Developer: Question
Plataforma: Xbox One, Playstation 4, PC
Data de Lançamento: 30 de julho de 2019

Lembram-se quando eram crianças, juntavam os amigos e se armavam em detetives com a mania que tinham ouvido barulhos aqui e ali, mesmo que não estivesse lá ninguém? The Blackout Club é o jogo do nosso imaginário de miúdo onde procuramos respostas a acontecimentos, no mínimo, estranhos. Para juntar a tudo isto, uma das coisas que vamos ter de fazer mais vezes ao longo da aventura é fechar os olhos para conseguir ver algumas pistas. É verdade. Claro que não vos vou pedir para fecharem agora os olhos e tentarem ler o resto da análise, mas se fossem um dos membros de The Blackout Club de certeza que o fariam com a maior das naturalidades para descobrirem algo útil. Se quiserem tentem na mesma.

Para explicar melhor, este The Blackout Club é um jogo de terror na primeira pessoa e que permite jogar sozinho ou em modo cooperativo online. Um dos nossos amigos desapareceu e o nosso objetivo é salvar o nosso amigo e perceber que raio se passa ali.

Para nos dificultar a vida há um fantasma que controla os adultos espalhados pela cidade e convêm não sermos vistos por estes autênticos “sonâmbulos” que andam por ali. Também não se pode fazer barulho, se não eles perseguem-nos para nos atacar e dar como fracassada as missões.

Ao nosso dispor temos alguns apetrechos para lhes fazer frente, sprays, tasers, pistolas e outras engenhocas, mas o melhor é mesmo andar agachado em modo furtivo para não ser detectado, de maneira a recolher provas do que ali se passa. Temos ainda um telemóvel com o qual vamos ter de registar as coisas que podem ser relevantes naquele caos instalado na cidade onde cada um dos membros do clube tem falhas de memória e vão ter de juntar as peças todas para chegarem ao fim do puzzle de forma a salvar o nosso amigo.

Antes de iniciarmos a nossa caminhada, digamos assim, somos incentivados a jogar um prologue bastante promissor para percebermos melhor as mecânicas do jogo. No papel de uma das crianças, lá estamos nós sozinhos em casa a falar no telemóvel com os nossos pais, mas rapidamente tudo muda quando parece, aparentemente, que estamos a sonhar e vemos que está alguém em casa para nos assustar. É aqui que The Blackout Club nos diz para fechar os olhos. Esta é, de resto, uma ação que temos de fazer com frequência. Quando o fazemos vemos mensagens, figuras e o mais importante, os nosso inimigos, numa visão que comparo com a do Predador, o filme. Depois de passarem esta parte, podem fazer o vosso personagem e partir para a aventura. Podemos criar um novo jogo a partir de um lobby ou então juntarmo-nos a outros clubes já existentes e ir fazendo as missões.

A evolução do nosso personagem é um ponto a favor de The Blackout Club. À medida que vamos fazendo mais missões, ganhamos experiência e podemos optar que tipo de detetive vamos ser e que poderes podemos equipar. Existem diversos tipos de perks, como lhe chamam, no jogo, desde inventar chamadas para atrair os sonâmbulos ou ter uma barra de energia maior e por aí adiante. Nós é que vamos moldado o personagem àquilo que mais se ajusta com a nossa maneira de jogar. Juntar isto, com os outros três elementos do clube, cada um com as suas perks, é bastante divertido.

Uma boa ideia que foi colocada em The Blackout Club é que a partir de certo momento, podemos entrar nas missões de outros, mas com o intuito de ajudarmos os adultos. O modo Stalker é desbloqueado depois de algum tempo e aí podemos ir sozinhos dificultar o trabalho de outros.

A ideia e o conceito estão muito bem conseguidos, agora a jogabilidade e o enredo apresentam algumas falhas que deixam a desejar. Aquela que mais me irritou foi logo no prologue que demora uns 20 ou 30 minutos e quando estava a chegar quase ao fim, o personagem bloqueou num caminho. Não conseguia andar, nem sair dali. Tentei de tudo e esperei uns bons 10 minutos, para ver se era algo passageiro, mas não. Tive de desligar e voltar a ligar e fazer tudo de novo. Os movimentos de subir e descer escadas, coisa que vai acontecer com alguma frequência, também não são, nem de perto nem de longe, bem feitos. 

Outro dos problemas é a repetição de missões. Não que sejam mesmo iguais, mas a essência assenta e muito na mesma premissa. Dou-vos um exemplo. Numa missão o nosso objetivo é recolher três provas do apartamento 308, na outra missão, será igual, mas de outro apartamento. Não é sempre assim, claro, mas podiam ser mais variadas as missões e os objetivos. Um enredo sem qualquer nexo em missões um bocado random, não fazem jus ao prólogo tão promissor que jogamos no início. Perdi-me na história a certa altura e deixem de perceber o que estava ali a fazer. Era sempre a mesma coisa.

Graficamente, cumpre com aquilo a que se propõe com um estilo de animação, misturado com fotos reais em quadros e alguns vídeos, no telemóvel, que são uma cópia fiel da realidade. Os efeitos sonoros lembram, os filmes de terror, nomeadamente os barulhos estranhos.

Para gostar de The Blackout Club, é mesmo preciso fechar os olhos a algumas falhas. Tem a seu favor um conceito inovador nos jogos de terror com a chegada do modo cooperativo e um bom prólogo que me leva a pensar que talvez o caminho fosse continuar a aventura por ali, mas não foi isso que aconteceu. Não é o tipo de jogo que se jogue todos os dias, talvez o façam nos primeiros tempos em que o tiverem, mas depois vão achar repetitivo. Uma pena para algo que podia ser excelente.

 

Deixa um comentário