Developer: Atlus
Plataforma: Nintendo Switch
Data de Lançamento: 17 de Janeiro de 2020

A Nintendo continua a trazer aos jogadores da Nintendo Switch diversos jogos que haviam sido lançados anteriormente na Nintendo Wii U, e isto acontece muito derivado à consola ter sido mal compreendida por parte dos fãs da antiga consola. A verdade é que a maioria destes relançamentos tem tido um enorme sucesso na Nintendo Switch, o que significa que além da qualidade dos jogos, é também uma grande chapada de luva branca para todos os jogadores que falaram mal da consola.

Tokyo Mirage Sessions #FE foi um dos melhores JRPG que a Nintendo Wii U teve o prazer de receber, e chega agora à Nintendo Switch com o nome de Tokyo Mirage Sessions #FE Encore. Para os jogadores que passaram completamente ao lado deste jogo lançado no verão de 2016, vamos então explorar um pouco a sua origem, já que o objectivo da Atlus foi oferecer uma mistura escaldante de Shin Megami Tensei e Fire Emblem – dois JRPG de enorme qualidade e cada um com as suas características.

O jogo começa com uma cutscene onde nos mostra uma jovem a assistir a uma peça musical num teatro, quando do nada começam a desaparecer todas as pessoas que estão a assistir à peça, assim como os dois cantores. Sobra apenas a pequena jovem que tem o nome de Tsubasa Oribe, e quando esta estava prestes a ser levada, uma estranha aura aparece à sua volta, salvando-a.

O jogo passa-se 5 anos depois desse acontecimento e embora Tsubasa Oribe seja uma das personagens principais, não será a protagonista do jogo, já que esse papel caberá a Itsuki Aoi. A interacção do jogador com o jogo inicia-se quando Itsuki se cruza com a sua amiga Tsubasa, que irá participar num concurso musical (espécie de Ídolos nipónico), e durante esse concurso aparecem uns seres estranhos em palco que sequestram todos os participantes e espectadores (tal como aconteceu há 5 anos atrás) a partir de um portal para outra dimensão, sendo que apenas Itsuki se escapa, e também com uma estranha aura à sua volta.

Com o portal ainda aberto e tendo Tsubasa sido raptada, Itsuki decide entrar no portal para tentar resgatar a sua amiga. É a partir deste episódio que vamos conhecer os dois cenários do jogo, ou seja, a cidade de Tóquio onde podemos percorrer muitos dos locais mais conhecidos, e uma dimensão com o nome de Idolasphere, recheada de Mirages (os seres que invadiram o concurso). Para tentar adocicar a história do jogo, temos como ponto em comum deste acontecimento Tsubasa ser irmã da cantora que desapareceu há 5 anos no teatro.

Devo confessar que apesar da história do jogo ser um pouco dramática devido a estes acontecimentos, a verdade é que esta nunca nos consegue prender, e no meu entender a narrativa é mesmo o “elo mais fraco” em Tokyo Mirage Sessions #FE Encore. Os elementos que me fizeram ficar agarrados ao jogo durante inúmeras horas foram os combates, a exploração de dungeons na Idolasphere e a conclusão de alguns puzzles que encontraremos.

E falando de combates, será aqui que os personagens se vão mostrar de maneira extremamente diferente do habitual, e mais uma vez os Mirage estarão em destaque, pois se existem Mirage do mal, também existem outros prontos a ajudar-nos, e estes vão juntar-se aos nossos personagens, isto é, existem humanos que são capazes de criar laços com Mirages, e quando isso acontece passam a ser Mirage Master. Esses Mirages que criam laços connosco são personagens de Fire Emblem, e temos rostos bem conhecidos, onde se destacam Chrom de Fire Emblem: Awakening, Caeda, Cain e muitos outros que vão descobrir. Tal como acontece com Fire Emblem e muitos JRPG os combates são por turnos, cheios de efeitos, extremamente coloridos, com muita luz e brilho, e chega a parecer um combate dentro de um concerto, já que todo o jogo está virado para a música.

Algo que agradará aos jogadores é termos uma barra superior que nos mostra a ordem de ataque, quer dos nossos personagens quer dos inimigos; além disso, tal como acontece em Fire Emblem, tanto os nossos personagens como os adversários têm vulnerabilidades, o que torna o combate ainda mais interessante, criando alguma estratégia, quer no aspecto defensivo, quer no atacante. E falando em combates, é impossível desassociar o sistema de evolução de personagens, já que será aqui que iremos ganhar a experiência necessária para subirmos de nível e com isso aumentar os nossos stats; no entanto, também para desbloquear novas habilidades, uma vez que podemos dividir as habilidades em quatro tipos, aquelas que ganhamos a partir das armas (espadas, lanças, arcos e flecha, etc), as que ganhamos devido à nossa parceria com os Mirages, as habilidades especiais, sem esquecer as habilidades passivas. Em qualquer dos casos, as slots de habilidades são reduzidas, logo, sempre que ganham uma nova habilidade, terão de decidir se substituem por uma que já esteja equipada nas slots activas.

Ainda dentro dos combates existem os Sessions Attacks, isto é, quando conseguimos usar determinada habilidade ou ataque em que o nosso oponente é vulnerável e os nossos ataques tiverem combinação com algum elemento da nossa party, esse também poderá atacar antes da sua vez, criando combinações únicas. Se isto é bastante interessante para o nosso lado, existe o reverso da moeda, isto é, os nossos adversários podem fazer o mesmo. Além dos Sessions Attacks existem também os ataques especiais, ou Special Performance, como é fácil perceberem estes ataques são dos mais poderosos que vocês vão ter, e não serão poucas as vezes que vós ajudaram a garantir a vitoria num combate.

Falando em Tóquio, aqui é outro local que podem e devem explorar, porém, por outros motivos, sendo que todas estas personagens têm vida para além de combater na Idolasphere. Os seus objectivos é chegarem ao estrelato através da música (do tão conhecido J-Pop que agora está na moda, até na Europa). O jogo está completamente direcionado para esta cultura, desde os anúncios que encontramos pelas ruas de Tóquio, aos locais que frequentamos; e claro, em todas as músicas do jogo. Além disso, ainda existem as lojas onde podemos adquirir diversos itens, e que estão espalhadas por todo os locais de Tóquio. Diria que Tokyo Mirage Sessions #FE Encore é um pequeno oásis para todos aqueles que adoram JRPG e ao mesmo tempo são fãs de J-Pop, e uma maneira simples de perceberem o que estou a dizer, é lembrarem-se do efeito das petazetas na boca (os mais velhos sabem exactamente do que estou a falar).

Os telemóveis também não foram esquecidos, e estamos constantemente a receber mensagens dos outros personagens que nos dão informações, ou até por vezes lixo “electrónico”. Existem ainda os diálogos – muitos deles bastante longos –, onde alguns muito interessantes, outros cómicos, e outros que parecem saídos da imaginação de uma criança.

Seria um crime não falar da agência de talentos que irá agenciar os personagens principais do jogo. A Fortuna Entertainment, além de fazer o que qualquer agência normal faz, tem a particularidade de ter um lado secreto, que passa por investigar a razão que leva os Mirages a sequestrar pessoas, uma delas é para lhes roubar as Perfoma (isto é, o seu talento), e ajudar a deter os seus ataques. Um dos objectivos do jogo passará por vocês perceberem o que leva as Mirages a ter esta postura, além das diversas aventuras e peripécias que vão acontecendo ao longo dos diversos capítulos do jogo.

Graficamente, Tokyo Mirage Sessions #FE Encore não desilude, embora pelo que já vimos em alguns jogos na Nintendo Switch fosse possível estar mais refinado. Seja como for, a cor, o brilho e certos detalhes chegam para, neste campo, o jogo estar aceitável. Jogado em modo dock, como em modo portátil o jogo comporta-se sempre exemplarmente, mesmo em combates com diversos oponentes e com muitos efeitos nunca sentimos quebras.

Já a componente sonora é algo que chama bastante a atenção, sendo que os fãs de J-Pop vão ficar deslumbrados com o jogo. E mesmo aqueles que não são fãs, passado algum tempo, já vão batendo o pé ao ritmo das músicas.

Para os jogadores que jogaram o primeiro jogo, esta versão da Nintendo Switch oferece algumas adições, como novas roupas (algumas de Fire Emblem: Three Houses, outras de Shin Megami Tensei e até de Persona), novas musicas e até novas áreas de combates (dungeons), e falando em combates, Maiko, Tiki e Barry agora também podem participar nos Sessions Attacks. Provavelmente poucas adições para aqueles que jogaram o jogo original na Nintendo Wii U, seja como for são boas adições para novos jogadores.

Tokyo Mirage Sessions #FE Encore é mais um bom JRPG que chega à Nintendo Switch. Não consegue entrar nos Tops – tal como aconteceu com a Nintendo Wii U –, porque desde então saíram imensos JRPG que superaram em larga escala este titulo que chega agora à Nintendo Switch, todavia, para aqueles jogadores que não tiveram oportunidade de o jogar a Wii U, têm aqui uma excelente oportunidade, pois o combate e a exploração das dungeons deste jogo vale bem a pena.