Developer: Rebound CG.
Plataforma: PC e Mac
Data de Lançamento: 07 setembro de 2021

Devo confessar que sou daqueles que tem alguma dificuldade em perceber a questão dos simuladores de gestão de uma modalidade. É verdade que joguei largos anos Championship Manager, Premier League Manager, Football Manager, até alguns jogos mobile, mas também é verdade que rapidamente me fartava. Levava o Benfica a ganhar a Champions League com uma equipa de jovens promessas nacionais e pronto, estava bom. Bem sei que a minha envolvência com os jogos agora é um pouco diferente, e por vezes frustrante, de não ser capaz de dedicar tanto tempo a um jogo como muitas vezes gostaria, mas com os jogos jogados foram introduzindo cada vez mais as componentes de gestão, fui deixando de lado os simuladores de gestão futebolística, quanto mais de outro desporto.

E porquê esta explicação toda?! É porque eu achei que seria difícil gostar deste Tennis Manager 2021. Não que isso me influenciasse a não fazer uma análise fundamentada sobre aquilo a que o jogo se propõe e para a quem se propõe, mas que se daquelas mais díficieis de fazer. E não é que estava engando?! E não há melhor catch phrase para um jogo do que esta, de que apesar de não ser o meu estilo de jogo, ou de jogo pelo qual eu pudesse ansiar, de facto é um bom jogo, e um excelente proposta da Rebound CG, um pequeno estúdio indie que fez uma série de proezas com este jogo.

Vamos lá então perceber como é que o Tennis Manager 2021 faz esta proeza. Primeiro explicar ao que se propõe o jogo. Como já devem ter percebido, vamos gerir a carreira de vários jogadores de ténis, numa academia existente dentro do jogo, ou podem vocês próprios criar a vossa própria. Diria que ao início é mais fácil entrar numa academia já existente para perceber os meandros do jogo e habituarem-se a todas as componentes que vão gerir enquanto Treinador Principal e o líder de toda a equipa técnica da Academia, e só depois aventurarem-se a criar a vossa própria Academia que vos vai colocar em muitas mais situações de gestão deste organismo.

Eu sei que em alguns “managers” é possível jogar as partidas, mas aqui eu tenho que dizer, logo à partida, que tal não vai acontecer. E isso meteu-me um certo receio, porque por mais que goste de ténis, é difícil não adormecer a ver ténis na Eurosport, mas aqui temos uma verdadeira intervenção na gestão da partida e uma clara influência no nosso pupilo que faz com que cada set seja efetivamente intenso.

Falando já dessa característica e depois abordando as restantes mais de gestão, dizer que antes da partida em si, podemos falar com o nosso atleta para o encorajar ou motivar com várias opções de discurso, que perante a personalidade do nosso tenista, podem resultar, podem o motivar, o acalmar ou à beira de um ataque de nervos. É interessante como essa componente mental não funciona por algoritmo, é uma perceção mais humana, onde temos que ir conhecendo a personalidade do nosso tenista, de como reage ao espicaçar, ao dizer que fez tudo errado, se funciona melhor se o motivarmos e andarmos com ele nas palminhas; dá ali um desafio extra e suscita a curiosidade de dominarmos a mente do nosso atleta para tirar o melhor rendimento dele. Isso também acontece durante os jogos em si, onde temos um botão em que podemos gritar várias palavras, que vão da motivação à critica pura e dura, tendo resultados diferentes perante a situação pontual ou o desenrolar do set.

A componente tática é dos pontos que mais surpreendeu neste Tennis Manager 2021, pois durante o jogo que vamos assistindo através de 3 câmaras, a de fundo de court, área ou 3/4, podemos alterar a tática do nosso tenista. A forma como tudo acontece é em tempo real, porque a adaptação do tenista perante a estratégia é praticamente imediata, e a forma como são apresentadas as opções no menu de interação estão impecáveis. Basicamente abre-se uma aba no lado esquerdo do ecrã enquanto decorre a partida, onde temos um conjunto de táticas para selecionarmos. As assinaladas com um círculo verde são aquelas com que o nosso tenista se sente mais confortável e que tem treinado mais e melhor na academia, e as assinaladas a vermelho as que domina pior.

No entanto, e apesar de querermos implementar sempre o nosso jogo ao adversário, nem sempre o vamos conseguir, especialmente no início da carreira, e vamos ter que nos adaptar ao jogo do adversário através dos conselhos sempre sábios da nossa equipa. Nessa aba quando escolhemos uma tática, para além de uma breve explicação temos o desenho tático de como o nosso tenista vai responder, seja a sua posição no court, a direção da bola, o tipo de pancada ou o movimento que vai fazer. Estas indicações simples e fluídas dão nos a visualização tanto daquilo que queremos fazer, como daquilo que está a acontecer no court e como nos podemos moldar à situação. Posso dizer que não há nada mais satisfatório do que estar a perder o set por 2-4 e dar a volta para um 6-4 porque passámos a jogar de uma forma diferente e a abordar cada pancada com uma outra tática em mente.

Para além de poderem definir a tática, dentro da mesma podem definir vários parâmetros tanto no serviço, como na resposta ou no movimento. Podem definir a intensidade do primeiro e segundo serviço, assim como o local para onde colocam a bola em cada um deles e o movimento adjacente perante a sua execução.

Podem também definir a resposta do serviço tanto em backhand como em forehand. Se preferem jogar mais no risco e apontar para as linhas, se preferem disparar uma bola mais forte ou mais lenta, a zona para qual a lançam, se uma bola mais curta ou mais longa.

Já no chamado rally a discutir o ponto em si, têm três fases, a defensiva, ofensiva ou normal, e podem adaptar o vosso estilo para cada uma delas. O tipo de resposta, se para o fundo do court, se no sentido contrário do adversário, se para cima do corpo dele, ou para o seu pé mais fraco. Podem escolher o tipo de spin que dão à bola, se o topspin, o flat ou o chop, se utilizam mais força ou mais jeito, e ainda a subida à rede, isto é, se arriscam subir à rede para arrumar o ponto. Também aqui podem escolher todas estas opções perante a backhand ou forehand.

No Plano de Jogo temos ainda dois parâmetros mais genéricos que podemos definir que se relacionam com a mentalidade do nosso jogador, isto é, podemos exigir mais ou menos em relação à disciplina tática, basicamente se cumpre as direções do plano de jogo, ou se atua mais livremente, e ainda o equilíbrio entre o ataque e a defesa.

Também importante é o fator de intensidade que se interliga com a fadiga do nosso tenista, onde temos 5 níveis, do baixo ao alto em três fatores determinantes do jogo do nosso tenista. A intensidade do serviço, a intensidade da resposta, ou a intensidade nos pontos chave do plano de jogo. Vão ter que medir o pulso ao jogo porque não vai dar para estar sempre no máximo de intensidade, o tenista nesses moldes cansa-se muito depressa, e com isso perde também o foco em respeitar o plano de jogo ou de decidir da melhor forma.

Fora esta questão central dos jogos de ténis, que diria que é o mais interessante, o jogo funciona de uma forma simples, eficaz, e com uma enorme facilidade de leitura e entendimento. Desde a gestão do staff perante os treinos, os tipos de treinos e o treinadores para cada um dos tenistas, dando-nos conta de como estão a evoluir cada um dos tenistas, através de mensagens com parâmetros facilmente legíveis, tal como ao dar-nos indicação de quando precisamos de ver algo que não está a correr bem, como estarmos a utilizar o mesmo treinador físico para demasiados tenistas ao mesmo tempo, apenas com um ponto de exclamação e uma cor laranja para nos alertar.

Em termos de gestão não é nada complicado, e acho que está na dose certa para disfrutarmos do jogo na medida certa, com preocupações financeiras normais, objetivos que precisam de ser cumpridos, novos patrocínios que precisam ser conquistados, a contratação de melhores elementos de staff, mas fundamentalmente focado no treino e na competição.

Em termos gráficos o jogo é super clean, com os menus muito diretos (tomara eu que o FM fosse assim), com as mensagens de correio definidas por abas coloridas para sabermos sobre que tema ou questão é determinado email, e sempre com informações importante em termos de desenvolvimento dos nossos atletas, estatísticas dos seus jogos, ou estatísticas do adversários. No motor de jogo em si, Tennis Manager 2021 é competente. Não posso dizer que está um espanto, não está um Tennis World Tour 2, está uns furinhos abaixo, mas agradável para acompanhar o desenrolar da partida de uma forma fluída, mesmo se estivermos a mudar o plano de jogo ou a tática em tempo real, sem nunca perder o fôlego ou a definição. Há alguns momentos ainda que a raquete não parece contactar a bola e isso faz-me alguma confusão, assim como quando o ponto é ganho ou perdido por vezes não percebemos muito bem onde a bola bateu.

Tennis Manager 2021 consegue atrair os fãs da modalidade e dos simuladores de gestão, ao mesmo tempo que atrai simpatizantes da modalidade a ver bem de perto como se constrói uma carreira e se define a mentalidade de um tenista. A componente emocional, mental e física estão incríveis, dando uma sensação de proximidade e afinidade, que nos leva a querer conquistar tudo com os nossos pupilos. Sedimentado numa base sólida de interface e numa resposta em tempo real de todas as alterações táticas e do plano do jogo, o trabalho da Rebound CG consegue ser desafiante e emotivo ao mesmo tempo.

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