Developer: Bandai Namco
Plataforma: PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox Series X|S, Xbox One, PC
Data de Lançamento: 10 de setembro de 2021

Um dos géneros de maior sucesso são os RPG e JRPG, e isso deve-se principalmente à quantidade de jogadores que cada vez mais estão ligados a jogos deste tipo (ao qual me incluo). Uma das franquias que nunca deixou ninguém indiferente foi a franquia “Tales of”, e é uma daquelas franquias que já existe há bastantes anos, apesar de os seus últimos 2 títulos terem ficado um pouco aquém do esperado. E embora tivessem qualidade (isso é inegável), a verdade é que os jogadores esperavam um pouco mais, provavelmente esperavam que o estúdio de desenvolvimento fosse mais audaz nas novidades em relação aos jogos anteriores.

Felizmente, a Bandai Namco deu ouvidos aos fãs, e decidiu inovar a sua franquia. Tales of Arise é um daqueles jogos que nos consegue prender ao ecrã durante horas e horas a fio, com uma história cliché, mas que, por existirem sempre novidades ao longo da nossa aventura, vai prendendo o jogador ao ecrã. Para terem noção, o jogo melhorou em termos gráficos, as batalhas estão excelentes, sempre cheias de acção e onde o jogador pode comandar qualquer jogador da sua party, conforme lhe for mais conveniente. Além disso, continua com todas as especificações necessárias de um RPG, tal como o melhoramento de nível de personagem, melhoramento das habilidades, alteração de equipamento e armas, diversas quest principais e secundárias, aquisição de itens, entre muitas outras coisas que um bom RPG deve ter.

Para ficarem contextualizados com a história do jogo, temos de recuar 300 anos até ao início da nossa aventura; quando o planeta Dahna era um planeta belo, cheio de luz e vida, e os seus habitantes acreditavam que este era indestrutível. Por outro lado, olhavam para o planeta vizinho, Rehna, como um planeta comandado por deuses, e local de descanso das almas de quem faleceu.

O problema é que essa ideia era completamente errada, e os habitantes de Dahna só se aperceberam disso quando foram invadidos pelos Lordes de Rehna, que com as suas forças militares invadiram Dahna e rapidamente se apoderaram do planeta, subjugando e escravizando os habitantes de Dahna. Para piorar tudo isso, o planeta Dahna passou a ser o local de obtenção de recursos, retirando a este planeta tudo o que este tinha, e retirando qualquer probabilidade dos habitantes de Dahna darem a volta à situação.

Para conseguirem facilmente ter uma noção de como estava a funcionar a escravatura e a subjugação daquele povo, os Lordes de Rehna decidiram dividir o planeta Dahna em 5 reinos, onde cada um dos Lordes geria a sua própria zona. Cada um desses Lordes tem um poder imenso graças a uma esfera de energia, sendo quase deuses, e que dificilmente conseguiriam ser derrotados por qualquer habitante de Dahna.

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A nossa aventura começa 300 anos depois da invasão, num desses locais, onde começamos por comandar uma personagem com amnésia e que tem uma máscara de ferro que lhe cobre toda a cara. No início todos lhe chamam Iron Mask, mas posteriormente ele irá lembrar-se que o seu verdadeiro nome é Alphen. Além da amnésia, Alphen não sente dor, o seu corpo pode estar num estado deplorável que ele não consegue sentir qualquer dor, algo que por um lado é bastante útil, mas por outro, pode fazer com que morra sem se aperceber que está ferido.

O início do jogo serve para percebermos o nível de escravatura e subjugação que existe, com o povo a passar fome, a serem castigados por serem mais lentos no trabalho, e a encontrarmos cadáveres por todo o lado por onde andamos, seja por falta de cuidados, seja por fome, ou mesmo pela subjugação à força dos militares de Rehna. Alphen revolta-se com toda esta situação, sendo dos poucos que ainda ousa enfrentar os militares quando vê algo que ultrapassa todos os seus limites, mas mesmo assim, sozinho, não tem poder para lutar contra aquela escravatura.

É num dos trabalhos pesados que tem pela frente, com o transporte de mercadoria para um comboio, que Alphen encontra Shionne, uma rapariga, que anda a ser procurada pelos militares de Rehna. Ele ajuda-a a fugir e é nesse momento que nos apercebemos como Alphen, por algum motivo, tem uma capacidade absurda de combate e de movimentação como poucos.

Shionne, por estranho que pareça, é uma habitante de Rehna, mas que por algum motivo que desconhecemos está a ser perseguida e caçada pelos militares de Rehna. Embora durante toda a aventura iremos encontrar diversos companheiros que nos ajudarão e que serão parte importante de toda a história do jogo, a verdade é que Alphen e Shionne são os verdadeiros protagonistas de todo este enredo, e conforme vão avançando na história isso vai ficando cada vez mais evidente. Não vou adiantar muito mais, mas garanto-vos que isto é só uma “pontinha do véu”, e a história é extremamente cativante, fazendo-nos querer sempre avançar mais e mais, de modo a conhecermos em pormenor todas as intrigas das personagens.

Além disso, temos como pano de fundo um povo em completa opressão e sem liberdade, que como se deve imaginar. E durante grande parte do jogo o nosso principal objectivo será lutar contra os Lordes de Rehna para conseguirmos dar uma vida mais decente ao povo de Dahna.

Ao longo do jogo vamos encontrar diversos personagens que nos irão acompanhar; uns apenas por alguns momentos, outros que se mantêm connosco durante grande parte da nossa aventura; e até algumas surpresas vão acontecer durante todo este processo. A parte interessante disso tudo é podermos ir variando entre personagens durante a aventura, seja durante o combate, ou mesmo como personagem que anda pelo mundo a falar com os diversos NPC’s que vamos encontrando.

Como já é costume, temos o habitual sistema de XP que vai fazendo as personagens irem subindo de nível, aumentando assim os seus poderes, melhorando a quantidade de vida, entre outras coisas. Somado a isso, temos um sistema de melhoramento de habilidades diferente do habitual, e neste caso vamos ganhando pontos de habilidade, para depois podermos desbloquear uma espécie de medalhas. Cada uma tem 4 melhoramentos, e quando desbloqueamos os 4 melhoramentos, um 5º é ganho automaticamente. Este sistema existe para cada personagem, e além disso, no início, os personagens não têm todas as medalhas possíveis, sendo que estas vão aparecendo conforme vamos avançando na aventura. Logo, por vezes, até podemos estar quase a ter tudo desbloqueado e, de repente, lá aparece mais uma.

Temos também os equipamentos, onde cada personagem tem a sua arma, a sua armadura, e ainda um acessório. Isto irá afectar directamente os Pontos de Vida, o Ataque, o Ataque Elemental, a Perfuração, a Defesa, a Defesa Elemental e a Tenacidade de cada personagem.

Depois existem ainda as Ars, ou, se preferirem, as habilidades em si de cada personagem. Estas vão sendo desbloqueadas conforme vão aparecendo as medalhas que referi acima, e vão poder escolher 3 para ataques terrestres e outras 3 para ataques aéreos. Mais uma vez, cada personagem terá as suas habilidades, logo, cada personagem terá ao todo 6 habilidades activas, que podem usar em batalha quando quiserem. A maneira de melhorar essas Ars é usando-as, parece estranho, mas quanto mais as usarem, melhores vão ficando os seus ataques. Elas podem ser melhoradas até 5 vezes cada uma, só precisam usar o número de vezes certo para cada uma, para atingirem o seu potencial máximo.

Os visuais das personagens também podem ser alterados, sem isso afectar o equipamento que estão a usar, o que poderá ser do agrado de alguns jogadores. No meu caso, eu gosto de ver a diferença de visual conforme vamos alterando o equipamento dos personagens.

Existem ainda outros detalhes, como ser possível cozinhar para adquirir bónus temporários para os personagens, assim como em combate é possível a partir do D-Pad pedir suporte aos outros membros da party. Isso fará com que eles façam um ataque especial ao inimigo que vocês tenham seleccionado, e isto é de extrema importância, até para conseguirmos criar algumas estratégias. Esse suporte consome Pontos de Cura, que também se gastam cada vez que recebem vida, logo, é importante terem cuidado com os Pontos de Cura que têm para cada batalha.

Como é normal neste tipo de jogos, Tales of Arise oferece diversas missões. As secundárias costumam ser de rápida resolução, já as de história são sempre mais compridas, porém, também mais interessantes. Diria que as secundárias são uma maneira de irem obtendo Galds (dinheiro do jogo), e alguns itens; já as principais são aquelas que nos prendem ao ecrã.

Ao longo de toda a viagem vão passar por diversos locais onde vão combater com diversos inimigos, mas também adquirir diversos materiais que servem tanto para cozinhar, como para criar armas, armaduras e acessórios. A criação desses itens acontece quase sempre nos locais de descanso, onde encontram sempre um NPC capaz de vender itens, assim como comprá-los, e claro, produzir o armamento, caso tenhamos dinheiro e os materiais necessários.

O Combate é todo ele frenético, cheio de acção, com muito hack and slash, magias, e até com bastante dash. O combate é mesmo um dos pontos mais fortes do jogo, já que por conseguir ser simples, mas ao mesmo tempo cheio de vida, nunca queremos fugir da batalha, muito pelo contrário, quanto mais lutamos, mais nos sentimos preparados, e melhor vamos conseguindo esquivar de todos os ataques e percebendo como funciona a dinâmica da nossa party.

Como já é costume na franquia “Tales of” continuamos a ter diversos diálogos entre personagens, que nos levam a conhecê-los cada vez melhor, assim como perceber as suas personalidades e até a ter mais apreço por uns do que por outros. Estes diálogos podem acontecer nas cutscenes do jogo, mas também em momentos em que aparece uma espécie de banda desenhada com os diversos diálogos.

Já que falamos de cutscenes, algo de que não podemos fugir é o grafismo incrível que o jogo apresenta. Na nova geração de consolas ficamos mesmo maravilhados com tudo o que está à nossa volta, seja com os personagens, como o mundo à nossa volta, mas também com os inimigos e os efeitos. Tudo está bonito, competente, e mostra um enorme aumento de qualidade em comparação com jogos anteriores da franquia. As cutscenes também são incríveis, parecendo tiradas das melhores animes japonesas.

Tales of Arise é, sem sombra de dúvidas, um dos melhores JRPG que vão encontrar este ano, e diria que é um dos melhores jogos da franquia “Tales of”. A Bandai Namco acertou em cheio, e além disso oferece-vos diversas horas de jogo. Se forem como eu que exploram cada canto do mapa, e gostam de fazer todas as missões secundárias, então vão ter jogo para umas boas dezenas de horas.

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