Quando falamos deste jogo, é difícil não nos lembrarmos de um dos “tijolos” mais importantes da nossa infância. Falo obviamente do Gameboy. Provavelmente, tal como eu, muitos de vocês tiveram a consola, ou pelo menos tiveram oportunidade de experimentá-la por um amigo ou familiar. Este remake de The Legend of Zelda: Link’s Awakening trouxe toda essa nostalgia, além de oferecer uma nova jogabilidade e apresentação ao jogo. Porém, ao mesmo tempo, trazendo os pormenores do jogo original.

Além disso, os fãs do clássico The Legend of Zelda também ficaram rendidos a esta obra. O jogo consegue transportamos para os anos 80 e 90 no que toca à maneira como as coisas nos são mostradas e apresentadas; mas ao mesmo tempo, ser realmente actual, devido primeiramente ao seu grafismo, e depois a como tudo foi implementado neste incrível remake.

Para quem nos segue aqui no Salão de Jogos há alguns anos, já percebeu que eu sou um fã desta franquia, e devo dizer que estava um pouco dividido se este teria sido uma boa decisão por parte da Nintendo em fazer reviver o jogo na Switch, primeiro porque muitos dos novos jogadores estão mais virados para jogos como The Legend of Zelda: Breath of the Wild – com aqueles 3D incríveis, mundos quase sem fim, grafismos altamente pormenorizados –, e depois porque The Legend of Zelda: Link’s Awakening é um dos jogos mais queridos da franquia.

A verdade é que fiquei positivamente surpreendido, e a Nintendo conseguiu, uma vez mais, trazer um remake com imensa qualidade, no entanto, sem perder a sua essência.

The Legend of Zelda: Link’s Awakening traz-nos mais uma vez Link, mas desta vez não terá de salvar a princesa Zelda, mas terá de se salvar a si, já que o seu barco, devido a uma tempestade naufragou e Link foi parar à ilha Koholint. É na praia dessa ilha que Marin o encontra e o traz para casa, cuidando dele até ele acordar.

É nessa altura que percebe a aventura que terá em mãos, sendo informado que para conseguir sair daquela ilha terá de acordar uma criatura que está dentro de um ovo gigante no topo da montanha mais alta daquela ilha, e que tem o nome de Wind Fish. O caminho para lá chegar não será fácil, primeiro porque terá de encontrar 8 instrumentos musicais que estão espalhados, e só dessa maneira conseguirá acordar o Wind Fish, depois porque a ilha Koholint é cheia de mistérios, com diversas dungeons e muita exploração à mistura.

Ao olharem para o mapa do jogo percebem facilmente que não é muito grande. É composto por diversas áreas, mas nenhuma delas é vasta. Acontece que não vão ter acesso a todas – muito pelo contrário –, e no início percebem que estão bastante limitados devido a vários factores. Ou porque existem buracos no chão e Link não consegue saltar, ou porque existem gigantescas pedras e Link não tem força para as levantar ou partir, isto é, vão ter de se desenvencilhar com a exploração dos lugares que conseguem ir. É aí que começa a beleza de The Legend of Zelda: Link’s Awakening, já que nada vos é oferecido. Vão tendo umas dicas, seja pela coruja que por vezes aparece e diz-vos o que devem fazer (mas sempre de uma maneira muito subtil), seja por falarem com Ulrira ao telefone (isto acontece porque vão encontrando uns locais onde têm um telefone) e este dará umas dicas.

É nessa exploração e auxílio das várias dicas que vão encontrando as dungeons e até locais escondidos da ilha. As dungeons, como podem imaginar, é um dos pontos fortes do jogo e de todos os clássicos de The Legend of Zelda, já que tem diversos puzzles e quebra-cabeças para resolver – que por vezes até pode levar a alguma frustração. Seja como for, é algo que os fãs do jogo já estão habituados. É preciso ter atenção a todas as salas das dungeons para conseguirem ter sucesso, e para vos ajudar, estas costumam ter um mapa e uma bússola, sendo que o mapa mostra-vos todas as salas que compõem a dungeon e a bússola indica se determinada sala tem algum segredo por desvendar.

É também nas dungeons que enfrentamos os diversos Bosses que do jogo. Existe sempre uma sala com um Boss, e têm de descobrir a maneira de o eliminar, já que alguns só morrem se lhes acertarem em determinado ponto do corpo, ou se fizerem determinada sequência. Além disso, a maioria das vezes será aí que vão adquirir itens que oferecem habilidades para progredirem no mapa do jogo, desde saltarem, ficarem mais fortes, correr, entre outras coisas. E como tudo isto vai sendo obtido pouco a pouco, será também por isso que vão avançado no mapa paulatinamente.

Além de tudo isto, existem as diversas ajudas que teremos de oferecer aos habitantes daquela ilha, até porque estas, por vezes, são o que nos falta para conseguirmos progredir na missão. Quando ajudamos alguém, quase sempre nos oferecem algo que será útil mais à frente no jogo, por isso, não deixem passar essas “missões secundárias”, porque por vezes são a chave para o sucesso.

Algo que não posso deixar de referir e que é um excelente bónus do jogo, são os desafios de construção de dungeons. Isso acontece quando encontrarem um personagem com o nome de Dampé e ele pergunta se o podem ajudar. Vão ter de o encontrar na Dampé’s Shack e aí abre-se esta excelente experiência que o jogo tem para vos oferecer. Os desafios oferecidos são vários, e todos vos deixam puxar pela vossa criatividade, embora o número de chambers (as que constroem as dungeons) no início seja bastante limitado. Ao irem superando esses desafios, recebem outras chambers, o que melhora imenso a vossa criatividade, e aumenta exponencialmente as possibilidades de criação. Além disso, caso tenham quatro amiibos do universo The Legend of Zelda, vão ter a possibilidade de receber quatro chambers especiais. Além da construção, terão de provar que conseguem superar a dungeon que vocês próprios criaram, e a parte boa é que ficam com os goodies que encontrarem. Outro ponto bastante interessante é terem a possibilidade de gravar ou ler dungeons dos amiibos, isto permite-vos trocarem dungeons com os vossos amigos. No dia de lançamento será lançado um amiibo de Link que desbloqueará uma chamber com o Shadow Link como inimigo.

Quanto à jogabilidade, como referi logo no início, está incrível. Os comandos respondem muito bem, Link move-se com bastante facilidade e as habilidades e os utensílios que temos ao nosso dispor são bastante fáceis de usar. Ao contrário do que acontecia no Game Boy, onde só tínhamos dois botões, agora temos bastantes mais; e a Nintendo soube usar isso muito bem, porque agora os botões de X e Y podem ser usados para o que quisermos, isto é, podemos ir trocando o que queremos usar com aqueles botões, desde saltar quando conseguirem, ou cavar, ou colocar bombas, entre as diversas coisas que tiverem no inventário.

Já duração do jogo depende muito da facilidade que tiverem em resolver os diversos quebra-cabeças e até do gosto que têm para explorar, eu fui até ás 20 horas de jogo, talvez um pouco mais, mas “perdi” muito tempo a explorar e a desvendar tudo e mais alguma coisa. Além disso agora existem também pequenos “mini-jogos” onde se podem divertir, tal como pescar para ganhar prémios, ir a uma loja onde podem tentar apanhar itens como fazemos naquelas maquinas com três ganchos (geralmente na realidade servem para apanhar peluches), aqui poderão apanhar itens bastante úteis. E mais para a frente no jogo até podem descer o rio numa espécie de jangada, e pelo caminho apanhar diversos itens.

Graficamente é onde o jogo nos transporta para outro mundo. Os mais novos não vão perceber isto, mas quem jogou os clássicos de The Legend of Zelda, acredito que tal como eu, tenham começado logo a imaginar como seria na altura o primeiro jogo, ou mesmo The Legend of Zelda: A Link to the Past. A verdade é que a Nintendo encontrou a maneira ideal de trazer os clássicos de volta de uma maneira actual e consegue transmitir as mesmas sensações que sentimos quando éramos crianças e os jogámos pela primeira vez. Podem encontrar tudo bastante bonito, muita cor, luz, um mapa com vida, efeitos bastante bonitos, tudo visto de uma perspectiva alta para percebermos o que se passa à nossa volta. Obviamente que os pequenos momentos à Super Mario continuam no jogo, ou seja, em alguns locais passamos a ter uma perspectiva de frente, como num jogo de plataformas. E já que falamos de Super Mario, não nos podemos esquecer de alguns dos inimigos ou personagens que podemos encontrar e são bem conhecidos do universo Nintendo, como Gooma, Chain Chomp, Piranha Plant, entre outros.

A verdade é que The Legend of Zelda: Link’s Awakening consegue facilmente deixar-nos rendidos. É um clássico moderno, cheio de vida, nostalgia e que mostra como um jogo de antigamente consegue transformar-se num jogo actual onde os jogadores se divertem. É seguramente imperdível para os fãs de The Legend of Zelda e deixa-nos cheios de esperança de que os outros clássicos possam passar por esta renovação, pois seriam muito bem vindos.

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