Developer: SuperMassive Games
Plataforma: Xbox One, PlayStation 4 e PC
Data de Lançamento: 30 de Outubro de 2020

SuperMassive Games – os mestres do terror quando falamos de videojogos – voltam com mais um conto da fantástica antologia The Dark Pictures. Little Hope é o segundo título da série (de oito planeados), tendo esta sido iniciada com um promissor Man of Medan, que seguindo a fórmula de Untill Dawn, introduziu ainda mecânicas interessantes que foram agora igualmente transportadas para este episódio.

À semelhança dos jogos anteriores do estúdio, teremos um anfitrião que nos apresenta a história, ao mesmo tempo que nos provoca emocionalmente, ao ponto se podemos ou não confiar no que sugere. Tanto em Man of Medan, como Little Hope, essa personagem tem o nome de The Curator, e apesar de não participar verdadeiramente na história, é quem vai narrar e até questionar as decisões que iremos tomar.

The Dark Pictures: Little Hope explora diferentes linhas temporais. No presente temos um professor e os seus quatro alunos, que após um acidente de autocarro tentam encontrar auxilio na cidade mais próxima, chamada Little Hope. Rapidamente perceberemos que este local esconde segredos bastante sombrios, e várias vezes recuaremos no tempo para contextualizar a história, assistindo a eventos que ocorreram na região.

O passado tem uma ligação com o julgamento de Salém, com múltiplas acusações de bruxaria, levando mesmo à execução de quase duas dezenas de pessoas, das trinta que foram consideradas culpadas. Uma horrível incidência de histeria colectiva que assombra a cidade abandonada de Little Hope, e que inevitavelmente acabará por influenciar Andrew, Daniel, John, Angela e Taylor no presente, através de acontecimentos estranhos e macabros.

Jogaremos com todos as personagens, e cada uma com os seus próprios traços mentais, que se vão modificando conforme as escolhas que vamos efectuando. Esse perfil pode ser consultado quando quisermos, e teremos inclusivamente acesso à informação de como as personagens se relacionam entre si; de quem são mais próximos, ou por quem têm alguma antipatia.

Todas estas pequenas coisas podem afectar a sucessão de eventos, o que faz com que a história pareça que foi criada à nossa medida. E a sequência de situações ou diálogos nunca serão iguais para todos os jogadores, uma vez que são influenciados por aquilo que foi escolhido anteriormente.

A jogabilidade resume-se muito a investigar e explorar. Os objectos com os quais podemos interagir ficam sinalizados, e tanto servem para originar uma acção, como para proporcionar revelações sobre a história, ou um futuro próximo. Um bom exemplo são as “Premonições” – colecionáveis que mostram um vislumbre de uma circunstância que poderá, ou não, acontecer em breve a um dos personagens.

Paga-nos o café hoje!O ritmo da história é como nos anteriores títulos da Supermassive, com um compasso mais lento no início para favorecer o desenvolvimento das personagens. No entanto, assim que as nossas decisões começam a ter consequências, a história torna-se uma autêntica montanha russa.

O objectivo é conseguirmos terminar o jogo tentando evitar a morte do maior número possível de personagens, porém, é extremamente difícil salvar todos. Os momentos de maior tensão dependem de quick events. Frequentemente, a nossa velocidade de raciocínio e os nossos reflexos serão postos à prova, já que a linha entre a vida e a morte, muitas vezes, dependem de pressionar o botão certo.

Sendo um survival horror, e especialmente para quem gosta do género, os sustos são inevitáveis. E embora uns sejam algo previsíveis, muitos deles não os vemos chegar, e diversas vezes saltaremos da cadeira para reclamar em sobressalto. A atmosfera de terror está ainda melhor do que em Man of Medan, até porque o próprio contexto é mais sinistro, portanto, não se surpreendam caso sintam um arrepio ou outro.

O registo dos jogos criados pela SuperMassive assemelham-se em muito aos filmes do estilo slasher que eram tão comuns na década de 80. Filmes como Halloween, Friday the 13th, The Texas Chain Saw Massacre e A Nightmare on Elm Street servem de inspiração às experiências assustadoras do estúdio, e Little Hope, mais uma vez, capta na perfeição as características que fizeram desse tipo de filmes uma verdadeira febre na altura.

Tal como em Man of Medan, uma importante componente multijogador está disponível em Little Hope. Temos dois modos multiplayer, um online, onde podemos convidar um amigo e partilhar a história simultaneamente; e um multiplayer local, até 5 jogadores, onde à vez, o comando passará por cada um dos jogadores.

Escusado será dizer que jogar com companhia, embora possa diminuir ligeiramente a tensão e o suspense, por outro lado consegue proporcionar enormes gargalhadas com as reacções uns dos outros. É uma sensação única nos jogos de narrativa, e seria bom que este modelo fosse adoptado noutros jogos dentro do mesmo estilo.

Está muito bem construído no aspecto gráfico, algo que não surpreende, tendo em conta os anteriores trabalhos da SuperMassive Games. O ambiente sinistro e aterrador está no ponto perfeito, e a banda sonora não lhe fica atrás, que em conjunto nos deixam em constante paranoia. A maneira como a perspectiva vai mudando conforme a cena faz com que nos sintamos no meio de um filme de terror, e tudo foi pensado ao pormenor para que o jogador esteja sempre envolvido com o que está a ver.

The Dark Pictures: Little Hope é mais um excelente título da SuperMassive, e quem gostou de Untill Dawn e Man of Medan certamente não vai querer deixar escapar a oportunidade de poder viver mais uns momentos de inquietação e pavor. House of Ashes é o episódio que se segue e já foi anunciado para 2021, o que olhando para obra feita com Little Hope, só nos pode deixar as expectativas bem altas.