Developer: Cyanide Studio
Plataforma: PlayStation 4, Xbox One
Data de Lançamento: 29 de junho de 2019

A prova rainha do ciclismo é o Tour de France. Com todo o seu glamour, todos os anos move milhares de adeptos para as estradas de França para ver os ciclistas passar. Nem é a prova que mais gosto no meio do Pro Tour (prefiro o Giro), mas é sem dúvida aquela que mais dá que falar e que até os menos atentos prestam atenção. Às consolas chega também todos os anos um novo jogo do Tour de France. Nesta edição de 2019, não esperem grandes revoluções no que já se tem vindo a jogar em anos anteriores. É certo que um jogo de ciclismo não é propriamente apelativo a quem não gosta ou não acompanha a modalidade, mas o que Tour de France faz é estimular os que gostam de ciclismo ano após ano e aposta claramente nesse público. 

O jogo é difícil para quem nunca jogou este tipo de jogo e é ainda mais difícil para quem não percebe nada de ciclismo. Isto de andar em cima de uma bicicleta não é apenas pedalar e ultrapassar tudo e todos. Tem táticas e alturas próprias para atacar ou resguardar-se do vento, por exemplo. Os tempos de um jogo de ciclismo mais arcade ficaram na PS2. Aí sim, também com o nome de Tour de France, lá íamos nós com uma bicicleta a ultrapassá-los todos enquanto desse. Eram outros tempos, mas é esse o jogo que trago na memória, antes de partir para este que está mais ao estilo de Pro Cycling Manager, do PC, mas com outras características e que, na verdade, até foi uma agradável surpresa. 

Tour de France 2019 não tem gráficos por aí além. Preocupa-se com a estrada e pouco mais. Para nosso bem, os pisos estão bem vincados para sabermos se estamos em estrada ou em pavet. É verdade que também não temos muito tempo para apreciar o que rodeia a estrada, porque ao mínimo deslize, lá vamos nós parar ao fundo do pelotão ou já deixamos fugir o nosso alvo num ataque mais feroz. Os modelos de cada atleta também não se distiguem. São todos uma cópia genérica e pior do que isso, são todos iguais. Vão ver que os vencedores têm sempre a mesma cara, só muda o nome. Podiam ter-se preocupado, pelo menos, em fazer os principais ciclistas do Pro Tour. Mas vamos lá pedalar. 

Gosto bastante de ciclismo. O suficiente para ver uma etapa de 3 ou 4 horas, se for de montanha, numa das grandes voltas e é tendo em conta essas etapas, principalmente, que reparo que Tour de France está bem feito, no que toca à simulação “real” de uma etapa. Vão existir aqueles ataques logo nos primeiros quilómetros para formar uma fuga, muitas vezes, como na realidade, essa mesma fuga inicial não resulta e depois formam-se outros grupos e outros ataques. Porém, convém nas etapas de montanha mandar alguém na equipa lá para a frente, pode depois vir a ser útil na ajuda a um colega de equipa, mas isso já é entrar no plano tático de cada um. A verdade é que temos mesmo de ter um plano, porque se não rapidamente nos vemos embrulhados sem saber o que fazer e quando damos por nós lá se vai mais uma etapa. Perdi muitas assim. Mais até que aquelas que ganhei, mas também não se vê nenhum ciclista ganhar mais etapas dos que aquelas em que participa. A raridade da vitória também está presente neste Tour de France 2019 e é por isso que aconselho muita calma e paciência nos primeiros tempos. Afinal de contas, estamos só a começar a nossa carreira. 

Na estrada, os controlos até são relativamente simples depois de nos habituamos. Com uma passagem pelo treino, fácilmente dominamos a nossa bicicleta e parecemos, à nossa escala, um Cândido Barbosa que ambiciona ser um Froome ou Frinn como lhe chamam no jogo. É verdade, apesar de ser o jogo oficial do Tour, há equipas e nomes de ciclistas que vêm mal escritos. Felizmente há um editor, onde tudo pode ficar mais bonito, mas não deixa de ser aborrecido.

A maneira como controlamos os nossos ciclistas é que pode ser mais complicado. Existe uma barra azul que é a resistência total do atleta, depois existe outra vermelha que define a nossa força na hora de atacar. O mais importante é o ritmo de prova que impomos no nosso ciclista. Não vale a pena estar a dar tudo no início, se não nem a meio da etapa chegam. É através da força com que carregamos no R2 e L2, no caso da Playstation, que definem o ritmo e a travagem respetiva. Vão poder “fixar” o ritmo com um toque no L1 e tornar mais fácil e constante a vossa prova. Existe ainda um gel azul e outro vermelho que nos ajuda a recuperar as barras de energia da mesma cor. Felizmente não temos de jogar as etapas completas. Claro que o podem fazer, mas temos a possibilidade de avançar na prova ao ritmo que nos apeteça. Controlamos ainda os nosso colegas de equipa e damos instruções a eles sobre o que têm de fazer. Podemos pedir para nos proteger, atacar, colocar ritmo e até podemos mudar de ciclista e controlar quem melhor entendermos.

Quantos aos modos de jogo, temos bastante para explorar. Além do treino e do editor, vamos ter o “Race”, onde escolhemos uma corrida ou um conjunto de etapas para discutir a vitória. Aqui podemos jogar o Tour de France completo, com a rota oficial, o Critérium du Dauphiné, algumas clássicas como o Paris-Roubaix, entre outras. Nota mais para as provas que podemos disputar. Felizmente vão para além da volta à França, só é pena não trazer as outras duas grandes voltas, o Giro e a Vuelta.

Temos depois o Pro Team, no qual formamos uma equipa e com um plafond ao nosso dispor fazemos as nossas escolhas de quais os ciclistas que queremos. É claro que no início, não podemos ir buscar os melhores, não há dinheiro nem estatuto suficiente para isso. Vamos então ter de competir por corridas com menos prestígio e ganhar pontos de forma a sermos uma equipa do Pro Tour e poder lutar pelas melhores provas, entre elas, o Tour de France, claro. Noutro modo, Pro Leader, a premissa é a mesma que no Pro Team, mas desta vez criamos o nosso ciclista que vai evoluir e já não escolhemos os nossos colegas de equipa. Uma das novidades deste ano é a introdução dos campeonatos mundiais para certos países. Online existe o Cycling Series onde sozinho ou em equipa podem fazer corridas e lutar por etapas. O modo mais arcade deste Tour de France 2019 é o Challenge, onde podemos tentar bater tempos de descidas, subidas, ou ganhar ao sprint em determinadas etapas.

Tour de France 2019 não revoluciona quem jogou os jogos dos anos anteriores. Tentou melhorar alguns aspetos, mas ainda há muito para pedalar. A falta de licenças, os gráficos despreocupados, e os modelos uniformes de ciclistas, não dão a imagem que Tour de France merece. Mesmo assim se gostam de ciclismo, este é dos poucos jogos a que se podem agarrar e no que toca a simulação de uma etapa, está no ponto. Faltava ser mais divertido e arrojado. Eu como gosto da modalidade e já não jogava um Tour de France desde o tal jogo da PS2, fiquei e vou ficar agarrado uns bons tempos a esta edição de 2019.