Developer: Paranoid Productions
Plataformas: Xbox One, PlayStation 4, PC, Nintendo Switch
Data de Lançamento: 2 de Agosto de 2019

A religião é, e sempre foi usada para todo o tipo de acções e desculpas, desde a época medieval, até à própria Inquisição em que qualquer pessoa que eles considerassem herege era queimado na fogueira. Ainda hoje existem diversas religiões ou seitas que nos deixam a todos bastante cépticos, e por mais estranho que seja, os jogos ultimamente têm aproveitado estas ideias para chamar a atenção das pessoas para estes casos.

The Church in the Darkness, tal como o nome indica, fala disso mesmo. A história do jogo é bastante simples: o jogo passa-se nos anos 70 e o nosso objectivo será salvar o nosso sobrinho de um culto numa floresta isolada na América do Sul. O local pode ficar à vossa imaginação, e podemos pensar em locais como o Brasil, Argentina, ou noutros países daquele continente gigantesco. Este culto – The Collective Justice Mission – tinha começado nos Estados Unidos da América, onde os seus lideres devido aos seus ideais e convicções passam a ser procurados no seus países-natal, e então é nessa altura que decidem mudar-se para este novo local onde se passa a acção do jogo.

É depois destes acontecimentos que começam a desaparecer pessoas que se mudaram com aquele culto para a América do Sul, e é já nesse local que vamos começar a nossa aventura. Chegamos num pequeno bote e é nesse ponto que começamos a nossa investigação para encontrar o nosso sobrinho. Para o conseguirmos encontrar teremos de explorar o mapa, procurar recursos, desligar alarmes, distrair inimigos e por vezes até matá-los. A maneira como queremos completar a nossa missão é totalmente à nossa escolha, e tanto podemos optar por uma abordagem mais furtiva, como simplesmente entrar a matar (acreditem que esta última estratégia é tudo menos fácil).

Algo bastante interessante é o que as nossas acções provocam no jogo e nos personagens. Para perceberem o que quero dizer, convêm referir que o jogo terá 19 finais diferentes; e entre fazerem objectivos secundários que vão encontrando ao longo da vossa exploração, escolherem entre matar, ou não, certos personagens, e resgatar o vosso sobrinho de uma maneira furtiva, tudo mudará o vosso final. Algo também interessante é a propaganda suja e também as informações que vão ouvindo nos altifalantes espalhados pela floresta. E digo que a propaganda é suja porque nota-se claramente uma certa junção política e religiosa, que se torna numa bomba-relógio, onde a lavagem cerebral é total.

O medo é outra das constantes que vão verificar entre os membros do culto. Isso é mostrado logo pelo armamento que a maioria dos membros tem, e o medo de espiões ou da invasão por parte de forças militares também se nota em alguns bilhetes, diálogos e notas que vão encontrando.

Algo que também não posso deixar de realçar é a mudança de local onde começamos o jogo, desde a personalidade dos líderes se irem alterado, assim como os locais onde encontramos as coisas no mapa serem diferentes a cada novo início.

O jogo é todo ele visto de cima e apresenta uma boa área para conseguirmos ter uma melhor noção do que se encontra ao nosso redor. Quando entramos em algum local, o seu telhado desaparece para conseguirmos ver o seu interior e até se algum inimigo se encontra lá dentro. É possível nos escondermos em alguns locais como baús ou armários, tal como esconder corpos dos inimigos – estejam eles mortos ou apenas inconscientes. Para nos ajudar, existe um mapa que podemos consultar a qualquer momento. Ao encontrarmos notas e ao falarmos com alguns NPCs esse mapa será actualizado com localizações de pequenos objectivos que podemos fazer ou não.

Os inimigos têm um certo raio de acção para nos conseguirem ver, e por isso devemos e podemos usar isso para fugirmos do seu alcance. Além disso, existe ainda a possibilidade de os deixarmos inconscientes caso os apanhemos por trás, para depois escondê-los em determinados locais. Outra das maneiras de os despistarmos é atirando uma pedra, de maneira a eles irem investigar o barulho. O último recurso é mesmo matá-los, epara isso podem usar armas que podem encontrar, ou que podem mesmo adquirir quando atacam um adversário por trás.

Algo que provavelmente vão achar estranho é que caso não passem no raio de acção dos inimigos, eles não vos ouvem sequer, sendo que podem correr atrás deles, e eles não vos vão ouvir. É estranho, e no início até andamos com muito cuidado até percebermos esse “erro” no jogo.

Algo importante é tudo aquilo que podemos apanhar: desde as armas, documentos, notas, itens para desligar os altifalantes, e até itens para se curarem. Os documentos e notas são bastante interessantes, pois contam um pouco melhor a história daquele culto e até da maneira como os seus líderes pensam ou desejam. Porém, torna-se algo desinteressante que os documentos nunca mudem, por muito que iniciemos o jogo novamente, o que significa que depois de os encontrarem, se tentarem fazer outro final do jogo, não terão muita vontade de encontrar os documentos novamente, pois serão exactamente os mesmos.

O jogo é mesmo bastante pequeno, e é possível finaliza-lo em apenas uma hora. E se nem se derem ao trabalho de procurar itens, em cerca de 30 a 40 minutos finalizam o jogo novamente.

No que toca aos gráficos, é um daqueles jogos que não nos surpreende em nada. Não é mau, mas também não é bom. É razoável, digamos. Quando ao som, ou à banda sonora, pouco temos a dizer porque ela é quase inexistente.

The Church in The Darkness é um jogo bastante interessante relativamente à sua história e no que tenta transmitir ao jogador. Podia ter mecânicas melhores, embora entre o início do jogo e as primeiras duas ou três finalizações possamos ter uma experiência agradável. No entanto, a partir desse momento, o jogo repete-se e repete-se, faltando de vontade de continuar a descobrir os outros finais. E isso é uma pena.