Developer: Ubisoft
Plataforma: PC, Xbox One, Playstation 4
Data de Lançamento: 4 de outubro de 2019

Começamos por dizer que somos fãs acérrimos de Ghost Recon Wildlands, que varremos o jogo todo, os DLC’s e até os Modos PVP, portanto a nossa expectativa para Breakpoint era bastante eleveada, e a Ubisoft não tinha muito como falhar, para isso bastava aplicar a mesma receita numa nova geração e apurá-la. Mas será que foi capaz de fazer isso ou estragou a pintura?

A resposta é Nim. Para quem venerou Wildlands vai continuar a encontrar um vasto mundo aberto, cheio de possibilidades, de exploração, de missões primárias, secundárias, de facção ou de recolha de informações, a jogabilidade bem conseguida, táctica e audaz, misturando-se com os vários veículos que podemos conduzir e que nos dão mais uma série de possibilidades de abordagem a cada missão. No entanto os mesmos fãs vão logo estranhar algo no início, estou a falar do quão sós podemos viver em Breakpoint. Se em Wildlands tínhamos sempre uma equipa de 4 elementos, mesmo que com 3 controlados pelo computador, desta vez só teremos uma equipa de 4 com 3 amigos a juntarem-se a nós, ou pessoas totalmente random.

E isso para mim foi o que mais me decepcionou no jogo. Porque retira-lhe aquela componente táctica de coordenação de ataques, de sentir que estamos a liderar um esquadrão, de estar 15 minutos ou mais a preparar a estratégia, a lançar o drone para identificar os inimigos e a esoclher os alvos que o nosso esquadrão deve eleiminar em ataque organizado, e todas as outras técnicas que fomos aprendendo em Wildlands. E o sentimento de solidão aumenta conforme vamos abrindo o vasto mapa de Auroa, é que por vezes vamos estar simplesmente perdidos sem saber para que missão ir, a missão para a qual estamos aptos. Muitas vezes aconteceu que a dirigir-me para uma missão levava com inimigos muito acima do meu nível e foi chacinado.

Repararam que falei em nível, pois é, Breakpoint tornou-se um looter shooter, tanto o nosso armamento como a nossa “armadura” vai ter um nível, e por isso vamos andar atrás das caixinhas que têm melhores items para aumentar a capacidade do nosso Nomad. E devo dizer que isto estragou-me grande parte da experiência deste Ghost Recon. É que em Wildlands a capacidade era medida pela nossa destreza no gatilho e no jogo de xadrez que montámos com a nossa estratégia, e agora em Breakpoint é tudo muito ou tens nível ou não tens. É claro que isso ajuda ao grind, é certo, mas em Wildlands já havia grind em busca das armas e das peças de arma que mais gostávamos de usar para a nossa abordagem do jogo.

Por estamos tão sós, a história de Breakpoint também ela é solitária e de sobrevivência, visto que fomos destacados até ao arquipélago de Auroa para compreender melhor a utilização de tecnologia de ponta por parte de Jace Skell, que se presume estar a ser utilizada para fins militares. O nosso helicóptero assim como os dos outros grupos são destruídos por uma espécia de insectos destrutivos, que não deixam ninguém entrar como sair de Auroa. No início vamos tentar encontrar os nossos camaradas até percebermos que os sobreviventes foram dizimados por uma força paramilitar apelidada de Wolves liderada por um antigo camarada Ghost de seu nome Cole D. Walker. A partir daqui vamos tentar perceber esta trama, o envolvimentos dos Wolves com Jace Skell e que o que é que estão a preparar em conjunto, mas sempre solitários.

A jogabilidade essa continua a seguir os trâmites de Wildlands, misturando a visão em terceira pessoa com a primeira quando miramos, com as armas a terem respostas super fidignas perante a realidade, com o recuo a ser o mais real de algo jogo do género. Também temos várias especializações que vamos poder desbloquear através de uma skill tree complexa, são elas:

Assault – Onde temos a possibilidade de usar uma Granada de Gás, ideal para espaços fechados, True Grit, habilidade que nos dá mais resistência ao dano com o coice das armas a diminuir, podemos prolongar o efeito dessa habilidade ao matar inimigos ganhando vida ao mesmo tempo.

Medic – onde podemos utilizar um Medkit, podemos o atirar para curar qualquer jogador, menos aqueles com lesões críticas. Temos acesso ainda ao Drone Médico que pode lançar dardos de recuperação de vida.

Pantera – onde vamos utilizar um Spray de Camuflagem que nos torna indetectáveis aos malditos drones durante 60 segundos. Temos ainda a habilidade Cloak & Run onde activamos uma fumaça onde ficamos invicíveis e deixamos de estar em modo de combate.

Sharpshooter – dá-nos a hipótese de Lança-sensores, onde lançamos uma granada que marca todos os inimigos nas redondezas, ao ponto de conseguirmos ver as silhuetas pelas paredes e tudo. Para além disso teremos a habilidade Armor Buster com direito a 3 balas específicas de perfuração, que funciona até nos veículos blindados.

A nível de jogabilidade temos ainda de acrescentar que há mais novidades, tempos a possibilidade de rebolar na lama para nos misturarmos com a vegetação e ficarmos praticametne invisíveis, podemos carregar corpos ou mesmos os nossos companheiros, também a técnica de respiração mais contorlada para um tiro mais certeiro, ou ainda o tiro sincronizado que agora a Solo será efectuado pelo drone, sendo que com uma equipa de 4 podemos eliminar até 16 inimigos ao mesmo tempo em conunto. Por fim destacar ainda as lesões conforme somos atingidos vamos ficando mais lentos, coxeamos e perdemos a mesma destreza, assim como a exaustão por correr por demasiado tempo nos leva a não conseguir controlar a respiração a disparar, mas também a ficarmos vulneráveis em termos de mobilidade.

Ghost Recon Breakpoint em termos gráficos dá um pulo em relação a Wildlands, até pelo salto geracional, mas nem tudo é perfeito, porque o carregamento das texturas continua a ser lento, e por vezes a pilotarmos um helicóptero aparecem populações vindas do além, tal como a guiar um jipe. No entanto o mais estranho é que a jogar na Xbox One X, sinta que as texturas estão pior do que na versão normal, algo que já me acontecia com The Division 2, que só com várias actualizações do jogo é que foi reparado. Portanto consigo encontrar uma beleza encantadora na iluminação, nos efeitos da neve, chuva, das luzes, mas sempre que o jogo pede uma maior velocidade de processamento e uma renderização de mais elementos parece que estou a voltar aos gráficos de Wildlands. Por isso não me vou alongar muita nesta questão porque quero ser justo, e penso que numa futura actualização a situação seja corrigida.

O que acho que mais dificilmente terá solução é a Inteligência Artificial, se por vezes parece apurada à procura dos elementos que efectuaram um ataque a um dos seus elementos ou à sua base, por outro são capazes de borrifar para um tiro na parede, de ir verificar e voltar para o seu posto, como se fosse algo vulgar. Se por um lado parecem “cães” quando um drone nos avista e os Wolves nos descobrem, por outro são capazes de ficar presos numa porta e aviarmos todos os inimigos que estão a sair de um prédio. Para além disso a forma despreocupada com que ocupam o mapa também não me faz muito sentido, parecendo que estão a spawnar de forma aleatória só para que tenhamos confrontos constantes.

Para os mais puristas Ghost Recon Breakpoint poderá dar algum amargo de boca por causa do sistema looter shooter e das especializações, das quais só podemos utilizar uma por personagem, mas encontrará no vasto mapa razões para continuar a exploração constante de Auroa, o jogo é repleto de conteúdo de missões, de variedade de missões e objectivos e de recompensas, mas peca pela sua magnitude nos dar essa solidão constante e repetição ao fim de algumas horas, é um jogo que precisa de retoques, de actualizações que consigam dar mais prazer a jogar. É um bom jogo, mas podia ser um jogo obrigatório, só que não é.

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