Developer: Iceflake Studios / Paradox Interactive
Plataforma: Xbox Series X|S, Xbox One, PC, Nintendo Switch, PS5 e PS4
Data de Lançamento: 16 de Novembro de 2021

Numa altura em que estamos à beira de voltar para mais uma situação de calamidade no nosso país, parece quase natural voltar a falar do Fim do Mundo, apesar de sentirmos que já passámos por isso recentemente. Surviving The Aftermath é mais um jogo de sobrevivência, de resilência perante todos os cataclismos que possam acontecer, até os mutantes. O género de jogo pós-apocalíptico parece não passar de moda e desta feita temos um Real Time Strategy (RTS) de pura sobrevivência. No entanto será que traz algo de novo?!

Curiosamente, este ano parece ser um ano de RTS’s, de Age of Empires IV, passando por Humankind, terminando em War Mongrels, este parece ser um género que regressou em força. Nem todos os que referi estão disponíveis para todas as plataformas, nomeadamente para as consolas, mas este Surviving The Aftermath não teve receio de se adaptar aos comandos.

A história do jogo é bastante simples e comum, basicamente somos o que resta da Humanidade e numa era pós-apocalíptica temos que tentar sobreviver, gerando uma colónia que satisfaça as necessidades da sua população, ao mesmo tempo que procuramos mais sobreviventes e formas de nos defender e resistir aos cataclismos.

O jogo não se preocupa com uma componente bélica e de estratégia nesse sentido, mas sim com a gestão da colónia e as expedições para recolher informação do mundo e recursos para sobrevivermos.

No início do jogo somos abordados por várias escolhas que temos que tomar para criar o mundo em que vamos tentar sobreviver. É a forma de estabelecer o nível de dificuldade da sessão, considerando parâmetros como o número de conflitos internos e externos, a resiliência e saúde da colónia e dos Especialistas, o número de eventos climatéricos e cataclismas que possam acontecer, assim como o número de recursos disponíveis no início do jogo. Por fim, ainda nesta definição de parâmetros, podemos escolher os primeiros dois Especialistas que vamos ter ao nosso dispor.

Deixem-me já explicar o que são os Especialistas. É um conjunto de 80 personagens que têm habilidades específicas e parâmetros diferenciados. Isto acontece porque serão eles, após criarmos as condições para a colónia subsistir e defender-se, que vão explorar o restante mapa para além da nossa colónia. Os parâmetros e habilidades passam pela rapidez com que se podem mover pelo mapa mundo, a sua capacidade de combate,  a capacidade para observar novas zonas, de recolher tecnologia, etc.

Neste capítulo vamos mover-nos como peças de xadrez perante o mapa, descobrindo recursos para a nossa colónia, segredos do novo mundo, ou até a verdade sobre o apocalipse e formas de sobrevivermos a um novo, se acontecer. Também vamos encontrar outras colónias inimigas, aí teremos uma espécie de combate por turnos, em que os tais parâmetros fazem a diferença, assim como o número de Especialistas que levamos para esse confronto.

Mas, já me estou a adiantar um pouco. Voltemos à fase inicial do jogo, e o core do mesmo. Quando começamos a estabelecer a nossa colónia, as primeiras preocupações passam por arranjar tendas para as pessoas viverem, e dar-lhes condições para sobreviver. Para isso, vamos ter que construir instalações. E para as construir vamos precisar de materiais para o fazer. Já estão a perceber a ideia certo?! Portanto vamos ter que aproveitar os recursos ao nosso dispor que passam por plástico que podemos reciclar para criar pano ou tecidos, madeira para as construções, bagas e aprender a caçar para comer como pontos iniciais.

Conforme vamos começando a dar os primeiros passos na criação da nossa pequena colónia, começam a surgir novas necessidades dos colonos. Pode passar por falta de saneamento, contaminação, falta de comida, ataques alienígenas, cataclismos que podem acontecer, tempestades de neve ou vagas de calor, etc.

É por isso que precisamos desenvolver a nosso colónia, ou se preferirem, evoluí-la. E o primeiro passo é desenvolvê-la através do conhecimento nos variados parâmetros. Pode ser a componente social e de habitação, desenvolvendo novas instalações de saneamento, tendas mais cómodas e maiores, formas de suprimento de comida e de água, pode ser também a componente de aprendizagem, tentando criar um sistema educacional que leve os nossos colonos a serem mais auto-suficientes e a criarem novas formas de gerar recursos; pode ser o desenvolvimento de novas tecnologias e da capacidade de gerar novos recursos para utilizar para a criação de novas estruturas, por aí fora. Ao todo são cerca de 130 edifícios ou instalações que podem ser criadas, a partir do desenvolvimento das várias áreas de conhecimento.

No entanto, para termos essa capacidade temos de ter um elemento fulcral que é os pontos de química ou de conhecimento. São esses pontos que apenas são ganhos pela gestão da colónia nos seus variados fatores e pela recolha dos Especialistas a desbravar o mundo lá fora. Portanto vamos ter que saber gerir a nossa colónia e as suas necessidades e desafios ao mesmo tempo que vamos explorando o restante mapa com os Especialistas para evoluir a nossa “nova civilização“.

Se ao princípio pouco ou nada nos é explicado em termos de conceitos e de comandos, rapidamente começamos a apanhar-lhe o jeito, muito pela tentativa e erro. Não existe um tutorial propriamente dito, apenas algumas indicações e bastante vagas, no canto superior esquerdo da tela. O que é interessante é que apesar disso, não deixa de criar aquele ciclo vicioso e viciante, isto é, nem dei pelo passar das horas e quando olhei já se tinha passado mais de 60 dias no jogo, e a minha colónia já estava a preparar-se para um novo apocalipse.

Não é que esse seja o “end game”, mas também não posso dizer que não é, apenas posso dizer que as escolhas que vão fazendo ao longo do jogo vão levar-vos a várias considerações e a decisões bastante difíceis de se fazer. Essa é outra da piada do jogo, variadas vezes vamos ter que fazer escolhas, desde resolver altercações entre os colonos, passando por abrir as portas, ou não, a novos colonos, a desbravar o mundo ou a viver constantemente isolados, tal e qual como um líder moderno tem que fazer no nosso mundo. E por vezes vamos-nos arrepender amargamente das decisões que tomámos, como também vamos regozijar quando levamos a nosso colónia para uma vida melhor.

Graficamente Surviving The Aftermath é competente, não está no mesmo patamar de um Humankind, por exemplo, mas é capaz de mostrar o detalhe suficiente para percebermos o que estamos a fazer, nem que tenhamos que aproximar a câmara do jogo. Como é habitual nos RTS, temos uma perspectiva isométrica, com uma lógica de construção em grelha. A arte visual do jogo em termos das instalações, dos Especialistas, e das várias imagens e algumas cut-scenes que surgem ao longo do jogo, é que estão bastante bem conseguidas, com um ar Frostpunk que lhe dá muito estilo e que se encaixa muito bem na vibe do jogo.

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Surviving The Aftermath é um jogo competente e diria que prudente. Não inova no estilo nem na ação em si, criou um mundo que já estamos muito habituados de ver, mas deu-lhe ferramentas interessantes para explorar. A componente de gestão da colónia, aliada ao “jogo de tabuleiro” de desbravar o restante mapa é refrescante no género. E a quantidade de elementos, de instalações e de habilidades é bastante grande o que o leva a tornar-se o suficientemente viciante para perder largas horas a jogá-lo. Apenas é conservador e isso não fará com que seja memorável.