Developer: CD Projekt Red
Plataforma: Nintendo Switch
Data de Lançamento: 30 de Janeiro de 2018

Depois da CD Projekt Red ter lançado The Witcher 3: Wild Hunt – Complete Edition na Nintendo Switch, chega agora a vez de Thronebreaker: The Witcher Tales. Muitos ainda devem andar a tentar finalizar o jogo onde Geralt of Rivia é o principal protagonista, e também já devem ter feito imensas batalhas com o baralho de Gwent que foram criando. Gwent é exactamente aquele local onde estes dois jogos se cruzam, e depois do enorme sucesso que este mini-jogo teve, foi apenas um passo até saírem jogos relacionados. O primeiro foi o Gwent: The Witcher Card Game (não foi lançado para a Nintendo Switch), seguindo-se depois Thronebreaker: The Witcher Tales, que está agora disponível para todas as plataformas.

Thronebreaker: The Witcher Tales transporta-nos para algo diferente do que os jogadores estão habituados, desde logo porque se trata de um RPG e ao mesmo tempo um jogo de cartas, unicamente single player, e que conta uma história relacionada com o universo de The Witcher. Ficamos com o papel da rainha Meve, que une e controla os reinos do norte de Lyria e Rivia, para que se prepararem para a guerra contra Nilfgaard, que mais uma vez anda a tentar conquistar o norte. Encontrando-se fora, é forçada a retornar ao seu reino, onde o seu filho e o seu tutor ficaram no controle durante a sua ausência. O problema é que além de o seu filho ainda não estar preparado para isso, ocorreram diversos acontecimentos com os quais não soube lidar, sendo exactamente o seu tutor que decide voltar a chamar a rainha, para que esta volte a colocar ordem no reino.

Durante a ausência de Meve, o reino foi devastado. As pessoas estão descontentes, diversos bandidos começaram a pilhar aldeias e comerciantes, e sente-se cada vez mais o clima de guerra iminente com Nilfgaard. Para se enquadrarem, e especialmente para aqueles que conhecem melhor os livros e os jogos de The Witcher, estes acontecimentos passam-se em 1267, na segunda guerra contra Nilfgaard. Meve não estará sozinha na tentativa de recuperar o seu reino, e terá Reynard o seu braço direito para a ajudar.

Um ponto excelente do jogo pode ser encontrado nos diálogos, com a rainha Meve a ter conversas com todo o tipo de pessoas, sendo que tal como acontece em todos os jogos de The Witcher, conforme as respostas que escolhermos, acabarão por ter interferência numa história muito cativante.

Agora que estão ligeiramente mais situados na história, vamos então falar de como o jogo se processa:

Tal como a maioria dos RPG, teremos de percorrer um vasto mapa, sendo possível e até recomendado explorar os cantos e recantos dos diversos locais. O jogo tem uma perspectiva isométrica em 3D, e será importante percorrem o mapa de forma a apanharem materiais além de recrutar tropas para aumentar o vosso exército, já que terão de combater bandidos, mas também o exército de Nilfgaard.

Falando em combates, é aqui que entra o Gwent, isto porque não existe um combate propriamente dito, e todos são feitos através de partidas de Gwent. E não é só nos combates que entra o Gwent, já que na exploração do mapa vão conseguir encontrar diversos quebra-cabeças relacionados com este jogo de cartas; como por exemplo só poderem usar X cartas, ou o adversário ter de ficar com uma pontuação especifica,  além de outros objectivos que obrigam o jogador a pensar e a saber usar as cartas de maneira lógica.

O jogo apresenta-nos três tipos dificuldades: Aventureiro, Marcado Pelas Batalhas e Quebra Ossos. O modo Aventureiro foi criado para aqueles jogadores que não querem estar reféns das batalhas de Gwent, isto é, o jogo dá a opção de saltar as batalhas, fazendo com que o jogador possa avançar na história. Marcado Pelas Batalhas é um modo mais equilibrado entre a narração da história e o número de combates, e nesta dificuldade os jogadores já não têm a possibilidade de saltar os combates. Por último, como o nome sugere, Quebra Ossos é um modo para os jogadores que gostam de enormes desafios, e que dominam bem a arte do Gwent.

É também importante que os jogadores que nunca tiveram nenhum contacto com Gwent percebam que isso não será problema para jogarem este jogo, isto porque o jogo explica tudo, desde a componente RPG, assim como todas as regras de Gwent; até porque este Gwent é um pouco diferente do original, sendo que desde logo apenas apresenta duas filas para colocarmos cartas (a fila de Siege desapareceu), passando apenas a existir a fila de cartas de longo alcance e de curto alcance.

Quanto à componente RPG, além da exploração de que já vós falei, existem também os recursos, como o ouro a madeira e os recrutas. Todos esses recursos estão espalhados pelo mapa, mas também vão sendo adquiridos tanto a completar missões. Recursos esses que serão posteriormente usados no vosso acampamento de forma a ser melhorado. No acampamento vão encontrar a oficina (o local onde podem fazer os melhoramentos do acampamento), a barraca de comando (onde podem alterar o vosso baralho de Gwent e criar cartas); já a barraca real apresenta cartas para a rainha, assim como denúncias do povo e dos nossos súbditos, além de mapas de tesouros que podemos encontrar no mapa e até chaves que temos na nossa posse. Temos ainda a barraca de jantar onde podemos conversar com o nosso braço direito e com outros personagens que vão aparecendo. Ainda na componente RPG, é preciso ter bastante atenção à moral do exército.

Graficamente o jogo está excelente. Bons gráficos, com cenários muito bonitos e cheios de detalhe. O jogo apresenta-se sempre muito fluído, quer na exploração, quer nos diálogos, assim como nos combates de Gwent. Isto acontece quer seja em modo dock, como em modo portátil.

Algo que devem ter em atenção, e provavelmente é o único defeito a apontar é que alguns lugares do mapa podem não parecer caminhos e são, o que vós obriga por vezes a terem de ir lá com Meve para verificar se existe ali uma passagem ou não, pois apenas a olhar para o mapa poderá parecer que não existe local de passagem.

Thronebreaker: The Witcher Tales é um jogo que me encheu as medidas. Oferece uma história incrível, ao mesmo tempo que nos dá um mapa para explorarmos e uma boa componente RPG, com a cereja no topo do bolo a serem as batalhas em forma de em Gwent – que na minha opinião é provavelmente o melhor jogo de cartas da actualidade –, encontrando aqui a plataforma ideal para se jogar, visto que a portabilidade da consola da Nintendo dá-nos a possibilidade de o jogar em qualquer local. É, sem dúvida, a grande entrada do mês de Janeiro na Nintendo Switch.