Developer: Firesprite, Perp Games
Plataforma: PlayStation 5, Xbox Series X|S, PC
Data de Lançamento: 11 de Junho 2021

Perdidos no espaço dentro de uma nave com defeitos chamada The Persistence, próximos de um buraco negro e com a tripulação toda morta. É este o cenário inicial que encontramos no jogo criado pela Firesprite que já passou por várias edições. Primeiro no PSVR em 2018 e o ano passado com uma versão sem realidade virtual para quem não tinha esses dispositivos. O trabalho não ficou por aí e chega agora The Persistence Enhanced, otimizado para a nova geração. Estejam descansados aqueles que já tem o jogo porque basta uma atualização gratuita e podem fazer o upgrade.

Para quem nunca jogou The Persistence, dizer que se trata de um roguelike, FPS, de ficção científica que mete algum medo e que cada vez que morremos, muda alguns caminhos que tínhamos como certos. O grande objetivo do jogo é fazer com que a nossa nave retome a órbita do planeta Terra e para isso é preciso reparar os danos e exterminar as figuras estranhas hostis que invadiram The Persistence.

O nosso personagem é um clone. Numa das primeiras cenas encontramos o nosso próprio corpo no chão e duvidamos da nossa existência. Há que assumir que esta era uma das maneiras que o jogo tinha para nos dar uma experiência roguelike. Cada vez que morremos somos “restaurados” com novo ADN que podemos ir colecionando e nos dá novas características que nos permitem, entre outras coisas, encontrar materiais mais facilmente. Isto para dizer que cada vez que voltamos à vida somos um clone do outro clone e assim sucessivamente, com um ADN diferente. Este é um daqueles roguelikes que quando renascemos voltamos mais fortes porque mantemos os upgrades feitos até então e ainda nos dão a possibilidade de continuar a evoluir, quer num conjunto de habilidades, quer no fabrico de armas. Além disso, não vão voltar sempre ao início. Há vários checkpoints que são conseguidos a cada grande objetivo, como se estivessem a passar um nível.

Até aqui nada diferente da versão normal para esta nova versão, mas está na hora de entrar mais neste The Persistence Enhanced, primeiro para vos falar do combate. As mecânicas base mantêm-se idênticas. Podemos abordar os inimigos silenciosamente e atacá-los, disparar de longe ou ir para a luta corpo a corpo que me parece ainda muito otimizada para a realidade virtual e pouco para fora dela. Nas lutas temos um escudo e podemos dar murros. O objetivo é proteger quando nos atacam e depois dar um soco no momento certo ao inimigo. Se perdem esse timing, estão a assinar a vossa sentença de morte. 

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A grande mudança para esta versão é o factor DualSense da PS5. As armas pesam, emitem sons e o jogo ainda tira partido dos feedback haptics, sentindo o peso consoante o estilo de arma que equipamos. Os gatilhos também entram em cena para fazer já os habituais truques de ficarem mais presos ou mais leves, o que leva os jogadores a uma maior imersão. Ainda assim, noto alguns problemas nesta abordagem aos inimigos. Não raras vezes disparamos, ou capturamos o ADN sem acertar no inimigo. É estranho, mas acontece, mesmo na abordagem mais furtiva em que aparece na imagem o botão por cima do hostil, quando se carrega, o golpe é executado, mas o problema é que às vezes a imagem parece que não está a acertar em ninguém.

Visualmente o jogo melhora também e consegue correr 4K a 60fps no modo desempenho, ou se preferirem podem optar pelo modo qualidade a 4K e a 30fps como já acontece noutros jogos. Aqui nota-se um melhoramento visual nos gráficos, através da iluminação, sombras e outros pormenores tirando partido das consolas de nova geração. Tudo isto em conjunto com os sons dá para perceber exatamente de onde vem o perigo, se bem que às vezes já ouvia coisas a mais e ficava sem saber para onde me virar. Os carregamentos também estão ultra rápidos, como já nos temos vindo a habituar, quer na PS5, quer na Xbox Series X|S.

É de louvar o trabalho da Firesprite e a dedicação que colocam no seu jogo, não abandonando a comunidade que o jogo tem e sempre trazendo novas formas de jogar aprimoradas para os atuais contextos. Quem já gostava do jogo vai continuar a gostar de The Persistence Enhanced que também acaba por ser um chamariz para novos jogadores. Por outro lado, não há milagres quando falamos, a bem dizer, do mesmo jogo mas com alguns melhoramentos. Quem não gostava antes, não vai ter nenhum click agora para comprar o jogo, principalmente porque mantém muitos dos problemas das edições anteriores. Andar a navegar pela nave torna-se repetitivo, o problema das salas serem mudadas cada vez que morremos permite fazer “batota” até encontrar um caminho mais acessível e a pouca exploração tornam o jogo menos apelativo. Durante estes dias que joguei, também apareceram alguns erros que me impossibilitaram de continuar a jogar e me faziam desligar e voltar a ligar o jogo, o que acaba sempre por manchar a experiência, embora acredite que basta uma atualização para corrigir estes bugs. 

The Persistence Enhanced é a versão mais aprimorada do jogo que começou a dar cartas no PSVR. Saltou para as consolas sem realidade virtual e agora entrega-nos a nave da nova geração com melhor imagem, novos sons e uma imersão mais completa com o DualSense. Apesar dos melhoramentos, o jogo mantém muito as raízes e não resolve os problemas das edições anteriores. É um pau de dois bicos, onde de um lado quem já gosta vai gostar mais e quem não gosta, passará ao lado da rota de Persistence.