mushroom Kingdom festejavam a passagem de um cometa que fazia sempre uma enorme chuva de estrelas aquando da sua passagem de 100 em 100 anos. Bowser e os seus barcos voadores invadem e atacam o reino da Princesa Peach, ao mesmo tempo que raptam a princesa e o seu castelo com a ajuda de um enorme disco voador. É a partir daí que Mario parte à aventura, uma aventura diferente de tudo aquilo que os jogadores tinham vivido com o canalizador mais conhecido do mundo.

É neste jogo que foi introduzida outra personagem do universo Nintendo, Rosalina fez aqui a sua estreia, para depois entrar em diversos jogos da Nintendo. Será Rosalina que explicará a Mario que é a protectora das galáxias, e que Bowser roubou as Power Stars e as Grand Stars. Mario aceita ajudar Rosalina ao mesmo tempo que irá salvar a Princesa Peach, e com isso terá a ajuda de Luma que lhe dará algumas habilidades.

Não vou estragar muito mais surpresas no que toca à história do jogo, mas algo que é preciso falar é como este se passa, visto que ao contrário de Super Mario 64 ou Super Mario Sunshine, Super Mario Galaxy passa-se todo em diversas galáxias com vários planetas; uns quase de tamanho minúsculo, outros bastante maiores, mas o conceito que os jogos 3D de Mario trouxeram aos jogadores continua lá, ou seja, a exploração dos mesmos. Embora neste tenhamos algumas surpresas – já que o conceito de gravidade está bastante interessante – dando uma perspectiva diferente ao jogo, em relação aos anteriores. O jogo oferece alguns puzzles para resolver, assim como diversos inimigos, e claro, os Bosses que temos de derrotar.

A jogabilidade deste jogo está excelente. A gravidade e alguns movimentos da câmera podem por vezes fazer alguma confusão, mas rapidamente nos acostumamos a ela. Passados 13 anos, é incrível como o jogo continua tão actual e divertido.

Graficamente está muito bom, e atrevo-me a dizer que no tempo da Nintendo Wii, foi provavelmente o jogo que nos mostrou os melhores gráficos que esta conseguia oferecer. Para não falar da riqueza de todos os cenários, que com tanta diversidade, é de nos deixar impressionados ainda hoje. As próprias cutscenes ainda hoje estão boas, embora já se note que não é um jogo desta geração.

A nível sonoro é ainda hoje um dos melhores ao nível das músicas, provavelmente só superado por Super Mario Odyssey que saiu em exclusivo na Nintendo Switch. Já os efeitos e as vozes também estão óptimos.

Para completar, Super Mario 3D All-Stars ainda oferece as bandas sonoras dos três jogos para ouvirmos, são ainda cerca de 5 horas de música se as juntarmos todas.

Todos os jogos foram adaptados para os controlos da Nintendo Switch, seja com os Joy-Cons ou com o Pro Controller, os controlos de movimento funcionam muito bem, e é algo que vão usar bastante no Super Mario Galaxy. As resoluções dos jogos também foram aumentadas, e como disse anteriormente, Super Mario Sunshine ganhou uma proporção de 16:9, algo que a sua versão original não tinha.

Provavelmente, todos aqueles jogadores que já tiveram oportunidade de jogar e finalizar estes três jogos não se vão interessar muito por Super Mario 3D All-Stars, e a verdade é que os jogadores mais jovens provavelmente nunca tiveram oportunidade de os jogar, e esta é uma excelente altura para isso acontecer. E um dos exemplos vem mesmo cá de casa, já que vi na cara do meu filho o quão maravilhado ele ficou por ter o privilégio de jogar estes três jogos.

Resta-nos dar os parabéns à Nintendo, e claro, ao Super Mario pelos seus 35 anos de grandes jogos, onde a maioria deles atingiu um enorme sucesso.