Foi há 11 anos que a Square Enix lançou The World Ends With You, um jogo bastante diferente daquilo a que os jogadores estavam habituados, primeiro pelo conceito em si; depois porque a própria jogabilidade era bastante diferente do habitual; mas também por trazer uma banda sonora extremamente competente para o estilo de jogo em questão. Acredito que para muitos, este seja um jogo que tenha passado completamente ao lado – o que é normal –, visto que a pequena Nintendo DS teve o seu lançamento como exclusivo.

O jogo mais tarde chegaria também para Android e iOS, sendo agora em 2018 lançada a sua versão para a Nintendo Switch. Obviamente que se trata de uma versão remasterizada (não estivéssemos nós na geração das remasterizações…), mas graficamente está bastante mais apelativo, e com uma jogabilidade adaptada à Nintendo Switch. Para quem não sabe, The World Ends With You: Final Remix é um RPG bastante diferente de tudo o que estamos habituados, e para que tenham uma noção, uma das grandes mentes por detrás dele foi Tetsuya Nomura. Não sabem que é? É apenas um dos designers e director do desenvolvimento de Kingdom Hearts; além de designer de um dos RPG’s mais adorados do público em geral: Final Fantasy VII.

Feitas as apresentações, vamos então virar agulhas para The World Ends With You: Final Remix. Neste RPG vamos entrar numa dimensão alternativa, onde passamos a ser uma espécie de fantasmas, e que tem a habilidade de ver toda a população sem que esta nos consiga ver. Podemos senti-los, saber as suas vidas e até os seus pensamentos, e tudo isto sem percebermos a razão porquê. É exactamente assim que o jogo começa: quando um jovem adolescente com o nome de Neku caminha pela cidade e apanha um pequeno pin que encontra na rua; a partir desse momento apercebe-se que se torna invisível para as pessoas, e que por muito que as chame, ninguém consegue ouvi-lo ou ajudá-lo. Como é fácil perceber, Neku é o nosso personagem, um jovem bastante carismático, no entanto com uma personalidade bastante complicada e um feitio bastante difícil.

The World Ends With You -Final Remix- – Trailer de lançamento (Nintendo Switch)

Sem saber o que se está a passar, Neku começa a ser atacado por sapos que surgem vindos do nada. Assustado, e sem saber o que fazer, é salvo por uma rapariga chamada Shiki que habita numa dimensão alternativa, e cujo principal objectivo é superar um certo desafio. Esse desafio trata-se de conseguir superar diversas missões durante 7 dias, e cada missão terá um determinado tempo que terá um contador decrescente que aparece na mão de Neku. Tudo isto feito pelos Reapers, que além de criarem todos estes desafios ainda vão monitorizando todos os passos do nosso personagem.

The World Ends With You: Final Remix também é rico em personagens, e que vamos conhecendo e até nos ajudando. Como devem imaginar, nem Shiki sabe de tudo o que se está a passar, e além de nos ajudar, vai aprendendo e tirando conclusões sobre todos os eventos. Contudo, por vezes aparecem personagens que vamos conseguindo interagir e que partilham connosco novas informações, assim como novos Pins (que falaremos mais à frente) e que até se juntam a nós para nos ajudar. É incrível o trabalho feito na personalidade de cada um dos personagens que connosco interagem, sendo que alguns mais brincalhões, outros bastante sérios, e alguns até chegam a ser irritantes. Como podem ver, estão reunidos todos os ingredientes para uma boa aventura.

A grande novidade que The World Ends With You no seu lançamento foi o modo como todos os combates se desenrolam. E para isso teremos de falar não só da maneira como o podemos jogar, mas também dos Pins que referi anteriormente. No caso da Nintendo Switch, o jogo pode ser jogado de duas maneiras: com os Joy-Cons, ou directamente no touch screen. No caso de jogarem com os Joy-Cons, podem usar o analógico para andar com o personagem, mas o objectivo é mesmo usar o joy-com como apontador, como se fosse um dedo. Onde apontam, carregam e fazem tudo como se de um touch screen se trata-se. Caso joguem em modo portátil o melhor é mesmo usarem o jogo em modo touch screen como se de um tablet se tratasse. Quanto aos Pins, estes são essenciais no jogo, primeiro porque existem imensos, e depois porque cada um deles tem uma habilidade própria. Alguns servem para lançarmos fogo, e outros para ataques corpo a corpo, entre tantos outros. Ao longo do jogo vão tendo a possibilidade de adquiri-los, seja por outros personagens, ou mesmo comprando alguns.

A dificuldade dos combates vem das habilidades dos Pins, isto é, da maneira de realizar cada habilidade, isto porque cada Pin tem um movimento que vocês têm de fazer para conseguirem realizar a sua habilidade. É essencial conhecerem bem os Pins que têm equipados no personagem e saberem jogar com eles, já que é bom ter um Pin de ataques corpo a corpo, mas também é essencial ter Pin para que consigam atacar de longe. É um desafio escolher os melhores Pins, mas essencial conseguirem adaptar-se àqueles que vão usar.

The World Ends with You: Final Remix – What’s New Info Trailer – Nintendo Switch

Algo também essencial é estar na moda, e se em outros jogos de RPG o equipamento é fundamental para melhorarem a performance, aqui acontece o mesmo, mas depende especialmente de usarem a roupa da moda. E passo a explicar: esta dimensão alternativa é toda passada na capital do Japão, Tóquio, e é composta por várias zonas, onde cada uma tem a “sua moda”, logo, para vocês conseguirem ter o personagem equipado da melhor maneira, têm de estar na moda com esse local.

Como é fácil ver, tudo é diferente daquilo a que estamos habituados na grande maioria dos RPG. É de uma originalidade louca e transporta-nos para um tipo de jogo completamente diferente. O grande problema aqui está mesmo no que toca à sua jogabilidade, porque jogar com o Joy-Cons requer habituação. Pessoalmente nunca me habituei a fazer os combates com os Joy-Cons, e levava bastante mais pancada do que com o touch screen. Por outro lado, jogar com o touch screen consegue ser extremamente penoso quando estamos nos diálogos, e infelizmente estes só avançam quando carregamos no ecrã, o que significa que passamos tempos e tempos ali a dar toques no ecrã, o que chega a ser desesperante.

A componente gráfica está muito boa. Tudo foi retocado e melhorado, e claro, o requinte do design dos personagens está incrível, tal como na sua versão original. Também seria difícil isso não acontecer, pois Tetsuya Nomura sempre nos mostrou que onde a sua “caneta” passa, o trabalho sai com um visual incrível. A tudo isto podemos acrescentar animações verdadeiramente interessantes e pequenas cutscenes com bastante qualidade.

A vertente sonora é outro ponto muito bom. Com música pop e rock ao estilo japonês, mas que encaixa muito bem nesta aventura; e tal como a roupa das nossas personagens até a música está na moda.

The World Ends With You: Final Remix chega à Nintendo Switch oferecendo algo novo, mas peca pela sua jogabilidade. Se consegue ser bom na história, e na peculiaridade dentro de um género que já pouco consegue surpreender, a verdade é que ser um jogo jogado com o Joy-Con tipo apontador, ou em modo touch screen, não se torna nada apelativo, e chega a ser aborrecido e frustrante. Seja como for, é uma grande entrada na Nintendo Switch e uma boa aposta da Square Enix.

Análise: The World Ends With You: Final Remix

4.0

Sim

  • Uma história bastante interessante
  • Grafismo muito bom
  • Um RPG bastante diferente do habitual

Não

  • A jogabilidade na Nintendo Switch deixa bastante a desejar.
Published
Categories Análises Nintendo
Views 303