Developer: Nintendo
Plataformas: Nintendo Switch
Data de Lançamento: 16 de julho de 2021

A franquia The Legend Of Zelda teve diversos marcos ao longo dos seus longos anos, ao ponto de juntamente com os jogos de Mario ser uma das franquias que fica marcada por um grande jogo para as diversas gerações das consolas da Nintendo. Os jogadores mais recentes da Nintendo conseguiram ver isso com Breath of the Wild, que marcou, e ainda hoje marca, a Nintendo Switch como um dos seus melhores jogos. Já na Nintendo Wii, o jogo da franquia que mais marcou os jogadores foi seguramente Skyward Sword, lançado no final de 2011 e que conseguiu agradar à grande maioria de fãs da franquia.

Acredito que para muitos jogadores a chegada de The Legend Of Zelda: Skyward Sword HD à Nintendo Switch tenha sido uma enorme surpresa, até porque estávamos habituados a ver chegar jogos de enorme qualidade que tinham saído para a Nintendo Wii U, mas também porque o sucesso da consola não foi claro, e até fazia sentido o “relançamento” de alguns dos jogos. Agora jogos da Nintendo Wii, devo confessar que não estava à espera de ver chegarem à Nintendo Switch.

Foquei em Breath of the Wild anteriormente por uma razão bastante simples, e que os jogadores têm de ter em conta, já que antes de se jogarem de cabeça neste Skyward Sword HD, estamos a falar de um jogo de duas gerações passadas. Por isso, não vão com um hype muito grande depois de experimentarem Breath of the Wild, sendo que dificilmente qualquer outro RPG consegue atingir tamanha qualidade, seja ela pela componente narrativa, por toda a interacção com os cenários, pelo mundo aberto esplêndido, entre diversas outras coisas. Lembrem-se que estão a recuar 10 anos no tempo, que é uma remasterização e não um remake, e, acima de tudo, que não vão encontrar um jogo de mundo aberto, mas sim uma mistura entre linearidade e a possibilidade de exploração em diversos locais.

É com essa ideia que devem começar por jogar Skyward Sword HD, até porque vos vai levar a uma história bastante diferente do habitual. E com tantos jogos, provavelmente só os grandes fãs da franquia conseguem perceber a sua cronologia (eu confesso que existem alguns jogos que não sei exactamente onde encaixam). Diria que este jogo deverá passar-se antes de Ocarina of Time (mais um marco da franquia, neste caso da Nintendo 64).

A história começa em Skyloft, uma cidade que flutua acima das nuvens e que foi criada por uma deusa para proteger a população. Com o passar dos anos, a população foi ficando habituada a viver naquele local, sendo agora a superfície do planeta como uma lenda, onde ninguém se atreve a explorar. Link e Zelda são dois jovens amigos, sendo Link um estudante da Knight Academy, onde diversos jovens aprendem a lutar, mas também a voar nos seus Loftwings (umas aves que os cavaleiros de Skyloft usam para patrulhar a cidade, e para proteger algum habitante de cair).

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A primeira hora de jogo serve para nos apresentar alguns personagens, dominar os comandos principais, aprendermos onde salvamos o jogo e até como voar. É durante essa hora que vamos conhecer o arqui-rival de Link na Knight Academy (Groose), que irá esconder o Loftwing de Link, de maneira a obter vantagem no evento que irá ocorrer de corridas voadoras. Como devem imaginar, lá conseguimos encontrar o Loftwing de Link e vencer a corrida, sendo na comemoração dessa vitória que Link vai passear com Zelda que é apanhada por um furacão, e cai na superfície do planeta, sem que Link a consiga salvar.

É a partir daqui que começa verdadeiramente a nossa aventura, muito ligada a Fi, o espírito de uma deusa que estará dentro da espada que nos acompanha na procura de Zelda, e que irá guiar-nos por esta aventura. Nós conhecemos Fi depois de acordarmos do acidente que aconteceu com Zelda, e ela aparece-nos guiando-nos para um tempo em Skyloft, onde obteremos a tal espada – a Goddess Sword que nos acompanhará. Será Fi que irá abrir diversos locais nas nuvens que nos permitem ter acesso à superfície do planeta de modo a tentarmos encontrar o paradeiro de Zelda.

Sem desvendar muito mais, já que esta é uma daquelas franquias que merece ser jogada sem qualquer spoiler, é fácil os jogadores que já jogaram o jogo voltarem a apaixonar-se por ele. A sensação nostálgica é enorme, e reviver esta história novamente leva-nos a lembrar de diversos locais, mas ao mesmo tempo a fazer algumas quests que deixamos para trás na versão original.

Para quem não sabe, a versão original deste jogo era jogada apenas a partir dos controlos de movimento, e tínhamos de movimentar os controlos da Nintendo Wii para fazer a espada mover-se. Na verdade, movia-se conforme o movimento que fizéssemos, e na altura lembro-me de ter ficado super entusiasmado com essa possibilidade, embora depois de algumas horas já começava a achar um pouco chato ter de andar ali a mover os braços para derrotar os inimigos que me apareciam à frente. Esta versão da Nintendo Switch, além de continuar a trazer a opção com controlos de movimento (e por acaso ainda mais aprimorados), traz agora a opção de jogarmos apenas com botões e analógicos.

Os que já jogaram o jogo, certamente se lembram que determinados inimigos só se podem derrotar com certos movimentos da espada, e outros até seguem o movimento e tentam contrariá-lo para nos atacar. Por isso, imagino que estejam a perguntar: como é que isto funciona apenas a partir dos botões? A resposta é simples, e foi muito bem pensado, já que caso decidam usar a opção dos botões (foi como joguei grande parte do jogo), a espada é movimentada a partir do analógico direito, conseguindo assim os movimentos que quisermos, seja na horizontal, vertical, diagonal, e até andar à volta com a espada.

Caso pretendam continuar a seguir a fórmula original de Skyward Sword, então devo dizer que precisam dos controlos de movimento. E estão excelentes, como já é hábito nos jogos da Nintendo. Mais uma vez, é uma sensação nostálgica, poder voltar a reviver o jogo a partir dos controlos de movimento. É divertido e engraçado, mas na verdade, fiquei mesmo fã da nova movimentação apenas a partir dos botões e dos analógicos. Até porque sendo a Nintendo Switch uma consola que podemos levar para qualquer lado, não dá grande jeito andarmos a jogar no meio da rua com controlos de movimento.

Para quem gosta de quebra-cabeças, devo dizer que este é o jogo certo. As diversas dungeons estão carregadas de puzzles e quebra-cabeças, onde temos muitas vezes de explorar e andar para trás e para a frente para descobrir como abrir determinada porta, como encontrar uma chave, ou mesmo como mover algum objecto. Por este motivo, é um jogo que pode tornar-se um pouco exaustivo para quem não tiver muita paciência para exploração e tentar descobrir como solucionar determinados problemas que surgem, e que por vezes não deixam o jogador progredir na história. Ainda assim, agora teremos a possibilidade de chamar Fi para nos dar algumas dicas, embora ela não nos diga exactamente tudo o que é necessário fazer, dá sempre uma pequena ajuda, e muitas vezes é o suficiente para o jogador se desenrascar.

Como referi anteriormente, no aspecto da exploração, estamos longe de um jogo em mundo aberto. É um jogo que tenta oferecer algo parecido, mas num ambiente controlado, em que vamos encontrando diversos caminhos, mas sempre tudo bastante linear, sem aquela “possibilidade louca” que nos perdermos. Por um lado, torna as coisas mais fáceis de encontrar, mas por outro, perde a beleza da exploração sem fim à vista.

Quanto às armas e afins, vão encontrar um jogo rico nesse sentido. Vamos tendo os itens essenciais conforme vamos progredindo e conforme vamos precisando deles, seja o arco já característico de Link, a rede para apanhar itens e insectos, o beetle que nos permite transportar e apanhar objectos (uma espécie de drone), ou mesmo o pano que Zelda nos oferece quando vencemos a corrida e que nos permite cair de grandes alturas sem perdermos vida (não façam a mesma asneira que eu, que muitas vezes esquecia-me que apenas dá para pairar de cima para baixo, e tentava planar como em Breath of the Wild). Existem ainda outros itens úteis aos quais vão ter acesso, além da evolução da Goddess Sword para a Master Sword como a conhecemos nos diversos jogos da franquia.

A componente gráfica que na altura do lançamento do jogo original foi algo incrível para Nintendo Wii, é provavelmente agora o ponto que mais desilude. Embora o jogo tenha levado uma remasterização e os personagens tenham até detalhes interessantes, quer Link, Zelda, Fi, entre outros, nota-se que existiu o cuidado de tornar tudo bastante detalhado. Todavia, a verdade é que os cenários estão longe de ser assim, não existindo grandes detalhes e notando que a maioria das coisas à nossa volta está bastante datada. Acreditem que é com bastante pena que digo isto, porque esta remasterização poderia e merecia ter tido um maior cuidado com a parte dos cenários que estão à nossa volta. Ainda assim, vamos passar por diversos locais – alguns bem conhecidos dos jogadores da franquia –, e algo que não podemos esquecer, é que mesmo para um jogo com 10 anos, a diversidade de cenários é bastante grande e variada.

Já a componente sonora é um dos pontos fortes do jogo, tal como já o tinha sido na versão original. A banda sonora, como sempre, é excelente, e os efeitos sonoros seguem o que todos estamos habituados nesta franquia.

Como aconteceu com o jogo original, esta remasterização continua sem a língua portuguesa, tendo os jogadores de escolher entre o alemão, inglês, espanhol, francês, italiano, japonês, coreano, neerlandês, russo e chinês.

The Legend Of Zelda: Skyward Sword HD é um jogo nostálgico, e despertará o interesse de novos jogadores que ganharam um carinho especial pela franquia. Já os fãs de longa data, provavelmente vão revivê-lo sem pensar duas vezes, visto que este é um dos jogos mais “acarinhados” pelos fãs. Apesar de eu ter gostado bastante de voltar a viver toda esta história e o jogo tenha levado alguns melhoramentos, quer nos controlos de movimento, ou na adição da opção de jogar com os botões, na realidade, esta não foi das melhores remasterizações da Nintendo. Seja como for, continua a ser um jogo muito interessante, e que terá sempre o carinho dos fãs da franquia.