Developer: Frogwares / Big Ben
Plataforma: PlayStation 4, Xbox One e PC
Data de Lançamento: 27 de Junho de 2019

Em The Sinking City a contextualização é muito importante, até porque não será muito fácil entrarmos no jogo se não tivermos algumas ideias em mente. Recuemos até 1920 onde um detective chamado Charles Reed chega a uma cidade inundada para compreender as visões e as alucinações que tem, mas que se vê envolvido numa trama que bascula entre o terror e a ficção científica e em que nada é o que parece.

A história é baseada no contador-de-histórias de terror H.P. Lovecraft, que para além disso é também conhecido pelo seu racismo e xenofobia, algo que transparece facilmente neste jogo, mas que a Big Ben tentou aproveitar esse facto para abanar as mentes modernas com um facto que agora é visto de uma forma tão diferente, mas que coloca sempre um binómio de como nos relacionarmos com esses factos. E qual é a melhor forma? Bem é termos sempre a opção de escolha, vamos facilmente sentir que se de alguma forma formos racistas vão ampliar esse ódio, mas também podemos ser enganados por não querermos parecer racistas; que vamos tentar ser politicamente correctos quando na verdade estamos a ser usados, que o ódio só gera o ódio e por aí adiante. O jogo dá-nos esta liberdade, maior do que o mundo aberto que se propõe, e teremos 3 finais que vão mudar consoante as nossas escolhas, os nossos pensamentos e as nossas deduções.

E digo isto porque no “Palácio da Mente”, vamos tentar pegar em todas as pistas e correlacionarmos os factos para construir as nossas deduções, para depois tomar uma posição perante elas. Mas não é assim tão simples, podemos incorrer em erros, podemos tirar uma dedução e ainda assim sentirmos que devemos de agir de forma contrária, por isso nada é assim tão certo. E este é a grande arma deste jogo, é essa capacidade de nos fazer pensar, de nos ligarmos às personagens e aos eventos, de sentir propriedade naquilo que estamos a fazer, e é isso mesmo que nos vai alimentando para jogar e jogar até chegarmos ao seu final.

Oakmont, a cidade de Massachusetts, será o palco onde vamos tentar descobrir o motivo da inundação que assolou a cidade. Repleta de mistério, os moradores costumavam fazer estranhos rituais religiosos herança dos antigos habitantes, índios e vikings, e devido a sua localização afastada, pessoas de fora nunca foram muito bem aceitas por lá.

Em termos de jogabilidade as coisas vão ser um pouco repetitivas, vamos entrar numa área investigar tudo até nos aparecer a mensagem que já vimos tudo, vamos tentar recriar os factos através do nosso “poder” de investigação, vamos até ao “Palácio da Mente” através do menu de jogo, e vamos correlacionar os factos e tirar as nossas conclusões. Depois continuamos a investigar e a investigar com umas visões e uns monstros pelo meio, que não sabemos se é realidade ou ficção e que só nos faz duvidar de nós mesmos.

Tudo isto é feito na terceira pessoa, com uma componente de Survival Horror, onde teremos de contar as nossas balas, apanhar items, criar outros, mas nunca sentimos a mesma sensação de um Resident Evil, porque a jogabilidade e a Inteligência Artificial são bastante abaixo da média. Pelo meio existe o “Mind’s Eye” que permitirá descortinar pormenores. Além disso, o “Retrocognition” providencia ao jogador a capacidade de re-imaginar os eventos que aconteceram em determinada cena de crime.

O mundo aberto que nos é dado pela Frogwares, é bastante bom, por vezes sentimos limitações físicas, mas dá-nos um sentimento de realmente estarmos a vaguear uma cidade, apesar de que as partes em que andamos num pequeno barco a motor serem completamente desnecessárias, o ambiente que vivemos em Oakmont parece real naquilo que podemos encarar a realidade deste jogo. Vemos NPC’s a terem acções próprias a interagirem com outros, e os diálogos a que podemos assistir ou em que participamos estão bem escritos, e principalmente todas as personagens centrais vão ter um papel preponderante naquilo que será o vosso final do jogo.

Graficamente nota-se que a Frogwares está a melhorar a cada jogo que faz, o ambiente cinzento, de chuva e de locais escuros está bem trabalhado, tanto a nível de iluminação e especialmente nos efeitos da chuva na nossa roupa, da lama e as pegadas que faz, etc. As texturas estão bastante detalhadas até mesmo no modo “Mind’s Eye” sempre com uma boa fluídez. A caracterização sonora também está apurada, com as vozes a darem efectivamente personalidade às personagens assim como a sua interpretação, com os efeitos sonoros e ambiente de terror bem conseguidos ao longo de toda a trama.

The Sinking City é um passo firme da Frogwares e da Big Ben neste estilo de jogo em que se têm apurado, e apesar de sentirmos que há ainda uma boa margem de progressão, sentimos que estão no caminho certo. A história, os diálogos, a estrutura do jogo está lá, é preciso que as mecânicas e a dinâmica de jogo sejam melhoradas, porque, verdade seja dita, este estilo de jogo não é assim tão usual, e podem vir a fazer algo que seja lembrado na história dos videojogos.