Developer: CD Projekt Red
Plataforma: Nintendo Switch
Data de Lançamento: 16 de Outubro 2019

Não posso deixar de começar esta análise sem dizer que The Witcher 3: Wild Hunt é sem sombra de duvidas o melhor jogo desta geração – obviamente que é a minha opinião –, mas os prémios que o jogo ganhou falam por si, ou seja, mais de 250 prémios de jogo do ano, além de outros prémios noutras tantas categorias.

A CD Projekt Red também merece uma palavra, por tudo aquilo que representa para os jogadores, e por ser um exemplo especialmente no mercado dos videojogos, onde a maioria das empresas só pensa em lucro rápido e por vezes de maneiras que até deviam ser proibidas. A empresa preza-se por não ter micro-transacções nos seus grandes títulos, e pegando no exemplo do jogo que vamos analisar, quando lançam uma expansão oferecem imensas horas de jogo e não duas ou três horas como outras empresas. Por tudo isto, um obrigado a esta empresa polaca!

Eu sou há muitos anos um enorme fã da saga The Witcher, e isso não se fica pelos jogos; os livros da série também são outra das minhas grandes paixões e por isso não posso deixar de incentivar-vos a lerem esses livros escritos por Andrzej Sapkowski. Para quem não sabe, os três jogos da série passam-se depois dos livros, embora os jogos às vezes falem de alguns acontecimentos dos livros, tal como acontece com a história de Ciri, uma das personagens principais de The Witcher 3: Wild Hunt.

Mas vamos então ao jogo. Devo confessar que ver este jogo na Nintendo Switch é quase como que um milagre, sendo que é um jogo bastante pesado e que consegue atingir o seu máximo potencial na sua versão PC, tanto a nível de jogabilidade como a nível gráfico. A verdade é que esta versão, embora seja a mais fraca no que toca ao visual e até ao desempenho em alguns locais, está extremamente competente, e além disso, oferece algo que mais nenhuma outra plataforma consegue oferecer, isto, é a sua portabilidade.

O jogo ficou reduzido a 32GB de espaço ocupado na versão da Nintendo Switch – apesar de ser o jogo que me lembro de provavelmente ter ocupado mais espaço na consola –, a verdade é que comparado com as outras versões é muito pouco. Mas vamos deixar-nos de comparações e passar ao que o jogo tem para oferecer na consola da Nintendo.

Para começar, esta versão vem acompanhada com o jogo principal oferecendo facilmente umas 50 horas de jogo. Vem também com a primeira expansão Hearts of Stone e a segunda Blood and Wine, onde as duas expansões oferecem sem problemas outras 50 horas de jogo. Se adicionarmos a isto igualmente todas as missões que foram adicionadas, acreditem que o jogo bem explorado, consegue chegar às 110/120 horas de jogo. A minha campanha completa, quando joguei no PC e fazendo tudo o que existia para fazer, ficou-se pelas 128 horas. Por isso, acreditem que se querem um jogo incrível e com bastante conteúdo, então acertaram em cheio.

Para quem nunca se interessou por esta saga e está com receio de não ter jogado nem o primeiro, nem o segundo jogo, não existe qualquer problema, já que as histórias não estão interligadas. Obviamente que não foram esquecidas, e isso nota-se em alguns diálogos entre os personagens, mas na verdade não irão interferir nesta aventura. Muitos se devem perguntar: “mas afinal o que é um Witcher? E por favor, não lhe chamem bruxo… Um Witcher é um humano que passou por diversas mutações devido a experiências; a maioria dos humanos que passam por essas mutações acabam por morrer e aqueles que sobrevivem ganham poderes sobre-humanos, como uma enorme capacidade física e mental, e até resistência a venenos e a poções que um humano normal não resistiria. Além disso, tem o poder de usar certas habilidades, conhecidas como sinais, elas são Aard, Igni, Yrden, Quen, Axii, Heliotrop e Somne.

O nosso personagem é Geralt of Rivia, o Witcher com maior reputação e que também é conhecido como o Lobo Branco (The White Wolf). É importante perceber que existem diversas escolas de Witchers e no caso de Geralt é a do Lobo que se encontra em Kaer Morhen, porém, existe também a do Gato, do Urso entre outras. E fácil diferenciar as escolas dos Witchers, já que todos eles usam um colar com o símbolo da sua própria escola. O objectivo não é diferenciá-los, mas sim perceber quando existe perigo à sua volta, já que aqueles colares têm a característica de começar a tremer quando o perigo está por perto.

Não se assustem, pois tudo isto vai sendo descoberto aos poucos no jogo, desde a introdução, as habilidades e o manejo das espadas. E digo espadas, no plural, porque os Witchers usam sempre duas: uma de prata e outra de aço. A de prata serve para atacar criaturas, monstros e tudo o que seja “diferente”, e a de aço serve para matarmos animais e humanos. É um RPG puro, com três historias incríveis, ou seja, o jogo principal e as duas expansões. No entanto é daqueles jogos que até as missões secundárias valem a pena. Vão subindo o vosso nível e com isso melhoram Geralt, melhoram os sinais assim como diversas habilidades de combate, alquímicas e não só. Vão também perceber a enorme quantidade de equipamento existente no jogo, alguns comuns, outros extremamente raros. E esse será outro ponto que vos vai agarrar ao jogo.

Um dos pontos fortes de qualquer jogo da saga The Witcher tem a ver com as vossas escolhas, já que todas elas são importantes. Muitas vezes, só passadas algumas horas de jogo é que percebemos a influência que uma escolha teve na história. Todavia, algo que devem perceber logo desde o início, é que não existe um Geralt bom, ou mau; vocês são o que são e devem decidir aquilo que vos parece melhor em cada situação. Por vezes, não matar alguém pode arrastar enormes consequências, assim como matar também poderá. As vossas escolhas não vão influenciar só o final do jogo, influenciam todos os acontecimentos e até algumas missões do jogo.

Este é aquele jogo onde mais personagens dos livros de Andrzej Sapkowski vão entrar como personagens – e até personagens que apenas foram criados nos jogos anteriores. Não nos podemos esquecer que este será o ultimo jogo onde Geralt foi protagonista, logo é normal que a CD Projekt Red tenha trazido tantos dos seus companheiros de aventura. Vão entrar personagens como Yennefer (uma feiticeira, que é o grande amor da vida de Geralt); mas também Ciri, que é quase como se fosse a sua filha adoptiva e no jogo vocês perceberão melhor a relação deles( e se quiserem ainda saber mais, têm os livros); temos ainda Triss Merigold que tem uma enorme paixão por Geralt; Dandelion, um poeta e cantor que acompanha Geralt diversas vezes (nos livros conhecido por Jaskier); e Vesemir, o professor e quase como um pai para Geralt; além de outros personagens de extrema importância.

É importante entender que é uma obra riquíssima no que toca a diálogos, personagens e a histórias. Todos os acontecimentos e todos os locais são tão importantes que acreditem que se não estão dentro dos pormenores desta obra, vão por vezes até fazer pesquisas fora do jogo para tentar completar a vossa curiosidade.

Algo que vos vai deixar completamente viciados é o mini jogo de cartas que este The Witcher 3: Wild Hunt traz: chama-se Gwent e já devem ter ouvido falar dele. Depois do enorme sucesso, existiram inúmeros pedidos dos jogadores para a CD Projekt Red trazer o jogo como stand-alone, e foi precisamente isso que aconteceu. Quem sabe se agora também não chegará à Nintendo Switch neste formato.

Voltando agora um pouco à parte gráfica, como eu disse anteriormente, é o local onde o jogo não é tão bom, mas dá para jogar perfeitamente. Não esperem aquelas texturas incríveis como podem encontrar nos trailers quando o jogo foi lançado para PC, contudo, joga-se sem quaisquer problemas. Enquanto andam a cavalo, vão ver muitas vezes o cenário a ser processado em tempo real e aparecendo aos poucos, mas não existe como fugir a isso. Nas grandes cidades como Novigrad (não é a cidade Croata, esta é fictícia) vão notar ainda mais isso, mas nunca deixando de ser uma cidade viva, com inúmeros NPC’s e acontecimentos. Até os efeitos que encontramos ao anoitecer e amanhecer, assim com a água, os seus reflexos e a maneira como se mexe, mostra como o jogo continua incrivelmente rico. E é nesse aspecto que o jogo deve ser realçado. Nada foi retirado do jogo, apenas existiu um grande downgrade a nível gráfico. Isso acontece também nas inúmeras cutscenes que o jogo tem, e mesmo assim, ainda nos conseguem deixar espantados.

A nível sonoro, seja nos diálogos, banda sonora ou sons do jogo, esses também levaram um pequeno downgrade em relação a outras plataformas, mas continuam incríveis. As vozes estão brutais, nota-se claramente que existiu um cuidado incrível na escolha dos actores e nas suas actuações; e também os sons nas batalhas, nas cidades, nas florestas e no campo. E a banda sonora que é incrível, riquíssima na quantidade de músicas e todas elas de uma qualidade acima da média.

The Witcher 3: Wild Hunt – Complete Edition para a Nintendo Switch é de longe o melhor RPG que vão encontrar para a consola. Tem o problema gráfico que já falamos, mas na verdade tudo o resto está lá, e se não são daqueles jogadores que resumem tudo aos gráficos, então não tenham problema algum em adquirir este título para a Nintendo Switch. Para mim ainda hoje é o melhor RPG de sempre e o melhor jogo desta geração, mas cada um tem a sua opinião!