Developer: Lazy Bear Games e Uroboros Games
Plataforma: PC
Data de Lançamento: 9 de Maio de 2019

Os jogos indie vieram para ficar. Cada vez aparecem mais estúdios, novas ideias, e até novos conceitos de jogo. Aquele estilo pixelizado que era uma obra de arte na minha juventude voltou a estar na moda, e neste momento já é melhor aceite um jogo que seja em pixel art, do que um jogo que apresente uns gráficos do tempo da PlayStation 3 ou Xbox 360. Não vou dizer que acho normal, porque não acho, vejo alguns jogos com bastante potencial a serem ostracizados pelos jogadores e pela crítica apenas porque não tem gráficos da geração actual, e depois outros jogos totalmente pixelizados a serem venerados, e o maior exemplo disso é o Minecraft.

Felizmente para vocês, o jogo que vos trago hoje é um daqueles totalmente pixelizado – ou em pixel art, para ficar mais bonito. Devem estar a imaginar que sou totalmente contra este conceito, mas não é verdade, apenas sou contra a tendência que agora se criou de falar mal dos jogos simplesmente porque os seus gráficos não são “over the top”. Mas vamos então a Swag and Sorcery, um jogo desenvolvido pela Lazy Bear GamesUroboros Games e publicado pela tinyBuild.

Quando comecei a jogar o jogo acreditem que até fiquei bastante entusiasmado, primeiro era um jogo com a mão da Lazy Bear Games que já nos tinha trazido Punch Club e Graveyard Keeper, depois porque o conceito de Swag and Sorcery até está engraçado. É uma espécie de RPG onde comandamos uma aldeia com diversos heróis. A história é bastante simples, como é costume nestes jogos: um reino que estava prestes a falir e precisava de uma solução para conseguir resolver os seus problemas financeiros, então o rei ordena que procurem o traje do seu tetravô, traje esse, que segundo uma lenda era mágico. O problema é que tinha sido roubado por um monstro, e o nosso objectivo, como já devem estar a imaginar, é recuperá-lo.

O grande problema nesta simples história está no conselheiro do rei, um um feiticeiro malicioso que tudo irá fazer para conseguir ficar com a coroa e enganar o rei a qualquer custo. Irá trazer exércitos de monstros, exércitos de zombies, entre outros seres esquisitos. Como é fácil perceber, a história está sempre anda sempre à volta dos heróis, vilões e dos problemas que este conselheiro nos irá colocar.

Para conseguirmos cumprir as diversas missões teremos de gerir a nossa aldeia e o nosso grupo de heróis, sendo que as primeiras missões servem de tutorial para aprenderem tudo aquilo que podem fazer. Essencialmente, para evoluírem vão precisar de dinheiro, e diversos materiais que podem ser adquiridos nas diversas áreas que têm para explorar.

Vamos então por partes, para perceberem melhor tudo o que este jogo vos pode oferecer:

Começando pelos principais intérpretes do jogo, os nossos heróis podem ser adquiridos na aldeia (mais propriamente na Guilda), e quando adquirem um herói encontrá-lo-ão a nível 1, e apenas com uma espada fraca. Ao contrário do que é habitual, para evoluírem o vosso herói, em vez de o mandarem em exploração para ganhar experiência e subir de nível, aqui, para este evoluir e subir de nível, terão de ter dinheiro (e bastante dinheiro), já que ele irá evoluir apenas na zona de treino na aldeia, e para isso terão de pagar a sua subida de nível, ou a evolução apenas de alguns dos seus status.

Os heróis têm diversos stats: Vida, Poder, Força, Inteligência, Vampirismo, Masmorra, Agilidade e Vigor. Estes valores diferem de herói para herói, por isso cabe a vocês decidirem que tipo de especialização querem para cada um deles. Podem escolher que este seja um feiticeiro e para isso devem equipá-lo como um mago, isto é, com um cajado, e um fato de mago (os fatos são todos constituídos por três peças, sapatos ou botas; o uniforme e o chapéu ou máscara), também podem ter o habitual guerreiro, com uma armadura e uma espada ou uma lança, ou um guerreiro com uma armadura mais leve e um mosquete ou uma besta.

Para obterem todos estes itens vão precisar de ter na vossa aldeia uma Cabana de Caça, uma Forja e uma Loja Mágica. Estas são as lojas essenciais no que respeita ao equipamento dos vossos heróis. Depois existem ainda mais locais como a Igreja que serve para curá-los, o Mercado onde podem vender itens para obter dinheiro, o Laboratório que podem criar itens e poções mágicas, a biblioteca e até um SPA.

Obviamente que para existirem heróis temos de ter missões e batalhas, e estas acontecem quando colocamos uma equipa de heróis (até três elementos) no estábulo. Será aí que escolhem o território para o qual vão enviá-los. Claro que os territórios começam bloqueados e conforme avançam na história do jogo é que estes vão sendo desbloqueados. Será aqui que vão apanhar os itens para fazerem equipamentos e outras criações e para melhorarem a vossa aldeia, isto é, para fazerem actualizações as diversas lojas que falei anteriormente. Devem estar-se a perguntar como funcionam estes locais; pois bem, aqui são os heróis quem têm de se desenvencilhar sozinhos, e vocês apenas podem ver como está a correr a caminhada deles. Felizmente, na biblioteca podem aprender alguns feitiços e com isso ajudá-los, atacando os adversários com fogo, ou dando vida aos vossos heróis, para isso acontecer precisam de mana – e acreditem: não é muita –, gastando-se rapidamente. Além disso, para criarem mana precisam de diversos itens que são apanhados nestes locais.

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Falando ainda da aldeia, esta tem uma reputação que pode ser ganha em concursos de moda, e para isso têm de enviar os vossos heróis para esses concursos. Existem sempre três júris para avaliar os concorrentes, e podem até dar-lhes uma prendinha antes do concurso para terem um pequeno auxilio, isto é, eles vão dizer-vos os seus gostos pessoais, como as cores que mais gostam e que menos gostam, e a partir daí podem vestir os vossos heróis a rigor para tentarem arrecadar os prémios para a vossa aldeia. Como em tudo neste jogo, é preciso pagar, e neste caso não é diferente. Quanto maior a reputação da vossa aldeia, melhores concursos surgirão, mas as suas entradas também serão mais caras, no entanto, os prémios também serão melhores caso saiam vencedores.

Acreditem: Swag and Sorcery no início é bastante viciante, tudo é novo e a descoberta é irresistível, diria que as primeiras 5 horas são jogadas sem qualquer dificuldade, o problema está depois quando começam a perceber que tudo é repetitivo. Conseguir que os nossos heróis subam de nível começa a ser um martírio, já que apenas os podem subir com dinheiro, logo têm de os mandar vezes e vezes sem conta para o farming, para depois criar equipamentos para os venderem no mercado e com esse dinheiro conseguirem subi-los de nível. Com o tempo começa a tornar-se uma tarefa absolutamente monótona, ficando a história completamente posta de lado.

Graficamente é o famoso pixel art que a Lazy Bear Games já nos habituou: não apresentando nada que nos surpreenda graficamente. A ideia foi usar cores muito vivas, num jogo que começa como um arco-íris, mas aos poucos vai se tornando mais um filme a preto e branco em que a cassete já está meio estragada e nos apresenta diversas falhas na imagem. As músicas são alegres e bastante simples, passando-nos um pouco ao lado depois de algum tempo a jogar.

No geral, Swag and Sorcery é um jogo interessante, mas peca bastante pela componente da repetição. Tentar colocar os heróis a um nível alto é um martírio devido à maneira como o jogo foi concebido, e acreditem, sem estarem a um nível alto não conseguirão ultrapassar determinados locais por onde têm de passar. O jogo saiu há pouco tempo, pode ser que as equipas de desenvolvimento ainda vão a tempo de fazer algumas alterações ao jogo de modo a o tornar mais encorajador, senão corre o risco de ser um jogo que apenas consegue ser engraçado no início.