Developer: Numantian Games
Plataforma: Xbox One, PlayStation 4 e PC
Data de Lançamento: 5 de Julho de 2019

Os videojogos são um bom exemplo de como funciona a criatividade humana, porque é uma das suas características pegar em abstrações já existentes e criar algo novo. Conceitos que juntos ainda não tinham sido considerados, mas que por fazerem tanto sentido se tornam imediatamente tendências. They Are Billions ainda não é uma tendência, mas poderá facilmente dar origem a uma.

É o mais recente título do estúdio indie espanhol Numantian Games, conhecidos pelo lançamento do peculiar RPG Lords of Xulima, e que se aventuram agora nos RTS’s.

Ao contrário do que é costume nos jogos de estratégia em tempo real, em They Are Billions não vamos assumir o habitual papel de conquistadores, seremos sim, os últimos sobreviventes da espécie humana que tenta desesperadamente não ser extinta, pelo menos na nossa compreensão de humanidade.

Nesse sentido, e tal como o indica o nome do único modo de jogo disponível, a “Sobrevivência” é o nosso mais importante propósito. Uma estratégia muito comum, tanto nas sagas de Age of Empires, como de Supreme Commander, era a de planearmos da melhor maneira como nos iriamos proteger das invasões inimigas. Como tal, grande parte da gestão dos nossos recursos eram investidos no princípio de que passaríamos grande parte do jogo na defensiva.

They Are Billions centra-se especialmente nesse aspecto, ou seja, construir as nossas defesas de forma a estarmos preparados para resistir às inúmeras, implacáveis, e cada vez maiores vagas de zombies. No entanto, existem dois pormenores interessantes e que tornam este RTS diferente dos demais:  primeiro, poderemos constatar por um pequeno timer, teremos 100 dias para sobreviver até à vaga final; e segundo, os zombies têm o poder de infectar os habitantes dos nossos edifícios, que eventualmente se tornarão também uma ameaça para a vizinhança.

O elemento que o afasta de um Tower Defense e o aproxima mais do estilo RTS, além de um mapa aberto e de uma inevitável necessidade de exploração, é essencialmente a existência de um sistema económico, dependente da angariação de recursos, tal como ouro, madeira, pedra, etc. Em suma, a principal característica do género.

A tecnologia também tem um papel fundamental, e se começamos com ferramentas e armas mais rudimentares, como o arco e flecha, eventualmente poderemos evoluir para armas de fogo e mechs, e até as muralhas se tornarão mais fortes para conseguirem suster com mais eficiência as vagas de mortos-vivos que só têm tendência a piorar.

They Are Billions foi inicialmente desenhado para o PC, e sendo um port para a Xbox One e PlayStation 4, existem as naturais dificuldades com as quais se debatem os jogos de estratégia nas consolas, ou seja, a velocidade a que muitas vezes temos de acessar às opções certas. Se com o teclado e rato é fácil, já não se verifica o mesmo com um comando, e por vezes, no calor do momento a atrapalhação é evidente. Para resolver isso há a possibilidade de pausar o jogo e decidirmos com calma os passos seguintes, o que ajuda bastante.

Graficamente, sem deslumbrar, cumpre aquilo a que se propõe e é razoavelmente agradável à vista. A banda sonora é aceitável e semelhante a tantos outros survivals em cenários pós-apocalípticos, naquela acalmia algo tensa e misteriosa, que tem como objectivo distrair-nos do que aí vem.

They Are Billions é uma interessante alternativa aos jogos de estratégia e particularmente nas consolas, onde não existem muitas opções. A original mistura abre a porta a que haja ainda mais experimentação no futuro, porque os RTS ainda têm muito para oferecer, apesar de não lhes ser dada a atenção que merecem. No fundo, o jogo ideal para os amantes mais nostálgicos do género, mas que ainda assim procuram uma variante muito singular.

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