Developer: Team Ninja
Plataforma: PS4, PS5 e PC
Data de Lançamento: 05 de fevereiro de 2021

A saga de Nioh chega-nos agora em versão completa, recheada de extras e melhoramentos que nos faz voltar a este mundo da Team Ninja, como se fosse a primeira vez. E em grande parte até parece, não fosse a narrativa ser exatamente a mesma, apenas com algumas derivações devidos a introdução de mais missões. Isto porque estamos a falar de uma qualidade gráfica superior e os tempos de loading reduzidos a pouco mais de nada.

Quando saiu o primeiro Nioh em 2017, o mesmo já estava a ser produzido desde 2014, e apesar de muitos rumores do seu cancelamento, a verdade é que viu mesmo a luz do dia, como exclusivo PlayStation 4. Para enquadrar os que, por ventura, só chegaram agora ao conhecimento deste jogo, recordo que a história de Nioh passa-se numa das épocas mais conturbadas do Japão, falo do período Sengoku, para terem uma noção esta foi uma das épocas mais sangrentas deste país, durou cerca de um século (1467–1573) com uma enorme guerra civil e enormes conflitos entre clãs japoneses para conquistarem o poder do país. Para quem não tem grande noção do que estamos a falar, se alguma vez viram a série de anime Rurouni Kenshin (conhecido cá em Portugal como Samurai X), esta época passa-se quando Kenshin (o protagonista) é um dos assassinos mais mortíferos do Japão.

Não foi em vão que trouxe Rurouni Kenshin para a nossa análise de Nioh, tal como a série televisiva, Nioh também mistura muitos factos reais com uma fantasia, embora no caso de Nioh falemos de algo bastante diabólico e tenebroso. Neste RPG (role playing game) encarnamos a pele de um samurai atípico, isto porque quando falamos de samurais a primeira ideia que nos vêm à cabeça são os bravos guerreiros japoneses, algo que não é o caso, aqui somos William Adams, um samurai ocidental com poderes sobrenaturais.

Com esses poderes o nosso herói terá todas as condições para combater as forças inimigas, e nesta época de caos e terror seria um crime não se falar dos Yokais, uma classe de criaturas sobrenaturais da cultura japonesa. Estas criaturas podem ter a forma de humanos ou de animais, e destacam-se pelos seus poderes sobrenaturais ou espirituais. É por entre a realidade e a fantasia, o sobrenatural e o espiritual que andaremos a vaguear pelo mapa a tentar sobretudo não morrer e encontrar a forma perfeita de seguir o nosso caminho.

Nesta altura, e recuando novamente ao período 2014-2017, toda a gente queria efetivamente conseguir criar um Soul’s like, recriar a fórmula da From Software de punição, mas também de regozijo, e muitos falharam, mas Nioh movendo-se numa época e numa narrativa diferente conquistou os fãs dos jogos da From Software, como o público em geral, nomeadamente por dar aos jogadores, um sistema de combate mais fluído, mais dinâmico, até mais completo, se quiserem.

Facilmente se percorrerem a nossa análise ao primeiro jogo, vão reparar que existiu ao início a frustração adjacente ao estilo de jogo, mas depois de encarada a sua mecânica, a sua skill tree e de assimilar o conceito da jogabilidade e do engenho é um jogo que rapidamente se entranha na nossa existência e parece que a própria depende de acabarmos o jogo.

Por isso mesmo, Nioh ganhou logo em cerca de 9 meses três expansões, Dragon of the North, Defiant Honor e Bloodshed’s End. Todos eles a exigirem que tivéssemos acabado a campanha e cada um dos seus elementos para dar progressão à história. No primeiro vamos ter que enfrentar um exército de Yokais, em 7 missões (3 principais e 4 secundárias), que se encontram espalhadas por 2 novas áreas que podem explorar. Além disto quanto ao que se refere a William, o nosso personagem, temos então novas armas, e até a possibilidade de ter dois equipamentos equipados em simultâneo. Além disso, existem também novas peças de armaduras.

Depois temos Defiant Honor, aqui William Adams num inverno extremo, vamos ser atirados para um dos confrontos mais icónicos da Era Sengoku, o cerco do castelo de Osaka que seria a fortaleza mais impenetrável desta era.

O nosso herói junta-se a Masamune Date, um samurai que segundo a história fundou a cidade de Sendai e esta aliança vai servir para derrotar Sanada Yakimura, um Samurai bastante respeitado, no cerco de Osaka.

A acompanhar nesta batalha histórica do Japão temos novos Espíritos Guardiões e uma nova magia, Onmyo. Tal como a expansão do Dragão do Norte vais poder contar igualmente com armaduras divinas. Outra novidade é a nova classe de armas conhecidas por Tonfa.

Por fim, Bloodshed’s End, que é passado alguns meses após os acontecimentos do cerco ao castelo de Osake, em que o Japão está prestes a entrar em guerra, William Adams junta-se a outra caras conhecidas para a derradeira batalha contra Tokugawa. Isto acontece em três missões primárias e nove secundárias, até ao chamado Conflito Final.

Como seria de esperar também terás novas armas, novos espíritos mágicos e é claro um novo modo de jogo desta vez com o nome de O Abismo que é nada mais nada menos mais um modo com um grau de dificuldade colossal.

Olhemos então para o restante conteúdo, nomeadamente a sequela Nioh 2 (que no fundo se mostraria como prequela), e as suas expansões para depois falarmos da componente gráfica dos dois jogos desta Nioh Collection.

Nioh 2 acontece em 1555, 45 anos antes do primeiro Nioh, num mundo onde até os mais valentes guerreiros vivem em medo constante dos Yokai’s (demónios na cultura japonesa). A nossa personagem, agora totalmente customizável por nós, nasce no meio dos dois mundos, sendo metade humano e metade demónio. Por isso mesmo, o nosso herói consegue assumir a forma de Yokai e usar os seus poderes por um breve período de tempo, e o que pode ser visto como uma bênção é também uma maldição visto que todas as outras pessoas nos vão olhar como demónios e uma verdadeira aberração. Como mercenários vamos entrar numa terra amaldiçoada, durante a era Sengoku, mas também caçar os nossos inimigos no nosso próprio reino Yokai.

É claro que depois de jogarem o primeiro, Nioh 2 acaba por ser mais fácil de se levar, por um lado, porque foram afinadas as mecânicas, por outro, porque foram adicionadas outras. Para quem jogou o primeiro, sabe que há 3 tipos:

  • Postura baixa: ataques mais rápidos, baixo consumo de Ki e menos dano;
  • Postura mediana: guarda mais equilibrada favorecendo a defesa, consumo moderado de Ki;
  • Postura alta: ataques mais lentos, alto consumo de Ki e muito mais dano.

Não precisamos de escolher uma, o melhor será mesmo adaptar perante a situação, e até é bastante rápido e fluido, aumentando a vontade de dominar as 3 e de aplicar a nossa maravilhosa estratégia.

Este é apenas um dos aspectos da jogabilidade, facilmente vão reconhecer alguns aspectos, como a escolha de armas, as posturas de luta, as habilidades, mas a forma como interagimos com todas elas é diferente e é melhor. Também na jogabilidade dificilmente teremos uma personagem igual a outra e isto acontece devido a quantidade quase assustadora de possibilidades de personalização de habilidades, o que nos pode deixar até algo confuso no início, e especialmente por não existir grande explicação no jogo, mas depois lá atinamos. Estamos a falar de uma Skill Tree para o nosso herói, mas para cada tipo de arma que estivermos a usar, para cada tipo de essência, da nossa forma de Yokai e de Guardião.

Neste Nioh 2 podemos pedir ajuda a um amigo guerreiro. Em vários locais do mapa vamos encontrar marcadores azuis com uma espada fincada no chão. Ao fazer uma oferenda nesses pontos, é possível convidar o espectro de um outro jogador para nos ajudar na batalha. Ele ficará ativo até a vida dele acabar. Também no modo online, podemos entrar em Expedições e cooperar com outros jogadores para completar missões ou mesmo entrar em encontros aleatórios.

Se quiserem tentar farmar uns itens extras, também podem invocar um jogador adversário (nos marcadores vermelhos) e tentar derrotá-lo. Não é muito prudente invocar mais um inimigo quando já nos vemos à rasca para nos safar dos inimigos que já estão no mapa, mas vocês é que sabem.

Outro dos pontos do jogo são os Reinos Yokai, que são como áreas de desafio no mapa, onde os demónios são mais poderosos, mas como isso poderia não ser o suficientemente desafiador, também o consumo do seu Ki é maior para todas as ações que usam stamina, como: correr, esquivar, defender e atacar. Apenas será possível abrir baús e usar altares, dentro desse local, se purificarmos a região. Para isso, é necessário matar um demónio em específico (geralmente o maior de todos).

Paga-nos o café hoje!

Depois de terminada mais uma jornada infindável, eis que surgem mais 3 DLC’s para vos desafiar a perderem a cabeça. O primeiro é The Tengu’s Disciple, onde vamos percorrer a nova região costeira de Yashima e viajar no tempo até aos últimos anos do período Heian. Aqui, fazemos novas alianças, enfrentamos yokai temíveis e descobrimos uma ligação entre as lendárias Sohayamaru e Otakemaru.

No segundo, Darkness in The Capital  vamos ser levados ao encontro do misterioso talismã Sohayamaru num altar na cidade de Kyoto, que está dentro de uma pequena caixa. Este talismã vai reagir à nossa presença e vai-nos enviar para o período Heian, em mais uma viagem ao passado, para descobrir o que os Yokai andam a fazer a esta cidade. É nesta viagem ao passado que vamos encontrar uma guerreira caçadora de demónios e um feiticeiro poderoso que lideram a resistência e não dão tréguas aos Yokai. É claro que os vamos ajudar e tentar perceber toda esta trama e regressar ao nosso presente, mas até lá vamos ter que passar por 10 missões que nos vão sendo apresentadas, representando umas boas 16 horas de jogo.

Por fim, The First Samurai, onde finalmente chegamos ao segredo mais bem guardado durante os dois anteriores, a tal espada encantada e com poderes inimagináveis. Só que para lá chegar vai ser o cabo dos trabalhos, este DLC é o mais duro deles todos, também o mais sangrento e maléfico, onde Yoaki’s que seriam Bosses a serem apenas um habitual inimigo que vamos apanhando pela frente, fazendo com que a nossa destreza e especialmente a nossa “build” seja testada em cada um dos momentos.

O que está aqui, também, é obviamente o endgame de Nioh 2, com novos Bosses e locais e a dificuldade final – Sonho de Nioh e, claro, o Submundo (anteriormente chamado o abismo). O submundo, é claro, é onde o endgame realmente começa. A raridade e os valores dos equipamentos que vão saindo vão ser maiores do que qualquer outra coisa que as missões no mapa vão oferecer. Ao contrário do primeiro Nioh, a progressão do modo submundo deste jogo é muito mais simplificada. Em vez de ir para quatro áreas pré-determinadas diferentes para dar-nos algum tipo de vantagem no Crucible e ser uma chatice, este novo Submundo joga-se apenas em um local com um mapa considerável, recompensando o jogador por limpar e explorar. Haverá quatro kodamas para encontrar em cada local. Para entrar no Crucible ou na área do Boss, vamos precisar encontrar pelo menos uma por local. Quanto mais encontrarmos, mais vantagens vamos ter na luta.

Como já perceberam, só os dois jogos e as suas expansões, mais missões secundárias, endgme e afins, vai tirar-vos anos de vida para completarem e para se dedicarem, e daí também o culto que já existe por este jogo, e com a devida razão. Mas então e a componente gráfica e técnica do jogo agora em formato Nioh Collection ?! Eu diria que vos vai dar razão para não largarem mais este jogo.

Vão poder jogar Nioh e Nioh 2 a 4K nativo, e isso faz toda a diferença, mesmo que tenham jogado Nioh 2 na PS4 Pro, como nós, vão notar facilmente as melhorias gráficas e de performance. É claro que será notória a diferença de um para o outro, visto que estamos a falar de um Remaster e não de um remake, mas a escolha de trabalhar os elementos por si só, vão transportar os jogos para um nível diferente. As texturas foram todas melhoradas, dando mais nitidez a todos os elementos, e por vezes são em catadupa, a iluminação acaba por se tornar dinâmica com o facto de as texturas estarem tão bem trabalhadas, e os detalhes das personagens acabam por ganhar maior detalhe e riqueza ao jogo. Apesar de poderem optar pelo modo gráfico ou de performance, a verdade é que os 60 FPS em ambos os jogos no modo gráfico a qualidade e instabilidade dos mesmos é estonteante, e ao ponto em que pode mesmo mudar a jogabilidade do jogo, teremos que ser ainda mais exigentes a observar a dança dos inimigos e de os pôr a dançar como queremos para os abater. Podem adensar esta experiência nos 120 FPS disponíveis no modo performance, mas vão perder um pouco da beleza 4K.

Ainda dois pormenores, se já jogaram Nioh ou Nioh 2 na PS4, podem ir até ao jogo e enviar a vossa personagem para a nuvem para jogarem nesta versão completa da PS5, entrando depois então na versão PS5 e descarregarem a vossa personagem e o progresso da mesma. Se em Nioh até pode apetecer começar do 0, em Nioh 2 para quem até quer continuar de onde estava, é fundamental. O segundo é só para apontar que os loading tornaram-se quase instantâneos. Já eram rápidos e até famigerados pela From Software por conseguirem essa proeza, agora são de 3 a 4 segundos de menu a jogar e de 1 segundo, vá, quando morrem, é impressionante.

The Nioh Collection para quem nunca pegou nos jogos e gosta de souls like, é obrigatório, ainda para mais nesta versão super trabalhada e aperfeiçoada, até porque na PS5, fora o remake de Demon Souls não vão ter nada parecido. A qualidade gráfica é superior, o conteúdo é de perder de vista e o valor da edição é brutal para tudo aquilo que oferece. Para os que já jogaram os dois jogos, não fará tanto sentido visto que, e nomeadamente em Nioh 2, já saiu o upgrade para a versão PS5.